COBERTURA ESPECIAL - Aço - Leopard 1A5Br - Terrestre

10 de Outubro, 2016 - 10:00 ( Brasília )

Um retrato sobre a evolução da carreira de blindados nos últimos 20 anos


Sgt Cav Carlos de Aguiar de Almeida / S Ten Leo Machado Botelho


Desde quando incorporei, como soldado, nos idos de 1992, no 1º Regimento de Carros de Combate, sediado ainda na cidade do Rio de Janeiro, em Bonsucesso, às margens da Avenida Brasil, pude notar que realmente havia adentrado em um verdadeiro quartel de Cavalaria e que a minha vida nunca mais seria a mesma.

Comecei a dar os meus primeiros passos na carreira dos blindados no 1º Pelotão, denominado Guaicurus, do 2º Esquadrão de Carros de Combate. Naquela época trabalhávamos com as VBC M-41 Walker Bulldog, e o nosso Comandante de Pelotão, ministrava as instruções e preceitos inerentes ao combatente da arma ligeira.

Era tudo muito simples, os carros de combate naquela época não possuíam nenhuma eletrônica embarcada e o equipamento de tiro era todo analógico, não tinham nada a ver com os blindados de hoje.

Até 1995, o Exército Brasileiro não possuía uma Escola ou Centro de Instrução vocacionados a realização de cursos ou estágios, técnicos ou táticos, que discorressem sobre a operação e emprego dos CC modernos que figuravam nas Américas ou no teatro de operações Europeu, visando o aprimoramento da tropa blindada e mecanizada.

Com isso os militares, temporários ou de carreira, só receberiam instruções nos corpos de tropa ou nas suas respectivas escolas de formação (EsSA, AMAN, CPOR e NPOR). Em 1996, mais precisamente em 11 de outubro, na cidade do Rio de Janeiro- RJ, uma luz começa a brilhar no fim do túnel com a criação do Centro de Instrução de Blindados General Walter Pires, um Estabelecimento de Ensino do Exército Brasileiro, voltado ao emprego técnico e tático de meios blindados e mecanizados.

Atualmente a carreira de blindados, no Exército Brasileiro, começa nos bancos escolares, quando o Oficial/Sargento de carreira ou temporários, recém-egressos da Academia das Agulhas Negras, da Escola de Sargentos das Armas, dos Centros e/ou Núcleos de Preparação de Oficiais da Reserva, escolhem servir nos RCC, RCB, BIB, Esqd C Mec, RC Mec ou BI Mec.

Após escolherem as suas respectivas Organizações Militares, os oficiais e sargentos têm a seu dispor, na própria OM, uma Seção de Instrução de Blindados (SI Bld), que é um braço do Centro de Instrução de Blindados, nas organizações militares blindadas e mecanizadas, para fins de padronização das instruções técnicas e táticas. Nas SI Bld encontramos militares possuidores de cursos e/ou estágios realizados no CI Bld. Elas são mobiliadas em sua grande maioria com simuladores e meios necessários ao bom andamento da instrução nos corpos de tropa.

Ainda no período básico, em seu primeiro ano de tropa, através da Capacitação Técnica e Tática do Efetivo Profissional (CTTEP), os militares poderão ter o primeiro contato com os meios blindados/mecanizados orgânicos das suas unidades, com a finalidade de adquirir o mínimo de conhecimento possível para desempenharem melhor as suas funções nos seus respectivos pelotões.

Os militares podem ainda em seu primeiro ano de tropa, solicitar a inscrição através do Sistema Único de Controle de Efetivos e Movimentações (SUCEMNet), para concorrerem a uma vaga em algum curso e/ou estágio na área de blindados.

Aqueles que forem contemplados e os concluírem com aproveitamento, poderão ainda, se habilitados em idiomas, preferencialmente inglês ou espanhol, concorrer à realização de curso em Nação Amiga.

Temos testemunhado vários militares, oficiais e sargentos, sendo destacados para tão nobre missão de representar o nosso Exército, além-fronteira, tendo com isso propagado os nossos ideais e mostrado o valor do soldado de Caxias que serve em nossa tropa blindada.

Desde quando incorporei, já se passaram mais de vinte anos, mas os nossos ideais, os nossos valores não mudaram. Sim, o material se modernizou, os computadores tomaram conta das nossas seções, as nossas instruções são planejadas e apresentadas em power point, nos tablets, etc.

Não existe mais o retroprojetor para ficar “queimando” transparência e a paciência da turma de instrução. O velho e bom mimeógrafo e a tarefa quase que impossível de confeccionar a matriz sem errar para não ser chamada a atenção pelo Chefe da 3ª Seção... Os blindados evoluíram... O tempo passou... demos um salto tecnológico tremendo com a aquisição dos novos PRODE (Produto de Defesa), VBC CC Leopard 1A5Br, VBE LPnt, VBC Eng, VBE Soc, VBO Ap M109 A3, Gepard, VBTP-MR Guarani, .... Mas, nada disso substituirá o homem. Ele é, e sempre será o bem mais precioso do nosso Exército e, com certeza, é o elo de ligação entre a intenção do Comandante e o que acontecerá nos campos de batalha, pois será este combatente que aderiu de corpo e alma a carreira de blindados que fará a diferença.


“O êxito da vida não se mede pelo caminho que você conquistou, mas sim pelas dificuldades que superou no caminho.”
Abraham Lincoln


ORGULHO DE SER SARGENTO ! AÇO, BOINA PRETA, BRASIL!


1º Sgt Cav Carlos de Aguiar de Almeida Monitor do CI Bld Turma de 1997.
Trabalha há mais de 20 anos em prol da tropa blindada Possui o Estágio de Cmt e At da VBC CC Leopard 1A1 Tático de Blindados Curso de Operação da VBTP-MR “Guarani”

Leo Machado Botelho – S Ten Adjunto de Comando do CI Bld

*Aprovado pelo TC Ádamo Luiz Colombo da Silveira Cmt CI Bld