06 de Fevereiro, 2008 - 12:00 ( Brasília )

Geopolítica

SOFA - As Forças Terrestres Francesas na Guiana

Abaixo um texto do próprio Armée de Terre francês que detalha a preença de forças francesas na Guiana. A simples leitura explicita a razão da assinatura do SOFA.

 As forças terrestres na Guiana são responsáveis pela segurança de um território, que representa 1/6 da metrópole, e quase inteiramente coberto pela floresta equatorial. São formadas por dois regimentos, ou seja 1.300 homens, dos quais perto da metade em missão de curta duração.

Efetuam no terreno uma séria de missões para impor a soberania sobre a área. Devido às condições específicas da região, as forças terrestres na Guiana são solicitadas diariamente para missões operacionais. Articuladas em redor do 3e Régiment Étranger d’Infanterie (3e REI), Kourou, e do 9e Régiment d’Infanterie de Marine (9e RIMa), de Caiena (Cayenne), as forças terrestres na Guiana são formadas :

 

- por três unidades de infantaria;
- duas companhias Proterre;
- uma companhia de apoio com meios de inteligência e de engenharia;
- uma companhia de manutenção,
- duas companhias de comando e de apoio.


O 3º REI é voltado inteiramente para emprego operacional e de formação com o Centro de Treinamento na Floresta Equatorial (Centre d’Entraînement à la Forêt Équatoriale - CEFE). O 9º RIMa tem uma dupla missão, operacional e de apoio em proveito das forças terrestres (manutenção) e o comando conjunto..

Estes dois regimentos distinguem-se de outras unidades de forças de soberania pelas suas missões operacionais: vários acordos os vinculam ao Centro Espacial da Guiana (Centre Spatial Guyanais - CSG) e à administração da Guiana. Porta para o espaço dos projetos europeus, o CSG efetua acada ano mais de uma dúzia de lançamentos do foguete Ariane, para pôr em órbita satélites de todo o mundo .

O 3º REI assegura a segurança externa do CSG durante cada operação de lançamento. Esta missão de controle de zona numa região muito específica (floresta equatorial, savana e mangrove) requer todo o "know-how" do regimento. De acordo com a sua divisa, “vai onde os outros não vão" (va là où les autres ne vont pás).

Os dois regimentos têm também uma importante missão na formação e treinamento de membros da Força Terrestre. Esta formação apóia-se sobre o CEFE e dos especialistas nos regimentos, os Grupos de Instrução da Floresta (GRIF) ou o Comando de Busca e Ação na Selva (CRAJ) do 9º RIMa.

Na Guiana face à permeabilidade das suas fronteiras, importantes fluxos migratórios são atraídos "pelo eldorado" guianês e sobretudo as numerosas atividades ilegais, em particular a exploração ilegal de ouro. As forças terrestres na Guiana são regularmente empregadas no apoio das autoridades civis e da Gendarmeria: vigilância das fronteiras desde os quatro postos implantados sobre o Oiapoque em frente do Brasil e sobre o Maroni em frente do Suriname, patrulhas de longa duração dentro da selva para localizar as zonas de atividades ilícitas e mesmo, atender às solicitações da Prefeitura (Governo local) para atuar junto com a Gendarmeria, verdadeiras operações de destruição de mineradoras ilegais (Operação Toucan).

Perfeitamente adaptadas ao meio no qual operam, as Forças Terrestres na Guiana executam as missões operacionais extremamente delicadas. O 3º REI e o 9º RIMa permitem à República francesa assumir as suas responsabilidades sobre este departamento francês na América do Sul.