18 de Novembro, 2011 - 12:30 ( Brasília )

Geopolítica

Steel - Média de 40 por cento ociosidade


Vera Saavedra Durão | Do Rio


O foco da Votorantim Siderurgia na conjuntura de ciclo ruim vivida pela indústria do aço no mundo é "redução de custos". Albano Chagas Vieira, diretor-superintendente da empresa disse que a companhia tem adotado medidas de contenção para se adaptar ao cenário de esfriamento de demanda e preços em queda no Brasil e no exterior.

A direção da empresa decidiu desligar um dos dois fornos elétricos da usina de Barra Mansa (RJ), enquanto o da usina de Resende está operando com 80% da capacidade. Em março, as exportações da companhia foram suspensas por falta de preços competitivos com os do mercado internacional e, no âmbito dos investimentos, foi ampliado o prazo para a conclusão da unidade de laminação de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul.

O projeto da laminação, que vai operar com 200 mil toneladas de aços longos, foi desenhado para ficar pronto no primeiro trimestre de 2012, mas "com o mundo andando de lado", como diz Vieira, a empresa decidiu desacelerar a obra e construí-la em etapas. O término está previsto para o fim de 2012. "Construímos a usina de Resende em 18 meses. A laminação de Três Lagoas vai ficar pronta em dois anos".

O investimento em Três Lagoas é o mais importante e está sendo tocado em parceria com Alexandre Grendene, dono do grupo Grendene. E vai exigir recursos de R$ 200 milhões. "A gente previa colocar lá também uma aciaria para produzir mais 450 mil toneladas de aço, isto num cenário do planeta se recuperando após a crise de 2008. Agora vamos aguardar o mercado ter necessidade de oferta. Quando isto acontecer, tiramos o projeto do papel em dois anos."

A companhia está operando este ano entre 60% a 65% da sua capacidade total de 2,6 milhões de toneladas. Vieira projeta uma produção para 2011 entre 1,6 milhão a 1,7 milhão de toneladas. "Podemos crescer uns 5% ante 2010". No ano passado as vendas da empresa somaram 1,6 milhão de toneladas.

A Votorantim tem quatro usinas, duas no Brasil - Barra Mansa e Resende - e duas no exterior, na Colômbia e Argentina. As usinas brasileiras trabalham entre 60% e 62% da capacidade, enquanto a Argentina roda a 75% da capacidade e a colombiana, a 85%.

O plano para o período 2011 a 2015 era atingir 3,5 milhões de toneladas de aço. Ele foi elaborado em 2010, quando a empresa acreditava que o mundo tinha saído da crise de 2008. "Ideia otimista de recuperação mundial de crescimento. Pensávamos em fazer pequena expansão na Colômbia, na Argentina e elevar a capacidade no Brasil".

Para o executivo, a siderurgia brasileira perdeu competitividade violenta de 2010 para cá e fica difícil investir. O custo do investimento por tonelada de aço para uma usina de produtos longos, numa escala de 1 milhão de toneladas, subiu para US$ 700 a US$ 750 por tonelada, contra US$ 300 na China e US$ 450 na India". A razão dessa situação é, na análise do executivo, o processo de desindustrialização alimentado pela valorização do real e outras moedas, que tornou o aço da América do Sul mais caro se comparado com o da Ásia. "E aí, o aço asiático, principalmente o chinês, migrou para cá".

Vieira calcula que o parque siderúrgico brasileiro esteja trabalhando com uma ociosidade média de 40%. "Estou há 37 anos fazendo aço e jamais imaginei que fosse viver no Brasil uma situação igual a esta." Segundo ele, a elevada produtividade da China e os custos baixos conseguiram tirar o aço brasileiro do mercado internacional. E admitiu que a empresa parou de exportar por falta de preços competitivos.

"Produzimos aço e o objetivo é ganhar dinheiro. Como não temos competitividade lá fora, perdemos para a China e outros países, então saímos do mercado internacional. Não exportamos desde março."

A empresa está voltada para o mercado local. "Ainda temos volume no mercado interno. A construção civil está bem e a infraestrutura continua com projetos. Temos a expectativa das obras da Copa, da Olimpíada e da Petrobras e isto com certeza consome aço. Estamos num período que não dá para reclamar". O experimentado executivo do setor não quis desenhar cenários para o futuro. "Não tenho bola de cristal, mas torço para a China continuar crescendo".