29 de Agosto, 2016 - 14:30 ( Brasília )

Geopolítica

Seul e Washington vigiarão mais de perto programa de submarinos norte-coreano


Coreia do Sul e Estados Unidos fizeram um acordo de informação para realizar um acompanhamento mais exaustivo do programa de submarinos norte-coreano, depois que Pyongyang disparou com sucesso esta semana um míssil balístico de um de seus submersíveis.

Os dois aliados já estão estudando mecanismos para analisar e compartilhar dados sobre o entorno do submarino em águas da península coreana, explicou hoje uma fonte do Ministério da Defesa à agência "Yonhap".

As águas em território sul-coreano estariam incluídas em tal marco, que vai analisar com especial ênfase tudo o que acontece nas proximidades de Sinpo, na província norte-coreana de Hamyong do Sul, onde o regime de Kim Jong-un tem sua maior base de submarinos e desenvolve seu programa de mísseis SLBM.

"Os dados compreendem, por exemplo, as características topográficas, a temperatura de água, a profundidade e as correntes. Uma análise detalhada de todos estes dados ajudará a detectar as atividades submarinas do regime de Kim Jong-un", explicou o porta-voz de Defesa.

O interesse de Seul e Washington em torno do programa de submersíveis norte-coreano cresceu nos últimos meses, ao compasso dos diversos testes de mísseis balísticos a partir de submarinos que Pyongyang vem realizando desde dezembro do ano passado.

Coreia do Norte rejeita condenação da ONU de seu último lançamento

A Coreia do Norte rejeitou neste domingo a declaração emitida na sexta-feira pelo Conselho de Segurança da ONU condenando de maneira unânime seu lançamento de um míssil balístico a partir de um submarino realizado esta semana.

Pyongyang acusou os Estados Unidos e "seus seguidores" de ameaçar "a dignidade e a existência da República Popular Democrática de Coreia (RPDC, nome oficial do país)" em comunicado divulgado pela agência estatal de notícias "KCNA" e assinado por um representante do Ministério das Relações Exteriores norte-coreano.

"Os EUA e seus seguidores realizaram um ato hostil grave ao condenar a RPDC por medidas para fortalecer sua capacidade de dissuasão nuclear para autodefesa, tais como o lançamento de teste de um míssil balístico estratégico a partir de um submarino", diz o texto.

"Washington ameaçou a dignidade e a existência da RPDC e desafiado seus sérias advertências, por isso que o país seguirá dando os passos necessários como potência militar", acrescenta.

Os avanços em tecnologia de mísseis por parte da Coreia do Norte geram um forte alarme, já que seu pleno desenvolvimento tornaria muito mais difícil detectar seus lançamentos e ampliaria o alcance do arsenal de mísseis do Exército Popular norte-coreano, dada a natureza móvel dos submarinos.

Coreia do Norte ameaça 'reduzir a cinzas' forças dos EUA¹

 

A Coreia do Norte ameaçou neste domingo "reduzir a cinzas" as forças americanas, em resposta às críticas do Conselho de Segurança da ONU a seus programas balísticos.

O Conselho de Segurança condenou com firmeza, na última sexta-feira, a Coreia do Norte, por seus testes de lançamento de mísseis, e decidiu "tomar medidas significativas", dias depois do lançamento de um projétil SLBM por um submarino norte-coreano.

A Coreia do Norte é proibida por resoluções da ONU de usar qualquer tecnologia de mísseis balísticos, mas o país realizou vários lançamentos após seu quarto teste nuclear, em janeiro.

Um porta-voz da chancelaria norte-coreana classificou a declaração do Conselho de Segurança de "fruto de atos de banditismo dos Estados Unidos".

"A Coreia do Norte tem os meios coerentes para reduzir a cinzas os agressores no território dos Estados Unidos e no palco de operações no Pacífico", afirmou o porta-voz, em declaração transmitida pela agência oficial KCNA.

As forças navais norte-coreanas testaram com sucesso, na última quarta-feira, um míssil balístico desde um submarino, que violou o espaço aéreo japonês, aumentando a tensão na região, onde dezenas de milhares de soldados de Coreia do Sul e Estados Unidos realizam manobras militares.


¹com AFP