18 de Julho, 2011 - 10:57 ( Brasília )

Geopolítica

Escândalo dos grampos faz chefe da Scotland Yard pedir demissão

O chefe da Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard), Sir Paul Stephenson, pediu demissão neste domingo. Ele está envolvido no escândalo das escutas telefônicas do tabloide News of the World, fechado na semana passada.

Mais cedo, neste domingo, a ex-executiva-chefe da News International, grupo de mídia que publicava o News of the World, foi detida por policiais envolvidos na investigação do caso. Ela foi solta sob fiança pouco depois da 0h de segunda-feira em Londres (20h de domingo em Brasília), após ficar 12 horas sob custódia.

Stephenson, o mais graduado oficial de polícia da Grã-Bratanha, disse que não tem conhecimento da extensão da prática de escutas ilegais, e que a sua integridade estava "completamente intacta".

O chefe da Scotland Yard foi fortemente criticado por contratar o ex-executivo do News of the World Neil Wallis como consultor de comunicação. Wallis foi questionado pelos policiais que investigam os grampos ilegais.

Stephenson afirma que as suas ligações com o jornalista poderiam dificultar as investigações em curso.

A expectativa é que Tim Godwin, segundo na hierarquia da Scotland Yard, assuma a função de Stephenson imediatamente, antes que alguma indicação formal seja feita.

Stephenson também foi questionado sobre a sua estadia gratuita, junto de sua mulher, em um spa luxuoso que também empregava Wallis.

O jornalista estava trabalhando como relações públicas do spa quando o chefe da Scotland Yard estava hospedado no local, no início deste ano, quando se recuperava de uma cirurgia.

A Polícia Metropolitana de Londres reconhece que Stephenson se hospedou no spa enquanto se recuperava de uma fratura na perna, e disse que ele não sabia do fato de que Wallis era empregado do local, como consultor de relações públicas.
 

'Integridade intacta'

"Eu tomei esta decisão como consequência da especulação e das acusações em andamento em relação com as ligações da Met (Polícia Metropolitana) com a News International em um nível graduado, e em particular em relação com Neil Wallis", disse Stephenson em um comunicado.

"Deixem-me colocar isto claramente, eu e as pessoas que me conhecem sabem que a minha integridade está completamente intacta", disse o ex-chefe da polícia.

"Eu posso desejar que nós tivéssemos feito as coisas diferentemente, mas eu não perderei o meu sono devido à minha integridade pessoal", afirmou.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que o ex-chefe teve uma carreira "longa e destacada" na polícia.

"Enquanto eu sei que hoje deve ser um momento muito triste para ele, eu respeito e entendo a sua decisão de deixar a Polícia Metropolitana, e eu desejo o bem dele no futuro", disse o premiê.

Desculpas

No sábado, o dono do conglomerado News Corporation, Rupert Murdoch, pediu desculpas em anúncios publicados em jornais britânicos pelos "graves erros" cometidos pelo News of the World e disse sentir muito por não ter agido mais rapidamente para "resolver as coisas".

O News of the World teria interceptado ilegalmente milhares de telefones celulares em busca de notícias exclusivas.

Investigações indicam que até 4 mil pessoas podem ter sido grampeadas pelo tabloide, entre políticos, membros da realeza, esportistas, celebridades e familiares de militares mortos na guerra do Afeganistão.

Entre as possíveis vítimas das escutas telefônicas também está um dos primos do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto por engano pela polícia britânica em julho de 2005.