30 de Outubro, 2014 - 10:20 ( Brasília )

Geopolítica

Aviões da Otan rastreiam incursões "incomuns" de bombardeiros russos


Aeronaves da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) rastrearam bombardeiros russos estratégicos sobre o Oceano Atlântico e o Mar Negro nesta quarta-feira e decolagens de caças sobre o Mar Báltico, o que a entidade ocidental classificou como um aumento incomum de atividade em um momento de tensão nas relações entre Ocidente e Oriente.

No total, declarou a Otan em um comunicado, seus aviões interceptaram quatro grupos de aeronaves russas em cerca de 24 horas desde a terça-feira, e algumas ainda faziam manobras no fim da tarde desta quarta-feira.

“Estes voos russos consideráveis representam um nível incomum de atividade aérea sobre o espaço aéreo europeu”, afirmou a aliança.

Um porta-voz ressaltou não ter havido violação do espaço aéreo da Otan --como ocorreu na semana passada, quando um avião-espião russo cruzou rapidamente a fronteira da Estônia--, mas um número tão alto de incursões em um dia foi raro nos últimos anos, disse ele.

No maior dos exercícios, quatro bombardeiros estratégicos Tupolev Tu-95, um ícone da Guerra Fria desde os anos 1950 e equivalente aos B-52 dos Estados Unidos, sobrevoaram o Mar da Noruega nas primeiras horas da quarta-feira, acompanhados por quatro aeronaves de reabastecimento.

Caças F-16 noruegueses decolaram e rastrearam a formação, que mais tarde se desfez – seis aviões voltaram para a Rússia e dois Tu-95 voaram baixo sobre o Mar do Norte, onde foram interceptados por caças britânicos Typhoon. Jatos F-16 de Portugal mais tarde os monitoraram no Atlântico, antes de tomarem o rumo de casa.

Em um segundo incidente, dois Tu-95 acompanhados por dois caças foram rastreados por aeronaves turcas sobre o Mar Negro na tarde desta quarta-feira, e os voos de vários aviões de guerra russos foram monitorados na terça-feira e na quarta-feira sobre o Mar Báltico.

A Otan disse que já realizou mais de 100 interceptações semelhantes de aeronaves russas neste ano, cerca de três vezes mais do que em 2013, antes que os atritos com Moscou por conta das revoltas separatistas no leste ucraniano azedassem as relações com a aliança.