23 de Setembro, 2014 - 11:55 ( Brasília )

Geopolítica

Rússia diz que ataques aéreos na Síria precisam ter aval do governo sírio

Bombardeios liderados pelos EUA matam pelo menos 70 militantes na Síria, diz grupo

A Rússia criticou nesta terça-feira os ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos contra posições do Estado Islâmico na Síria, dizendo que eles têm de ser coordenados com o governo sírio e que criariam mais tensão na região.

Os EUA, que há tempos pedem pela saída do presidente sírio, Bashar al-Assad, e diversos aliados do Golfo Árabe realizaram os primeiros ataques aéreos com mísseis sobre bastiões do Estado Islâmico na Síria.

“Qualquer ação do tipo deve ser executava apenas de acordo com a lei internacional”, disse o Ministério de Relações Exteriores da Rússia em comunicado.

“Isso significa não uma notificação formal e unilateral de ataques aéreos, mas o consentimento explícito do governo da Síria ou a aprovação de uma decisão correspondente do Conselho de Segurança da ONU.”

Os EUA, que também realizaram ataques aéreos no Iraque com a anuência de Bagdá, disse que não coordenarão seus planos com o governo sírio, que acusa de uso de armas químicas contra rebeldes que lutam pela saída de Assad desde o começo de 2011.

"Tentativas de cumprir as metas geopolíticas de um lado em violação à soberania de países na região apenas vão exacerbar as tensões e desestabilizar mais a situação”, disse o ministério.

A oposição síria apoiada pelo Ocidente, que está combatendo tanto Assad quanto o Estado Islâmico, saudou os ataques aéreos, e disse que a ajudariam a derrotar Assad.

Bombardeios liderados pelos EUA matam pelo menos 70 militantes na Síria, diz grupo

Os Estados Unidos e seus aliados árabes bombardearam a Síria pela primeira vez nesta terça-feira, matando dezenas de combatentes do Estado Islâmico e membros de outro grupo ligado à Al Qaeda, e abrindo uma nova frente de batalha contra os militantes ao se juntar à guerra civil de três anos em solo sírio.

O Comando Central dos EUA informou que Barein, Jordânia, Catar, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos participaram ou apoiaram os ataques contra os alvos do Estado Islâmico nos arredores das cidades de Raqqa, Deir al-Zor, Hasakah e Albu Kamal, no leste da Síria.

Aviões de guerra e mísseis de cruzeiro Tomahawk lançados de navios atingiram “combatentes, complexos de treinamento, quartéis-generais e instalações de comando e controle, instalações de armazenagem, um centro financeiro, caminhões de suprimento e veículos armados”, declarou o organismo.

Washington ainda afirmou que forças norte-americanas agindo sozinhas lançaram oito ataques em outra área da Síria contra o "Grupo Khorasan", unidade da Al Qaeda que autoridades dos EUA descreveram nos últimos dias como uma ameaça semelhante à do Estado Islâmico.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, que monitora a guerra na Síria, disse que pelo menos 70 combatentes do Estado Islâmico foram mortos em incursões que atingiram no mínimo 50 alvos em Raqqa, Deir al-Zor e em províncias de Hasakah, no leste sírio.

A entidade afirmou que pelo menos 50 combatentes e oito civis foram mortos em ataques que miraram a afiliada síria da Al Qaeda, a Frente Al-Nusra, nas províncias de Aleppo e Idlib, no norte, aparentemente se referindo aos ataques que os norte-americanos disseram ter por alvo o Khorasan.

O Observatório declarou que a maioria dos militantes da Frente Al-Nusra mortos não era formada por sírios. Os ataques aéreos cumprem a promessa do presidente dos EUA, Barack Obama, de atuar na Síria contra o Estado Islâmico, grupo sunita que ocupou vastas áreas da Síria e do Iraque impondo uma interpretação medieval do islamismo, decapitando prisioneiros e ordenando a xiitas e não-muçulmanos que se convertam ou morram.

O governo sírio declarou que Washington o informou das incursões horas antes em uma carta do secretário de Estado, John Kerry, através de seu colega iraquiano, e uma declaração do Ministério das Relações Exteriores sírio se absteve de criticar a ação liderada pelos EUA, dizendo que Damasco irá continuar a atacar o Estado Islâmico e que está pronto para cooperar com qualquer iniciativa internacional de combate ao terrorismo.