22 de Junho, 2011 - 09:00 ( Brasília )

Geopolítica

Crise entre Argentina e Inglaterra por Malvinas é discutida com Patriota

Vice-premiê britânico, em visita ao País, disse ao chanceler brasileiro que quer "baixar a temperatura"

LISANDRA PARAGUASSU - Agência Estado

BRASÍLIA - A retomada da crise entre Argentina e Inglaterra por conta da soberania das ilhas Malvinas foi um dos temas da conversa entre o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e o vice-primeiro-ministro do Reino Unido, Nick Clegg nesta terça-feira, 21, em Brasília.

No dia em que a Argentina levou, mais uma vez, às Nações Unidas a sua reclamação sobre as ilhas, Clegg disse a Patriota que o Reino Unido quer "baixar a temperatura" dos discursos.

O assunto foi tocado brevemente no encontro entre os dois ministros. Com uma agenda extensa e muito atrasada, Clegg disse a Patriota que o tema seria mais bem conversado com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que fará visita a Londres em julho.

Escala barrada
O governo britânico ainda demonstra insatisfação com o fato de o Brasil ter barrado a escala no Rio de Janeiro de um navio de guerra com destino às ilhas, em janeiro.

"Eu enfatizei que nós queremos, o governo britânico, manter a temperatura da retórica o mais baixa possível. Isso não significa, de forma alguma, que não continuamos com nossa determinação de proteger a soberania das Malvinas", disse o vice-primeiro-ministro, ao sair de um rápido encontro com o vice-presidente Michel Temer.

Clegg disse que ambos os ministros reafirmaram o respeito por suas respectivas posições. "Vamos continuar a nos falar no espírito da cooperação mútua", afirmou.

O governo argentino apresentou hoje uma renovação na ONU da sua reclamação pela soberania pelas ilhas Malvinas. Recentemente, a temperatura esquentou entre Argentina e Inglaterra depois que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse, no Parlamento, que a situação das Malvinas só será negociada quando a população local assim o desejar.

A presidente argentina, Cristina Kirchner, disse que as declarações de Cameron eram "expressões de mediocridade, quase estupidez".