26 de Fevereiro, 2014 - 16:55 ( Brasília )

Geopolítica

Rússia e China reforçam parceria estratégica


Natalia Kasho

A Rússia e a China estão dinamizando a realização de manobras marítimas conjuntas. Como foi anunciado após consultas militares em Pequim, os dois países irão efetuar, no fim de maio – início de junho, exercícios “Interação Marítima 2014”.

As manobras irão decorrer no espaço marítimo e aéreo no norte do mar da China Oriental. Serão as segundas manobras marítimas militares da China e da Rússia no ano em curso.

Pela primeira vez, a Rússia e a China marcaram duas manobras para um ano. Em janeiro, os dois países testaram a interação naval no Mediterrâneo, região escolhida pela primeira vez para as manobras.

A “Interação Marítima” é um sinal de que os dois países estão reforçando a capacidade combativa, testando as tarefas de reação a uma situação de emergência, disse à Voz da Rússia o perito militar Igor Korotchenko:

“As manobras no mar da China Oriental serão dedicadas ao treinamento prático dos hábitos e ações necessárias do pessoal das duas marinhas. Serão efetuados, em particular, tiros de artilharia contra alvos marítimos e aéreos e testada a defesa conjunta de comunicações marítimas. Isso é importante em condições em que existem contradições e problemas geopolíticos e regionais não resolvidos. Ao mesmo tempo, o fator militar na atividade de países estrangeiros é utilizado às vezes para a pressão política e de outra índole”.

Os exercícios “Interação Marítima 2014” irão refletir a disposição da Rússia e da China a desenvolver uma cooperação de pleno valor na esfera militar, considera o diretor do Centro de Pesquisas Sociais e Políticas, Vladimir Evseev:

“Estas serão manobras de plena envergadura. Confirmarão que a Rússia e China estão desenvolvendo uma parceria estratégica e que nomeadamente a China é uma prioridade para a Rússia nas condições do pioramento das relações com o Ocidente. A Rússia pode ir bastante longe para melhorar as relações com a China na esfera militar. A meu ver, estes exercícios provocarão um grande barulho no Ocidente, mas, no fundo, serão um sinal da Rússia dado em primeiro lugar aos Estados Unidos”.

O perito militar Viktor Litovkin também prevê uma reação acesa tanto do Ocidente como do Japão às manobras das marinhas russa e chinesa no Mar da China Oriental:

“O Ocidente se mostrará preocupado por não gostar do reforço das forças navais da Rússia e da China. Alguns países se reservam o direito de serem fortes e não querem que alguém seja mais forte. Ao mesmo tempo, a troca de experiências entre marinheiros russos e chineses é sempre mutuamente vantajosa”.

Viktor Litovkin prognostica que a mídia do Japão e de países ocidentais vá aludir, como antes, que no quadro dessas manobras a Rússia e China tentarão testar um cenário de proteção de algumas ilhas. O perito tem a certeza de que nem a Rússia nem a China têm tais planos.

Entretanto, o vice-presidente da Academia de Problemas Geopolíticos, Konstantin Sokolov, opina que as manobras russo-chinesas sejam uma resposta aos exercícios americano-coreanos Key Resolve e Foal Eagle que decorrem entre 24 de fevereiro e 18 de março:

“Neste ano, as manobras “Interação Marítima” são bastante ligadas aos exercícios análogos realizados naquela região pelas Forças Navais dos EUA e da Coreia do Sul. Os dois países desenvolveram as manobras em que está testado um golpe contra Pyongyang. Este é um plano decisivo não realizado antes. Logo depois destas manobras começarão os exercícios marítimos russo-chineses. Penso por isso que no quadro destes exercícios deva ser aplicado um cenário mais decisivo que no passado”.

Muitos peritos destacam o fato de o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o chefe da República Popular da China, Xi Jinping, terem dispensado especial atenção aos primeiros exercícios de interação das marinhas dos dois países no ano em curso. Após as conversações em Sochi, os dois dirigentes tiveram uma conferência vídeo com os comandantes do cruzador de mísseis atômico Petr Velikiy e do navio de escolta chinês Yancheng.

Os dois navios estiveram em serviço de alerta no Mediterrâneo. Anteriormente, o Petr Velikiy e o Yancheng escoltaram a retirada de armas químicas da Síria e efetuaram pela primeira vez as manobras conjuntas naquela região. Os líderes da Rússia e da China deram alto apreço às suas ações acertadas e à preparação combativa do pessoal dos dois navios durante a realização da manobras.