28 de Setembro, 2013 - 16:52 ( Brasília )

Geopolítica

BR-RU - Rússia barra a entrada de carne suína


Nota DefesaNet,

A forma usual da Rússia para pressionar ou mostrar a sua insatisfação com o andar, ou melhor o não desenvolvimento das negociações de assuntos militares é o embargo à exportação de carnes: bovina e suína.

O Editor


Publicado Jornal de Santa Catarina


FLORIANÓPOLIS - O frigorífico Pamplona, de Rio do Sul, é o único catarinense que exporta carne suína para o mercado russo e que sofrerá com o embargo temporário que o país deve impor a partir de quarta-feira. A Rússia enviou um ofício ao Ministério da Agricultura com uma lista restringindo 10 frigoríficos brasileiros devido a um suposto descumprimento das exigências e normas sanitárias.

De acordo com a nota publicada pelo Ministério, o rol das empresas embargadas é um relatório preliminar da missão de inspeção russa que esteve no Brasil entre 30 de junho e 14 de julho deste ano. A nota esclarece que o documento ainda precisa ser analisado pelos técnicos do Ministério.

No entanto, o diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne Bovina (Abiec), Fernando Sampaio, adiantou quais seriam as possíveis causas do embargo:

– As autoridades russas descrevem (no relatório) o que ocorre em cada unidade. O que deu para perceber, num aspecto geral, é que eles citam bastante a questão do uso da ractopamina, mas há outras inconformidades – relatou.

Pamplona não usa a ractopamina

A ractopamina é uma substância adicionada à ração que aumenta a massa muscular e faz com que os animais cresçam mais rápido e com menos gordura. Médicos acreditam que ela possa provocar doenças. Por isso, o aditivo está proibido em 80 países, incluindo a Rússia.

O presidente da Cidasc, Enori Barbieri, disse que a indústria catarinense, que exporta para a Rússia desde os anos 1990, sempre respeitou a restrição à ractopamina. Ricardo Gouvêa, diretor do Sindicarne, acrescentou que a Pamplona deixou de usar a substância até mesmo na carne destinada ao mercado interno. Para Barbieri, o embargo pode ser facilmente revertido.

No ano passado, segundo a Secretaria de Comércio Exterior brasileira, Santa Catarina exportou quase 54 mil toneladas de carne suína para a Rússia, um montante de US$ 148,6 milhões. O mercado russo é o terceiro mais importante para o Estado, atrás de Ucrânia e China, conforme informações da Companhia de Desenvolvimento Agrícola do Estado (Cidasc).