COBERTURA ESPECIAL - F-X2 - Geopolítica

19 de Dezembro, 2013 - 09:41 ( Brasília )

Brasil 'esnobou' Boeing em momento de tensão, diz 'NYT'


O anúncio da compra de 36 caças suecos Gripen pelo governo brasileiro foi destaque na imprensa internacional nesta quinta-feira.

Tanto o americano New York Times quanto o diário financeiro britânico Financial Times disseram que o Brasil "esnobou" a americana Boeing, que também participava da licitação junto à francesa Dassault, em um momento de tensões entre os dois países após as denúncias de que a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos teria espionado empresas brasileiras e até a presidente Dilma Rousseff.

"Quando indagado na coletiva de imprensa se a espionagem tinha influenciado na decisão do governo de conceder o contrato à (sueca) Saab, o ministro da Defesa, Celso Amorim, não respondeu diretamente, preferindo apontar razões como custos e transferência de tecnologia", afirma o NYT.

Um analista americano do setor de aviação ouvido pelo jornal afirma, entretanto, que o fator custo deve ter pesado mais na decisão do governo brasileiro.

"Estamos falando aqui de um serviço militar que não precisa de caças tão possantes, que sofreu um corte no orçamento e que não consegue mais voar suas próprias aeronaves", afirmou Richard L. Aboulafia ao NYT.

Ele acrescenta que uma versão básica do caça da Saab custa por volta dos US$ 45 milhões, comparados aos US$ 55 milhões que teriam de ser desembolsados para comprar o F/A-18 Super Hornet, da Boeing.

Na mesma linha, o Financial Times diz que o contrato do Brasil com a empresa sueca pode ser "a pior perda" até agora para os Estados Unidos desde o início da "disputa amarga" com Brasília após o vazamento de documentos expostos pelo ex-agente da NSA Edward Snowden sobre espionagem americana no Brasil.

"A polêmica envolvendo a NSA acabou com as chances da Boeing", avaliou David Fleischer, analista político da Universidade de Brasília.

Ainda para o FT, as perspectivas do F/A 18 Super Hornet estiveram sempre ligadas "à questão de se o Brasil queria estreitar laços com Washington ou afirmar sua independência".



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