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19 de Agosto, 2014 - 10:25 ( Brasília )

França homenageia exércitos africanos por desembarque na Provence


O presidente François Hollande manifestou “gratidão da França aos combatentes africanos, franceses e ‘indígenas’” que participaram do desembarque na Provence, operação militar da Segunda Guerra Mundial que completou 70 anos nesta sexta-feira (15). A cerimônia foi marcada por uma parada naval de 20 embarcações de guerra, 13 francesas e 7 estrangeiras.

No dia 15 de agosto de 1944, combatentes franceses e das antigas colônias africanas ocuparam o sudeste da França para lutar contra a ocupação nazista, no que a imprensa francesa costuma chamar de “o outro desembarque” – para diferenciar da operação militar da Normandia, ocorrida 70 dias antes.

Em uma cerimônia no porta-aviões Charles-de-Gaulle, ancorado próximo a Toulon, Hollande relembrou que o exército que desembarcou na região era composto não só por franceses, mas também por argelinos, marroquinos e tunisianos que criaram, a partir daí, “laços de sangue com a França”.

“É ao sul que a Europa deve a sua saudação e isso não devemos jamais esquecer. Agora é a nossa vez, da França e da Europa, de dar ao sul o que ele foi capaz de nos dar no verão de 1944. Devemos levar apoio, segurança, solidariedade e desenvolvimento”, discursou Hollande, diante de 800 pessoas, entre as quais representantes de 28 países, com 15 chefes de Estado africanos, além de 200 veteranos de guerra.

O presidente francês aproveitou a ocasião para fazer referência a diferentes temas: a luta contra os jihadistas no Iraque e na Síria, a epidemia de Ebola e a questão migratória da África para a Europa, afirmando não querer ver “o Mediterrâneo se transformar em um cemitério”.

Parada naval de 20 embarcações

Além dos franceses, a cerimônia contou com embarcações britânicas, norte-americanas, tunisianas, argelinas e marroquinas e celebrou a operação chamada de “Dragoon”, que levou 450 mil homens, entre eles 250 mil franceses, a desembarcar no sul do país. Muitos dos soldados vinham do Magreb e da chamada África Negra, o que rendeu ao exército a fama de ser “multicultural”. Hollande lembrou que, na época, os franceses ainda chamavam os magrebinos de indígenas: “Por seus sacrifícios, estes homens ligaram o nosso país e a África em um laço de sangue que nada poderá desfazer”.

O presidente francês encerrou se dirigindo aos jovens na França: “quero dizer a todos os jovens franceses fruto da imigração que eles são os herdeiros desta página da história e que eles podem ficar legitimamente orgulhosos disso”.

Complementar à operação Overlord da Normandia, o desembarque na Provence se revelou decisivo: ele levou ao recolhimento das tropas Wehrmacht no sudoeste da França no dia 18 de agosto e logrou a liberação de Toulon, no dia 27, e Marselha, no dia 28 seguinte.