18 de Setembro, 2012 - 09:35 ( Brasília )

Defesa

Base brasileira na Antártica começa a receber módulos emergenciais ainda este ano


Com o início do verão no continente antártico, a base brasileira começa a receber os módulos emergenciais que permitirão dar continuidade aos trabalhos dos pesquisadores naquela região. Três navios da Marinha do Brasil e uma embarcação contratada para apoio logístico deslocam-se já no mês que vem para o continente gelado a fim de iniciar a remoção dos destroços remanescentes do incêndio que destruiu a Base Comandante Ferraz, em fevereiro deste ano.

O anúncio foi feito pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, em discurso por ocasião da abertura da XXIII Reunião de Administradores de Programas Antárticos Latino-Americanos (Rapal), num hotel na zona sul do Rio. “Já no mês que vem, com o término do inverno no continente, nossos navios partem para iniciar os trabalhos de desmontagem das partes da base afetadas pelo fogo, com pleno respeito às regras de proteção ambiental”, disse Amorim.

Os módulos emergenciais a serem transportados para a Antártica ficarão instalados no heliponto da base brasileira, situada na Ilha Rei Jorge. Tal medida será possível porque existem outros locais para pousos e decolagens de aeronaves. Esses módulos abrigarão parte dos pesquisadores brasileiros. Outra parte ficará na Base Câmara, unidade pertencente à Argentina. O país vizinho, que já colaborara com auxílio emergencial durante o incêndio em fevereiro, cedeu o espaço para abrigo de pesquisadores brasileiros e de parcela do chamado grupo-base, constituído pelos militares da Marinha responsáveis pela manutenção e logística do Programa Antártico.

De acordo com Celso Amorim, todas as providências estão sendo tomadas para permitir que as obras da nova base antártica brasileira iniciem em novembro de 2013. A expectativa é de que o projeto arquitetônico seja aprovado por meio de concurso a ser organizado em 2013, provavelmente pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). Em seguida, acontecerá uma concorrência internacional para a escolha da empresa que vai executar o trabalho (projeto executivo) de reconstrução da base antártica.

“Quero transmitir aos civis e militares participantes de nosso Programa Antártico o compromisso firme do governo da presidenta Dilma Rousseff com a reconstrução da Base Comandante Ferraz”, afirmou o ministro. “Registro que, nesse triste episódio, o Brasil contou com a solidariedade de seus parceiros sul-americanos, não só no momento da emergência, mas também ao longo dos últimos meses”, ressaltou.

Amorim mencionou no discurso, a título de ilustração, a presença de quatro brasileiros na base chilena Presidente Frei, além da disponibilização de cerca de seis vagas na Base Câmara, da Argentina. Lá, ocorreriam pesquisas conjuntas e os profissionais contariam também com o apoio logístico do navio San Blás, da Armada Argentina.

O comandante da Marinha, almirante Julio de Moura Neto, explicou que, dentro dos próximos meses, a base poderia contar com a participação de 60 pesquisadores. Para os trabalhos de remoção serão gastos parte dos R$ 40 milhões liberados pelo governo federal. O almirante Moura Neto explicou que os gastos totais somente serão conhecidos após o término da licitação da empresa que reconstruirá a base na antártica.

Rapal no Rio e Unasul

O Rio de Janeiro abriga, esta semana, a XXIII Rapal. Para discutir questões referentes às pesquisas no continente antártico, participam representantes do Brasil, Argentina, Chile, Equador, Peru e Uruguai. Além disso, observadores da Colômbia e da Venezuela integram o grupo que debaterá temas como meio ambiente e operações logísticas.

Nas palavras de abertura do encontro, o ministro Celso Amorim lembrou que o trabalho conjunto desenvolvido pela Rapal supera “os desafios técnicos, científicos e logísticos” dos programas antárticos dos países sul-americanos. Ele também afirmou que o fórum “ajuda a concretizar o sólido compromisso político e estratégico” dos países participantes com a cooperação no continente gelado, com vistas ao progresso da humanidade.

“Estou convencido de que a cooperação entre os países latino-americanos – e, sobretudo, entre os países sul-americanos – será cada vez mais importante para fortalecer nossa presença e nossos interesses comuns no âmbito do Tratado da Antártida”, disse. “Observo com especial satisfação que a coordenação de nossas posições nessa área é contemplada entre os objetivos do Conselho de Defesa Sul-Americano da Unasul”, completou, sugerindo que a Rapal passe a integrar a Unasul.

Também durante a abertura do evento, o comandante da Marinha destacou em discurso a importância do encontro. Ele explicou que, desde 1982, o Brasil vem participando do Programa Antártico. “A Antártica é um continente com características ímpares. E foi justamente o continente que serviu de motivação para a composição desse fórum”, frisou.