COBERTURA ESPECIAL - Cyberwar - Geopolítica

10 de Julho, 2017 - 11:55 ( Brasília )

Trump recua em parceria de cibersegurança com a Rússia depois de fortes críticas

Caos cibernético provocado pela Rússia deveria ter retaliação, diz ex-espião britânico

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou atrás de sua iniciativa de criar uma unidade de segurança cibernética com a Rússia, ao tuitar no domingo não acreditar que ela poderia ser criada, horas depois de sua proposta ser duramente criticada por republicanos que disseram que Moscou não é confiável.

No início do domingo Trump escreveu no Twitter que ele e o presidente russo, Vladimir Putin, debateram na sexta-feira formar "uma unidade de segurança cibernética impenetrável" para tratar de questões como o risco de interferência cibernética em eleições.        

A ideia parece fadada ao fracasso político e foi repudiada imediatamente por vários dos correligionários de Trump, que questionaram por que os EUA iriam trabalhar com a Rússia depois da suposta ingerência de Moscou na eleição norte-americana de 2016.

"Não é a ideia mais idiota que já ouvi, mas chega perto", disse o senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, no programa "Meet the Press" da rede NBC.

Ash Carter, que foi secretário da Defesa até o final do governo do ex-presidente democrata Barack Obama em janeiro, disse à CNN: "Isso é como o cara que roubou sua casa propondo um grupo de trabalho sobre arrombamento".

Recentemente assessores de Trump, incluindo o secretário de Estado, Rex Tillerson, e o secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, tentaram explicar a iniciativa cibernética de Trump.

No sábado Mnuchin disse que Trump e Putin concordaram em criar "uma unidade de cibersegurança para fazer com que não exista absolutamente nenhuma interferência, para trabalharem na cibersegurança juntos".

Mas Trump voltou ao Twitter no domingo para minimizar a ideia, que veio à tona em suas conversas com Putin durante a cúpula do G20 em Hamburgo, na Alemanha.

"O fato de que o presidente Putin e eu discutimos uma unidade de cibersegurança não significa que eu ache que pode acontecer. Não pode", tuitou o líder norte-americano.

Depois ele observou que um acordo com a Rússia para um cessar-fogo na Síria "pode e de fato" aconteceu.

O senador republicano John McCain, do Arizona, reconheceu o desejo de Trump de fazer progressos com a Rússia, mas acrescentou: "Tem que ter um preço a pagar".

Trump defendeu uma reaproximação de Moscou em sua campanha, mas não tem conseguido concretizá-la porque seu governo está sendo assolado por investigações sobre uma possível interferência de Moscou na eleição norte-americana e por laços com sua campanha.

Caos cibernético provocado pela Rússia deveria ter retaliação, diz ex-espião britânico

A Rússia está provocando um caos cibernético e deveria enfrentar retaliação se continuar a minar instituições democráticas no Ocidente, disse o ex-diretor da agência de espionagem britânica nesta segunda-feira.

A Rússia nega as alegações, feitas por governos e serviços de inteligência, de que está por trás de um número crescente de ataques cibernéticos a alvos comerciais e políticos em todo o mundo, incluindo as invasões de campanhas presidenciais recentes na França e nos Estados Unidos.

Indagado se as autoridades russas são uma ameaça ao processo democrático, Robert Hannigan, que deixou o comando do serviço de inteligência britânico em março, respondeu: "Sim... existe um caos desproporcional no ciberespaço vindo da atividade estatal da Rússia".

Em sua primeira entrevista desde que deixou o Quartel-General de Comunicações do Governo (GCHQ), Hannigan disse à rádio BBC que foi positivo o presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, terem "ressaltado isso recentemente" em público.

Ao discursar ao lado de seu colega russo, Vladimir Putin, em maio, Macron disse que órgãos de notícias financiados pelo Estado russo tentaram desestabilizar sua campanha, e na semana passada o diretor da agência de inteligência doméstica da Alemanha disse esperar que Rússia tente influenciar a eleição de seu país em setembro.

"No fim das contas as pessoas terão que reagir à atividade estatal russa e mostrar que é inaceitável", disse.

"Não tem que ser ciberretaliação, mas pode ser que seja necessária em algum momento no futuro. Podem ser sanções e outras medidas, só para demarcar algumas linhas vermelhas e dizer que este comportamento é inaceitável".


VEJA MAIS