COBERTURA ESPECIAL - Cyberwar - Geopolítica

25 de Outubro, 2013 - 09:36 ( Brasília )

NSA monitorou 35 líderes mundiais com telefones passados por funcionários americanos


Bruxelas e Washington- Em uma nova prova da espionagem indiscriminada feita pelos Estados Unidos, o jornal britânico "Guardian" divulgou ontem documento secreto vazado pelo ex-técnico da Agência de Segurança Nacional americana (NSA) Edward Snowden segundo o qual o país monitorou telefonemas de pelo menos 35 líderes mundiais com base em contatos oferecidos por um funcionário do governo. A descoberta veio horas depois de a chanceler federal alemã, Angela Merkel — cujo celular, segundo material obtido por Snowden, foi monitorado pelos EUA — condenar duramente a espionagem de Washington, no que foi seguida por outros governantes europeus. 
 
De acordo com o memorando vazado, pelo menos 200 números foram repassados à NSA por essa fonte. Datado de outubro de 2006— ou seja, ainda sob o governo de George W. Bush —, o documento também indica que o compartilhamento de contatos de líderes era de praxe e incentivado pela agência: funcionários da Casa Branca e dos departamentos de Estado e Defesa recebiam pedidos para que suas agendas telefônicas fossem passadas para espiões. Por outro lado, o texto diz que os números obtidos haviam gerado pouco conteúdo relevante para a Inteligência americana. Nenhum dos 35 governantes teve o nome revelado. 
 
Procurado pelo "Guardian" o governo americano não quis comentar o conteúdo do material. Ontem, a Casa Branca dedicou-se a tentar apagar o incêndio gerado pela revelação de que os EUA espionaram o celular de Angela Merkel. 
 
— O presidente (Barack Obama) garantiu novamente que os EUA não espionam e não espionarão as comunicações da chanceler — disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. — (A espionagem) É uma clara fonte de tensões em alguns de nossos relacionamentos. 
 
 
Itália e Espanha na lista dos EUA 
 
Muitos alemães viram na espionagem dos EUA uma traição. Meses antes, em Berlim, Obama citara a Alemanha como uma das maiores aliadas do país. Ontem, em Bruxelas para a cúpula da União Europeia (UE), Merkel comentou o assunto, um dia depois de ter telefonado para o presidente manifestando seu repúdio à espionagem. 
 
— Espionagem entre países amigos é algo que não dá para acontecer — desabafou Merkel. —- Precisamos confiar em nossos aliados, e essa confiança terá que ser restabelecida. 
 
Ontem foi a vez de a Itália saber que era alvo não só da NSA — juntando-se a um clube que também já incluía, na Europa, a França —, mas também da espionagem do Reino Unido. A revelação foi feita pelo jornal "UEspresso" com base em documentos vazados por Snowden. 
 
— Queremos toda a verdade. É inconcebível e inaceitável que haja atos de espionagem deste tipo. O aumento na proteção deverá tomar nossa atenção em nível europeu — declarou o premier italiano, Enrico Letta. 
 
Em paralelo, fontes com acesso a documentos vazados por Snowden afirmaram ao "El País" que a Espanha também foi espionada pelos EUA. Sob condição de anonimato, funcionários do governo do conservador Mariano Rajoy disseram que a espionagem ocorreu sob a gestão do socialista Rodríguez Zapatero. 
 
 
A Alemanha já tomou uma medida imediata para demonstrar sua insatisfação: convocou o embaixador americano no país, John B. Emerson, para dar explicações. Mas já há quem queira ir mais além de um gesto de repúdio. O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, defendeu a suspensão das negociações de um acordo de livre comércio entre EUA e UE. 
 
 
Estou convencido de que uma resposta europeia é necessária - disse o líder dos socialdemocratas alemães, Sigmar Gabriel.
 
O premier do maior aliado dos EUA na Europa — David Cameron, do Reino Unido — não falou com a imprensa em Bruxelas. Havia a expectativa de que Merkel e o presidente francês, François Hollande, se reunissem, mas o encontro não fora confirmado até o fim da noite passada. 
 
Agora, os EUA se preparam para um terremoto diplomático ainda maior. Segundo fontes do "Washington Post" o governo americano está alertando aliados — alguns deles desconhecidos da opinião pública — sobre o fato de que Snowden pode vazar documentos que expõem tais parcerias sigilosas. 


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