COBERTURA ESPECIAL - Crise - Geopolítica

24 de Outubro, 2016 - 11:15 ( Brasília )

Rússia acusa coalizão internacional de "crimes de guerra" no Iraque


O exército russo acusou neste sábado a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos de "crimes de guerra" em seus bombardeios no Iraque após a morte de civis perto da cidade de Kirkuk, norte do país.

Em um comunicado, o porta-voz do exército, Igor Konashenkov, denuncia um bombardeio da coalizão contra a cidade de Dakuk, perto de Kirkuk, na sexta-feira, que, segundo ele, matou "dezenas de civis, incluindo mulheres e crianças

"Observamos em várias ocasiões que estes bombardeios mortais (...), que apresentam todas as características dos crimes de guerra, se convertem praticamente em uma rotina diária para a aviação da coalizão internacional", afirma no comunicado.

Na opinião do porta-voz "com muita frequência, os casamentos, procissões funerárias, hospitais, delegacias e comboios humanitários sofrem os ataques da coalizão".

A União Europeia e em particular o presidente francês, François Hollande, acusaram nos últimos dias a Rússia de "crimes de guerra" em seus ataques contra a cidade de Aleppo.

Coalizão liderada pelos EUA nega acusação russa de bombardeio mortal no Iraque

A coalizão internacional de combate aos extremistas liderada pelos Estados Unidos negou neste domingo as acusações de Moscou, que a responsabiliza pelos intensos bombardeios aéreos nos quais civis morreram perto de Kirkuk, Iraque.

"Determinamos com certeza que não realizamos ataques que provocaram vítimas civis em Dakuk", declarou nas redes sociais um porta-voz, o coronel John Dorrian.

A Rússia acusou a coalizão de ter cometido "crimes de guerra" depois de um ataque aéreo que, na sexta-feira, matou 15 mulheres em um local de culto xiita nesta localidade, a 50 km de Kirkuk.

Se os aviões da coalizão não estiverem envolvidos, esses ataques podem ter sido realizados pela aviação iraquiana, que não fez nenhum comentário a respeito.

No entanto, os serviços do primeiro-ministro iraquiano, Haider al Abadi, anunciaram que este havia ordenado a abertura de uma investigação sobre as circunstâncias desta situação.

"Os resultados serão anunciados quando a investigação terminar", afirmaram os serviços.

Aviões turcos também lançaram ataques no Iraque, mas contra posições curdas localizadas em Dakuk.

No sábado, em um comunicado, o porta-voz do exército russo, Igor Konashenkov, denunciou um bombardeio da coalizão contra a cidade de Dakuk que deixou, segundo ele, "dezenas de civis mortos, incluindo mulheres e crianças".

"Observamos em inúmeras ocasiões que esses bombardeios mortais [...] apresentam todas as características dos crimes de guerra, e se tornam praticamente uma rotina para a aviação da coalizão internacional" destacou o texto.

Para o porta-voz, "muitas vezes os casamentos, funerais, hospitais, delegacias e comboios humanitários sofrem os ataques da coalizão".

A União Europeia (UE) e em particular o presidente francês, François Hollande, acusaram a Rússia nos últimos dias de cometer "crimes de guerra" em seus ataques contra a cidade de Aleppo, no norte da Síria.

Tropas iraquianas lutam contra extremistas em Mossul e Kirkuk

As forças iraquianas enfrentavam neste domingo (23) os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI), em meio a emboscadas, franco-atiradores e carros-bomba que tentam impedir o cerco a Mossul e a outras regiões do país.

As forças curdas anunciaram uma nova ofensiva em Bashiqa, ao nordeste de Mossul, onde quase 10.000 combatentes participam da ofensiva da cidade, que permanece sob controle do EI.

Segundo Ancara, esse avanço contou com a colaboração da artilharia turca.

Os "peshmerga" curdos, etnia que mantém um duro confronto na região com Ancara, "pediram ajuda aos nossos soldados da base de Bashiqa. Estamos lhes fornecendo apoio com artilharia, tanques e obuses", garantiu na televisão turca o primeiro-ministro desse país, Binali Yildirim.

A operação coincidiu com a visita do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Ashton Carter, à região autônoma do Curdistão iraquiano para apoiar essa ofensiva, que conta com suporte aéreo e terrestre da coalizão liderada por Washington.

Carter relatou que o próximo objetivo é isolar a grande capital do "califado" do EI em Raqa, a cidade do norte da Síria.

Para isso - afirmou -, "estamos trabalhando com nossos sócios lá (na Síria)", para que ambas as operações, a reconquista de Mossul e a de Raqa, sejam "simultâneas".

Iniciada na segunda-feira (17), a ofensiva pretende recuperar a última grande cidade e reduto simbólico iraquiano sob controle do EI, um novo golpe para o autodeclarado "califado" dos extremistas na Síria e no Iraque.

O EI respondeu na sexta-feira (21) com um ataque surpreendente à cidade de Kirkuk, controlada pelos curdos. Dois dias depois, as forças iraquianas ainda enfrentam os combatentes envolvidos no ataque.

Dezenas de criminosos, incluindo vários homens-bomba, não conseguiram controlar os prédios mais importantes do governo, mas espalharam o caos em Kirkuk, uma cidade multiétnica e rica em petróleo.

Ao menos 51 extremistas foram mortos, incluindo três neste domingo (23), de acordo com fontes oficiais.

Os confrontos esporádicos prosseguiam neste domingo, ao mesmo tempo em que as forças iraquianas cercavam os extremistas no distrito de Nidaa, em Kirkuk.

Quarenta e seis pessoas, a maioria integrantes das forças de segurança, morreram no ataque de sexta-feira.

Em outra frente de batalha, unidades de elite tentavam retomar o controle de Qaraqosh, ao leste de Mossul, que era a principal cidade cristã do Iraque.

O trânsito de feridos é incessante perto de Mossul. O diretor de um hospital na localidade de Erbil, nas mãos dos curdos, explicou à AFP que recebeu mais de 100 feridos "pershmerga".

Ao mesmo tempo, o EI também atacou Rutba, um vilarejo remoto próximo da fronteira com a Jordânia, na província de Anbar (oeste) com cinco carros-bomba.

Os extremistas assumiram o controle do gabinete do prefeito por alguns minutos, mas as forças oficiais conseguiram recuperar o local.

Resistência feroz do EI

O ataque espetacular a Kirkuk, um tipo de ação que, segundo analistas, pode ser repetida à medida que o EI perde terreno, desviou temporariamente a atenção de Mossul.

Mas nada parece indicar que o ataque tenha provocado algum impacto na ofensiva para recuperar a cidade - a maior operação do Exército iraquiano em anos.

Em sua viagem ao Iraque, Carter se reuniu com o primeiro-ministro Haider Al-Abadi e com o líder curdo Masud Barzani.

O general americano Stephen Townsend, comandante da coalizão, afirmou no sábado (22) que os extremistas oferecem uma resistência feroz.

"É bastante significativo. Estamos assistindo a fogo inimigo indireto, com múltiplos artefatos explosivos improvisados, múltiplos objetos explosivos improvisados colocados em veículos a cada dia, inclusive alguns mísseis teleguiados antitanque", disse ele em Bagdá.

O Exército americano acredita que o EI tenha entre 3.000 e 5.000 combatentes dentro de Mossul e entre 1.000 e 2.000 nos arredores.

Um funcionário do governo francês disse à AFP que a incursão em Mossul, que ainda pode durar um mês, poderia marcar o início de uma fase de duras batalhas nas ruas com o EI.

No total, 1,2 milhão de pessoas vivem na cidade, controlada pelo EI há dois anos. Milhares de civis fugiram para acampamentos ao sul de Mossul desde então.

"Mais de 5.000 pessoas são consideradas deslocadas e precisam de ajuda humanitária", alertou a ONU neste domingo.

A operação pode resultar em até um milhão de deslocados, o que provocaria uma situação de emergência humanitária sem precedentes, em um país no qual mais de três milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas nos últimos dois anos.

 

 

Extremistas resistem a forças iraquianas no segundo dia de combates em Kirkuk

A cidade iraquiana de Kirkuk vivia neste sábado (22) o segundo dia de combates entre as forças de segurança de Bagdá e os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI), que lançaram um inesperado e violento ataque na sexta-feira (21).

A ação impressionou e demonstrou a capacidade do EI de atacar fora de zonas sob seu controle, enquanto as forças iraquianas, com o apoio da coalizão internacional, prosseguem com o sexto dia da ofensiva contra Mossul. Essa cidade é o último grande reduto do grupo extremista no Iraque.

Um dia depois da inesperada ofensiva a Kirkuk, a cidade controlada pelos curdos seguia sob ameaça de possíveis atentados suicidas e de franco-atiradores do EI, o que obrigou o governo de Bagdá a enviar reforços.

Ao menos dois civis morreram, vítimas de fumaças tóxicas liberadas depois de um ataque do EI, esta semana, contra uma fábrica de enxofre perto de Mossul, informou um general iraquiano neste sábado (22).

O hospital local afirmou que atendeu 500 pessoas com problemas respiratórios. Alguns funcionários da base dos Estados Unidos perto da fábrica usavam máscaras.

Segundo alguns trabalhadores iraquianos, neste sábado à noite já haviam conseguido conter o incêndio no local.

'Medo e destruição'

Na sexta-feira (21), combatentes do EI atacaram vários edifícios do governo em Kirkuk e uma central elétrica em construção, localizada a noroeste da cidade.

Os confrontos com o Daesh deixaram 46 mortos e 133 feridos, em sua maioria membros dos serviços de segurança, segundo fontes militares iraquianas.

Hoje, o chefe da Polícia de Kirkuk indicou sábado que, durante o cerco à cidade, ao menos 48 extremistas foram mortos. Ele disse ainda que vários homens-bomba detonaram as cargas que carregavam junto ao corpo, ao serem encurralados pelas forças de segurança.

No total, 100 extremistas participaram dos ataques, vários deles com coletes, ou cinturões de explosivos.

As autoridades de Kirkuk, cidade multiétnica com a presença de várias comunidades religiosas, decretaram toque de recolher total na sexta-feira por conta das ações de guerrilha urbana executadas pelos extremistas.

Kirkuk fica em uma região rica em petróleo, a 150 km de Mossul - a segunda maior cidade iraquiana, controlada pelo EI desde junho 2014 - e a 240 km ao norte da capital Bagdá.

Na manhã de sexta-feira, a localidade acordou com os extremistas percorrendo as ruas de alguns bairros. Segundo testemunhas, eles entravam nas mesquitas e gritavam "Allah Akbar" (Deus é o maior) e "Dawla al Islam baqiya" (O EI vencerá).

"Passamos 24 horas de medo e destruição. É como se esse dia tivesse durado um ano inteiro", relatou à AFP Abu Omar, um açougueiro de 40 anos.

Manobra de distração

Um dos extremistas capturados pelas forças curdas afirmou que o ataque contra Kirkuk foi planejado pelo líder supremo do EI, Abu Bakr al-Baghdadi, como uma manobra de distração no sexto dia da ofensiva iraquiana contra Mossul.

O ataque de sexta-feira "era um dos planos do califa Al-Baghdadi para demonstrar que o EI continua avançando e para reduzir a pressão na frente de Mossul", disse o jovem iraquiano detido em Kirkuk.

As forças iraquianas continuavam, porém, neste sábado, seu avanço até Qaraqosh, a leste de Mossul, a maior cidade cristã do Iraque até a fuga de sua população diante do avanço dos extremistas e a tomada de controle da região, em 2014.

Isso permitiria que eles se aproximassem dos bairros periféricos do leste de Mossul, segundo fontes militares.

Em um dos confrontos, um jornalista iraquiano de televisão morreu neste sábado quando cobria a ofensiva militar. Trata-se do segundo jornalista iraquiano morto em dois dias. Na sexta, já havia falecido um profissional do canal turcomano Ili, atingido por um atirador do EI em Kirkuk.

O secretário americano da Defesa, Ashton Carter, desembarcou neste sábado em Bagdá para uma visita não anunciada com o objetivo de avaliar a ofensiva em Mossul. Acredita-se que a cidade esteja sendo defendida por entre 3.500 e 4.500 extremistas.

Durante a visita, Carter deve se reunir com o comandante militar da coalizão internacional antiextremista, o general americano Stephen Townsend, e com o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi.

Espera-se que Carter consiga convencer o governo a permitir que as forças turcas participem da conquista de Mossul, onde Ancara tem uma base no norte.

O primeiro-ministro iraquiano insiste em sua recusa à colaboração da Turquia, alegando que "isso é algo que será feito pelos iraquianos".

Os Estados Unidos têm mais de 4.800 soldados no Iraque. Este contingente proporciona apoio logístico e assessoria às forças iraquianas. Salvo em casos específicos, o efetivo não participa diretamente dos combates, de acordo com informações oficiais.