COBERTURA ESPECIAL - Crise Militar - Defesa

23 de Julho, 2019 - 01:40 ( Brasília )

EXCLUSIVO - 72 Horas de tensão no Planalto Central

Ações do presidente Jair Bolsonaro frente a FAB e Exército fizeram o Brasil viver 72 horas em Alta-tensão. A segunda-feira iniciou sob tensão, mas recuos vários acomodaram a situação..



Nelson Düring
Editor-chefe DefesaNet


O presidente Jair Messias Bolsonaro, na sexta-feira (19JUL2019), durante um Café com a Imprensa estrangeira, no Palácio do Planalto, deu curso a um ataque ao principal sustentáculo do seu governo: as Forças Armadas.

Para isso usou da sua estratégia básica de declarações, que são aparentemente fora do tom ou disparatadas, mas que geram polêmicas e intenso debate na imprensa e nas redes sociais.

Para que a imprensa não identificasse a sua ausência no evento comemorativo do “146º Aniversário de Nascimento de Alberto Santos-Dumont”, realizado na Base Aérea de Brasília, agora ALA1, naquela mesma manhã de sexta-feira.

A ausência do Presidente no evento da FAB pode ter seus vários significados. Talvez o mais próximo seja o de inconformidade com a Força pelo constrangimento internacional, que sofreu, devido ao caso de Sevilha. A relutância da Força em participar com membro no governo o que é visto como simpatia ao PT.

O grave caso de tráfico internacional de droga em aeronave militar, e o  gerenciamento da crise, que tem sido um desastre (quase tão grande como o evento do narcotráfico per si), pelas autoridades responsáveis: GSI, PF, FAB e MD. Para completar as declarações do próprio presidente afirmando “que o caso deveria ter ocorrido na Indonésia.”

Constrangimento

A ausência do Presidente Jair Bolsonaro no evento da FAB, onde foi entregue a Ordem do Mérito Santos Dumont para várias autoridades e personalidades, assim como militares foi impactante. Coube a um constrangido Comandante da Aeronáutica Tenente-Brigadeiro-do-Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez ser o mestre de cerimônias.

No primeiro momento a situação quase assume fato de crise com as ausências também do Ministro da Defesa Gen Ex Fernando Azevedo e do Comandante do Exército Gen Ex Edson Leal Pujol.

No palanque estavam presentes aliados estratégicos do atual governo, tais  como: o representante dos Estados Unidos, o Encarregado de Negócios William Popp. Também o representante do Embaixador do Japão Embaixador Akira Yamada e o Embaixador da Ucrânia Sr Rostyslav Tronenko.


 
Autoridades no palanque nas comemorações dos  146 anos de Santos Dumont.  Foto Cecomsaer

O constrangimento maior foi ver que o evento da FAB, em homenagem ao Patrono Santo Dumont, foi trocado pela Cerimônia do Dia Nacional do Futebol, também em Brasíla. Evento organizado pelo Ministro Osmar Terra onde foram premiadas várias personalidades futebolistas. Ali ocorreu algo interessante ou enigmático. Em vez do presidente receber um exemplar da canarinho recebeu uma camiseta do segundo uniforme de cor azul.

Houve a troca do Azul Celeste da FAB pelo Azul da Seleção. DefesaNet foi a única publicação brasileira a mencionar a ausência do Presidente Jair Bolsonaro no evento da Base Aérea.  
 




Nota DefesaNet: obteve as seguintes informações sobre as ausências: do Ministro da Defesa Fernando Azevedo recupera-se de uma cirurgia de catarata e o Gen Ex Pujol estava em viagem ao Japão.

Efeito Inesperado

O presidente Jair Bolsonaro, no agora já famoso Café com Jornalistas, ao comentar de forma negativa a ação do Governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), que foi interpretado como uma menção genérica a todo o nordeste o que gerou muitas críticas. O comentário estava em uma conversa paralela com o Onyx Lorenzoni.

O Governador Flávio Dino tem adotado um posicionamento dúbio frente ao Desenvolvimento do Centro de Lançamento de Alcântara. Oficialmente apoia mas aciona as claques para atrapalhar.  O que tem irritado muito o Palácio do Planalto.

O Gen Div R1 Luiz da Rocha Paiva criticou, ao O Estado de São Paulo, edição de 20JUL2019, a declaração atribuída ao presidente, como prejudicial pois incentivava a divisão do País. (Nota DefesaNet - A integridade territorial e da Nação Brasileira é um ponto basilar da Força Terrestre)

Isto valeu um inesperado e despropositado míssil enviado via Twitter no domingo pelo Presidente Jair Bolsonaro (@jairbolsonaro)     acusando-o de “melancia”. Expressão usada na caserna para chamar aqueles que adotam uma posição exterior conforme as linhas do Exército, mas no íntimo seguem outras linhas, muitas vezes ligadas à esquerda.

 

 

A expressão usada de forma jocosa na caserna, no caso do Gen Div R1 Rocha Paiva, veio como uma ofensa ignominiosa e desonrosa a um oficial-general, que por sinal assumiu ao longo da carreira uma postura de defesa intransigente do Movimento de 1964.

Várias consultas com interlocutores militres sobre as mensagens do Presidente tinha como resposta, quase invariavelmente, a incredulidade e classificando-as como Fake News.

Sequência de Conflitos

O caso do Gen Div R1 Rocha Paiva é o último de uma série de eventos, que têm gerado um somatório de desacertos entre a Presidência e os Comandos Militares. A indicação do Delegado da Polícia Federal Alexandre Ramagen como Diretor-Geral da ABIN é visto como um passo atrás na reconstrução da área de inteligência brasileira.

O contingenciamento, realizado em Março afetou significativamente as verbas discricionárias do Ministério da Defesa.

Sem mencionarmos a saída traumática do Gen Div R1 Santos Cruz do governo, que causou muitas fissuras no relacionamento com a Força Terrestre.

O ataque ao INPE afetando de forma indireta a FAB.

Uma mensagem no You Tube pelo Professor Olavo de Carvalho, no Domingo, 21JUL2019, também trouxe mais tensão. Fontes militares acreditam que o conteúdo, com forte ataque aos generais tem influência de Carlos Bolsonaro. O qual estava na Virginia visitando Olavo de Carvalho.


 

Vídeo de Olavo de Carvalho com forte posição contra os militares. Publicado em 21JUL2019.

As Bombas desarmadas na segunda-feira


O anúncio antecipado, que na segunda-feira ocorreria um contingenciamento de R$ 2.5 Bilhões, nas palavras do próprio presidente, seria feito em um único ministério.  Segundo fontes informaram DefesaNet, na manhã de segunda-feira, que o contigenciamento ocorreria todo no Ministério da Defesa.

O MD ainda se recupera do trauma ocasionado pelo contingenciamento, que ocorreu em Março, com mais de 5 Bilhões, nas verbas discricionárias.

Ao abrir o “Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do 3º bimestre de 2019”, do Ministério da Economia, liberado no início da tarde, duas surpresas. O contingenciamento de R$ 2,3 Bilhões foi reduzido para 1,4 Bilhão com o uso de R$ 809 milhões das reservas orçamentárias. O surpreendente é que o ministério a ser premiado com os contingenciamento somente será anunciado na próxima semana.

A segunda bomba  foi desarmada com a vista do Presidente Jair Bolsonaro ao Comando da Aeronáutica, para um encontro com os oficiais-generais da Força Aérea. Um aliviado Brigadeiro Bermudez recebeu o Comandante Supremo. Uma análise das fotos mostram um ambiente tenso e faces crispadas.



 

Presidente Jair Bolsonaro no Comando da Aeronáutica, na segunda-feira, desarmando a bomba armada na sexta-feira.

Nota DefesaNet - Para detalhes do evento acesse:

FAB - Bolsonaro participa de encontro com Oficiais-Generais da FAB Link

 

Cabe a pergunta. Quando será desarmada terceira bomba?

Foram 72 horas de tensão no Planalto Central. Os ânimos foram acalmados?


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