COBERTURA ESPECIAL - Brasil - EUA - Defesa

08 de Setembro, 2015 - 08:00 ( Brasília )

BID - O avanço do SelectUSA

Insegurança e perspectiva de recuperação econômica em longo prazo força êxodo de empresas brasileiras para os Estados Unidos

 

Júlio Ottoboni
Especial DefesaNet

O caso parece consumado, o Brasil está mesmo propenso a perder grande parte de seu parque aeroespacial. Enquanto a crise econômica se avoluma e o governo da presidente Dilma Rousseff afunda numa crise política e se afoga num oceano de denúncias de corrupção, as empresas brasileiras procuram por outros portos, muito mais seguros.  O governo dos Estados Unidos avançou nestes últimos meses como a grande tábua de salvação para os náufragos brasileiros, formados especialmente por empresas do polo aeronáutico, espacial e de defesa.

Em julho os acenos feitos pelo governo de Barack Obama em seu ambicioso projeto SelectUSA que visa fortalecer a economia norte-americana, tocado pela austeridade do chefe de Estado e homem forte do governo, John Forbes Kerry. Já em sua apresentação, o SelectUSA, encantou as empresas do polo de São José dos Campos. Mais de 50 delas já acenaram que pretendem ir para o encontro internacional de San Diego,  local onde os investimentos estrangeiros são disputados pelos 50 estados norte americanos com propostas extremamente vantajosas. 

O nível de risco, inclusive de calote oficial como ocorre frequentemente no Brasil, é praticamente zero. E o governo dos EUA ainda assegura pagamento e diversificação produtiva, para uma extensa cadeia de fornecedores e subcontratações. O ambiente nos EUA está propenso para atender as aflições dos empreendedores brasileiros, cansados de se desdobrarem em mercados intermediários para manterem-se ativos.

“Lá não é preciso vender para o produtor final, mas fazer parte de uma imensa cadeia produtiva. Hoje os EUA têm mais de 900 empresas pequenas num universo de 1,2 mil no setor aeroespacial e de defesa, o risco é muito mais baixo com o cliente, além de se ter uma maior possibilidade de diversificação, expansão e um mercado que aceita muito bem as empresas pequenas”, comenta o sócio proprietário da Consultoria Tributária Internacional Drummond e contador certificado nos Estados Unidos-Brasil, Bruno Drummond.

O elenco de vantagens é algo sem concorrência, mesmo aos apelos nacionalistas e promessas do governo brasileiro para o setor. O primeiro ponto de destaque, ser o mercado local acostumado a trabalhar com empresas pequenas, vendas rápidas para diversos compradores e ter uma mão de obra quatro vezes mais eficiente que a brasileira. A alavancagem da empresa pro diversos clusters, desde fornecedores, bancos com linhas de crédito específicas e acessíveis, redução de impostos, vários benefícios fiscais e incentivos para contratação.

Drummond, que tem larga experiência no mercado norte americano, a logística existente nos EUA beira a perfeição. Mesmo um país imenso, não há perda de eficiência e é um tópico levado muito a sério pelo mercado local.

“Pela resiliências as empresas brasileiras se tornaram muito competitivas nos Estados Unidos, estão adequadas para sobreviverem em ambientes precários e de extrema dificuldade, com isso acabam se despontando num ambiente abastado e com muito mais facilidade em se produzir e negociar. Elas tendem sempre a ter performances excelentes”, salientou o executivo.

Como nos EUA a ‘guerra fiscal’ é livre, os tributos e incentivos fiscais são ferramentas que serão usadas de todas as formas na tentativa de atrair as empresas brasileiras em San Diego. Inclusive a Associação das Indústrias Aeroespaciais (AIA) acompanha todo o processo e dá suporte para os investidores internacionais, apoiados por grandes equipes dos governos estaduais e federal. Lá até as cidades disputam os investimentos com diferenciais na atratividade.

O tamanho do mercado e as possibilidades externas, a partir dos EUA, também pesam muito e são colocadas na balança decisória. O imposto de Renda em terras de Tio Sam vão de zero até 9,9% e sem bitributação. Ou seja, se pegou algo equivalente no Estado deixe automaticamente de recolher para a federação. Os contratos com o governo norte americano são geralmente longos e os que mais estimulam o setor.

“O risco de perder dinheiro quando o pagador é o governo é praticamente nulo, por isso é considerado o melhor pagador do mundo. Evidente que com o sucesso da Embraer e seus novos investimentos lá, os fornecedores também queiram seguir o mesmo caminho. É algo natural e a burocracia nos EUA é praticamente simbólica se comparada a existente no Brasil, um exemplo é o desembaraço alfandegário para os norte americanos é feito em 2 a 4 dias e nos portos brasileiros meses de espera”, observou Drummond.

Nota DefesaNet

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