COBERTURA ESPECIAL - Brasil - EUA - Defesa

25 de Junho, 2015 - 18:20 ( Brasília )

Visita de Dilma aos EUA prevê avanços na defesa

Governo brasileiro quer aprovação no Congresso de acordos assinados em 2010, mas não implementados, para ampliar cooperação bilateral

Claudia Trevisan

A visita que a presidente Dilma Rousseff fará aos Estados Unidos na próxima semana simbolizará uma mudança fundamental na postura de seu governo em relação à cooperação na área de defesa com os americanos, com aumento na troca de informações sigilosas, expansão de exercícios militares, aproximação das Forças Armadas e ampliação das possibilidades de compra e venda de equipamentos para esse setor.

Como preparação para o encontro de Dilma com o presidente americano, Barack Obama, o governo brasileiro decidiu enviar ao Congresso dois acordos que haviam sido assinados com os EUA em 2010, mas nunca implementados. Ambos foram aprovados pela Câmara anteontem e devem receber o aval do Senado hoje.

Mesmo com atraso de cinco anos, a adoção dos tratados é vista como um dos mais importantes pontos da visita de Dilma por autoridades em Washington. O governo brasileiro se empenhou para que os documentos fossem ratificados antes da reunião de trabalho que a presidente terá com Obama, na terça-feira.

 Os dois países estão sem um Acordo de Cooperação em Defesa (ACD) desde 1978, quando o tratado existente foi denunciado pelo Brasil, em reação às tentativas dos EUA de bloquear a transferência de tecnologia nuclear ao País pela Alemanha.

Um dos acordos que deve ser ratificado hoje pelo Senado é o novo ACD, que regerá a cooperação entre as duas Forças Amadas. O outro é o Acordo Geral de Segurança de Informação Militar, conhecido pela sigla GSOMIA, em inglês. Esse documento estabelece regras para a proteção de dados sigilosos e proíbe o seu compartilhamento com terceiros países -uma precondição dos americanos para fornecer informações militares secretas ao Brasil.

A ratificação dos tratados terá impacto positivo para a indústria de defesa dos dois países, já que ampliará a possibilidade de comercialização de produtos e cooperação em pesquisa e desenvolvimento. O ministro da Defesa, Jaques Wagner, chega hoje a Washington e, amanhã, se reunirá com empresas brasileiras e americanas do setor. Na segunda-feira, ele terá um encontro no Pentágono com o secretário de Defesa americano, Ashton Carter.

Limitações. A ausência de um ACD não impediu que as duas Forças Armadas realizassem exercícios conjuntos ou troca de pessoal, mas representa uma limitação para o tipo de cooperação que os dois países podem ter. Com sua ratificação, Brasil e EUA poderão avançar em áreas como apoio logístico, tecnologia e treinamento. O GSOMIA é visto como um acordo militar de nova geração, com foco na segurança das informações compartilhadas.

O encontro de Wagner com o setor privado terá representantes do departamento de defesa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde). Entre os principais interessados na maior cooperação militar está a Embraer, que fechou um contrato de US$ 428 milhões com o Departamento de Defesa dos EUA para venda de 20 Super Tucanos que serão usados no Afeganistão.

Entre os potenciais beneficiários do lado americano está a Boeing, que perdeu a concorrência dos novos caças da Aeronáutica após a revelação de que a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) espionou comunicações da presidente brasileira. Em protesto, Dilma cancelou visita de Estado que faria aos EUA em outubro de 2013.



Outras coberturas especiais


Prosub

Prosub

Última atualização 26 ABR, 00:20

MAIS LIDAS

Brasil - EUA