COBERTURA ESPECIAL - Base Industrial Defesa - Tecnologia

29 de Setembro, 2015 - 15:30 ( Brasília )

Entrevista Exclusiva - Julio Robinson Belli - O porquê estão destruindo as empresas de Defesa e de alta tecnologia do país.

Entrevista com Júlio Robinson Belli, proprietário da Budson Comercio Exterior, uma das mais importantes e atuantes empresas no segmento de logístico.

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Júlio Ottoboni
Repórter, especial para o DefesaNet

Em entrevista exclusiva e inédita ao DefesaNet, o  empresário e consultor, Júlio Robinson Belli, proprietário da Budson Comercio Exterior, uma das mais importantes e atuantes empresas no segmento de logístico, aduaneiro e transferências industriais entre países, está preocupado com os rumos tomados pelo governo federal quanto à indústria de defesa e as consequências disto no agravamento da crise interna.

O executivo atua a mais de 20 anos na área de importação e exportação, é um dos sócios proprietários da empresa Budson, marca que avança no segmento de agenciamento de cargas internacionais, transporte nacional e processos aduaneiros.

A empresa além de operar com indústrias no mercado nacional, também é responsável por projetos de investimentos e transferência de plantas industriais para o Brasil, foi responsável por várias fábricas que se instalaram no País, diversas delas do setor aeronáutico, espacial e de defesa.         
 
DefesaNet  - O senhor trabalha diretamente com a chegada de empresas aeronáuticas e espaciais no Brasil, entre outros setores. Como está em sua opinião o setor aeronáutico em relação aos outros?

Júlio Robinson Belli : Sim trabalhamos em vários setores.  Quanto à área aeronáutica, este é um setor que se expande, e que continuará nos próximos cinco anos, razão da concretização de novos projetos, aumento da frota nacional e internacional, e a abertura de empresas multinacionais para a manutenção da frota nacional abrangendo também outros países da América latina.

DefesaNet -  Quais são os seus maiores temores quanto a chegada e a evasão de investimentos no País?

Júlio Robinson Belli: Meu maior receio é a instabilidade politica, o Brasil definitivamente precisa de uma politica mais eficiente e qualificada, independente de Partido Politico, precisamos de lideres que se preocupem com o BRASIL e seu povo, não merecemos passar por este vexame internacional de corrupção, e pior, estarmos nas mãos de marqueteiros destes políticos, os quais não estão preocupados com a cesta básica e a saúde da população. Hoje tudo é um jogo de interesses e vantagens financeiros, é publico a reação de cada politico que esta em evidencia na mídia, esta esperando ver o outro cair, para se beneficiar, a nação esta pagando esta conta, com a falta de emprego, saúde e investimentos gerais, e o pior, é a imagem do empresário, empreendedor brasileiro, que internacionalmente nas negociações entra rotulado, todos tem cautela em fazer negócios conosco, pois a fama não é das melhores.     

O Brasil é o maior país em extensão territorial do hemisfério sul, com um pouco de seriedade política podemos nos tornar uma grande potência, temos um povo extremamente trabalhador, empreendedores extremamente cobrado e sem reconhecimento.

Nossas terras sempre foram vitrines para investidores de diversos setores, e hoje precisamos reencontrar o nosso rumo, caso contrario não iremos atrair o mercado internacional, ficaremos na dependência do mercado interno, seria uma das maiores alienações e um grande retrocesso.            

DefesaNet -   O governo federal lançou o Programa de Incentivo à Logística, em que grau isso ajuda num momento de crise como o nosso?

Júlio Robinson Belli : Eu li sobre o programa e isto é um ótimo chamariz para o investimento industrial, em uma era GLOBAL o transporte logístico é fundamental para o sucesso, já temos solicitações de cotações para transferências de maquinas EUROPEIAS para a indústria de ferrovias, o que o governo precisa é realmente levar a serio este programa, pois será um beneficio inestimável para os municípios e estados. 

DefesaNet - O senhor visita diversos países em busca de investimentos, quais deles são os que mais apresentam interesse no Brasil e quais os setores que eles pretendem focar?

Júlio Robinson Belli: Entre 2007 e 2012 transferimos várias linhas de produção dos EUA e Europa. Em 2014 participei de varias reuniões com empresários europeus, grupos interessadas em investir no Brasil, representei o nosso pais em um evento na Itália para mais de 150 indústrias de diversos setores, como construção, eólicos, pavimentação, maquinas industriais, cosméticos, vestuário, etc., contudo isso se restringiu demais com o inicio desta crise, eventos posteriores agendados foram cancelados em função desta instabilidade e os interessados em investir aqui, focaram em outros países.

Neste ano de 2015, alguns de nossos clientes transferiram as unidades fabris para outros países, exportamos para outras filiais. Um de nossos clientes, um grupo espanhol, que há alguns anos se instalou no Brasil, iniciou neste ano a montagem de uma nova fábrica e esta adquirindo fabricas do setor automotivo, para mim é um fator positivo, mas ainda é muito pouco.

Os EUA e Rússia querem investir no Brasil, há uma negociação politica com o nosso governo, pois são duas grandes potencias e onde um está, dificulta a entrada da outra. Mas ao meu entender, os EUA por uma questão de cultura se sairá melhor, pois tem muitas fábricas americanas em nosso território, e a alta do setor aeronáutico esta abrindo as portas para fornecedores de serviços Norte Americanos.             

DefesaNet -    A crise política tem afetado mais a imagem do país que a econômica no exterior? Qual o comportamento de seus clientes diante deste cenário?

Júlio Robinson Belli : Neste momento as duas estão afetadas, hoje a imagem da maior empresa nacional, a Petrobras, um orgulho nacional, foi um fator culminante para afetar as duas imagens, a politica canalizou a corrupção na economia de uma estatal, afetando as bolsas internacionais, isso significa que mexemos nas economias financeiras de muita gente, foi um crime, a queda das ações não foram por questões da queda do mercado em especifico, mas sim, por um desvio de bilhões, uma empresa manipuladora de índices e resultados, é como se seu extrato bancário mostrasse o saldo de milhões, mas no banco não houvesse nada, como você se sentiria? Como a justiça americana pode ficar quieta com a manipulação financeira de seus cidadãos que acreditaram nas ações e seriedade da Petrobras? Fundos de pensões internacionais perderam fortunas, ou melhor, a facção criminosa instaurada no governo sacou estes bilhões.         

É público que o comportamento atual é de decepção, mas o brasileiro tem raça, quer e precisamos trabalhar, comerciantes, empresários e executivos estão se reinventando, e não compactuam com o que esta acontecendo.

Há um lado positivo nisto tudo, como uma flor que brota no meio das pedras. Está nascendo uma nova consciência politica  aliada a vontade de mudança, nunca tantos comentários foram feitos e compartilhados em redes sociais, o povo podendo colocar o seu ponto de vista, se manifestando.           

DefesaNet - O Brasil está fadado a viver de exportação de commodities ou vamos recuperar nossa capacidade industrial?

Júlio Robinson Belli : Precisamos recuperar nossa capacidade industrial, o governo tem que apoiar não é somente a classe empresarial que deve se reinventar, o governo também deve fazer a sua lição. As exportações devem ser vistas como uma expansão e não um fardo pela desvalorização de nossa moeda,  precisamos ganhar por competência e produtividade, mesmo com a flutuação cambial é necessário sempre sermos competitivos tanto na capacidade produtiva quanto nas commodities, o governo precisa fazer o seu papel na estabilização do Real.   

DefesaNet -   Como o senhor avalia o momento do país e os mercados de aeronáutica, espacial e de defesa? Há facilidade realmente para se instalar e investir no país como o governo diz?

Júlio Robinson Belli : O atual momento é muito instável, o Brasil esta sem governo, ninguém investirá onde não tem direção. Um exemplo é a instabilidade do Real diante do Dólar, a moeda norte americana tem uma variação altíssima entre abertura e fechamento.

O governo sabe que os mercados aeronáutico e espacial estão muito voltados aos contratos internacionais, é muito baixa a produção para o mercado interno, as vendas e o grande volume de faturamento são para clientes internacionais, por isso a facilidade de se investir, os resultados pouco dependem do mercado nacional.

Quanto à defesa, o governo não investe na produção nacional, demonstra não haver interesse em atualizar as práticas e políticas do Ministério da Defesa, a ação será sempre a de sucatear. É um desmonte proposital, os indicativos são muito fortes neste sentido.

Este ministério é essencial para a nação, o povo precisa de segurança, a defesa deveria ser um dos maiores investimentos, pois cabe a ela garantir a soberania nacional a ordem e a segurança da nação, hoje se mantém no fio da navalha, mas não sabendo do amanhã.     

No passado prestamos serviços para uma indústria bélica, de capital misto, ou seja, governo e a iniciativa privada, sendo o governo o sócio majoritário.

Trata-se de uma empresa extremamente reconhecida internacionalmente, mas infelizmente não existe uma política de investimento, ao contrário, o governo a sucateia, burocracias imensas, corte de verbas etc... O governo federal, ou seja, o seu próprio dono faz de tudo para retirar a competitividade da companhia.

Veja a situação, não atendíamos aos pedidos de compras por incapacidade de produção, e o governo mantinha um discurso que as nossas forças armadas eram prioridades, mas infelizmente não produzia para o mercado interno e nem externo por falta de verbas.

Dos vários exemplos que tenho o desta empresa é o mais significativo e mostra o desmonte em curso. Essa companhia sempre me chamou muito a atenção e foi motivo de orgulho nacional e poder ter trabalhado com ela. Por anos efetuamos centenas de exportações para uma empresa privada de defesa nos EUA. Os equipamentos foram revendidos às forças armadas dos EUA e a outros órgãos do governo americano, um produto renomado pela precisão, robustez e a qualidade. O que ficou explicito para mim, entre vários exemplos, é que uma indústria que poderia ser um ícone nacional pela capacidade de desenvolvimento de produtos e tendo mercado internacional está esquecida e quase falimentar. Alguém consegue explicar isso?    



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