14 de Janeiro, 2012 - 13:20 ( Brasília )

Aviação

O BRIGADEIRO - Eduardo Gomes, trajetória de um herói


No próximo dia 20, em Brasília (DF), no Clube da Aeronáutica, o escritor Cosme Degenar Drumond lança a biografia do marechal-do-ar Eduardo Gomes (1896-1981). Autor do livro Alberto Santos-Dumont. Novas revelações, que mostrou fatos inéditos da vida amorosa do pai da aviação, Degenar Drumond revela agora em O Brigadeiro episódios desconhecidos da trajetória de Eduardo Gomes, uma história empolgante, com lances cinematográficos.

Eduardo Gomes foi um “revoltoso impertinente”, como disse o tribunal que o condenou por sua participação no Levante do Forte de Copacabana, de 1922, mais uma demonstração de sua constante defesa da justiça. Já em seus tenros 10 anos recebeu castigo por defender um colega acusado erroneamente e recusar-se a apontar o culpado.

Sem medo de fuzis ou de canhões, eternamente jovem de espírito e fiel a seus princípios, levou tiros, foi preso, mandado para o degredo, viveu na clandestinidade, foi condenado, prejudicado na carreira, anistiado, promovido, aplaudido e admirado...

Seus soldos sempre foram repartidos com a caridade, fosse para os missionários atuando com a população pobre do interior do país, fosse para os mais humildes e necessitados ou para os companheiros de armas em dificuldades. Por essas ações, foi agraciado pelo Vaticano com a medalha da Ordem de São Silvestre.

Unanimidade nacional a despeito dos anos espinhosos que atravessou, sem nunca se dobrar ao poder ou ao dinheiro, seu segredo, disse um juiz que o conheceu, era a autoridade moral e a fidelidade aos princípios, absolutamente inegociáveis. Ele acreditava na comunhão das gerações: os moços julgando os mais velhos; compreendendo e procurando exemplos no passado.

Poucos tiveram uma existência tão reta, modesta e completa como a dele. É o que O
BRIGADEIRO rememora, devolvendo à luz a atualidade de uma das figuras mais destacadas da história político-militar do Brasil no século XX, que, segundo o próprio biografado dizia, nada mais fez do que cumprir seu papel de cidadão.

A obra traz depoimentos de contemporâneos do Brigadeiro e informações coletadas em arquivos públicos e na imprensa da época. “Foram três anos de pesquisas”, diz o biógrafo.

Entre as ações heróicas de Eduardo Gomes, destacam-se o Levante de Copacabana, em 1922, a revolução de 1924, o movimento de 1930 que conduziu Getúlio Vargas ao poder, a revolução Constitucionalista de 1932, a Intentona Comunista, em 1935, e a Segunda Guerra Mundial, quando defendeu a soberania brasileira. Faleceu em 13 de junho de 1981, um dia após assistir a missa pelo cinquentenário do Correio Aéreo Nacional, que ele e um grupo de pilotos sob o seu comando criaram em 1931.

Eduardo Gomes foi ministro da Aeronáutica em dois períodos. É o patrono da Força Aérea Brasileira.

CURIOSIDADES DA OBRA:

Solteiro, Eduardo Gomes era um militar tipo galã. Aviador, com vocação democrática e forte senso de justiça social, tinha musculatura trabalhada pela educação física. Cortejado pelas garotas, viveu namoros furtivos. Em 1945, em sua primeira campanha eleitoral à Presidência da República, um grupo de eleitoras cariocas criou um slogan de marketing político marcante: “Vote no Brigadeiro, além de bonito é solteiro”.

Recém-fundada, a União Democrática Nacional (UDN), partido pelo qual ele disputou a Presidência, não dispunha de recursos para bancar sua campanha. A fim de angariar fundos para sua candidatura, um grupo de senhoras criou um doce feito de chocolate e leite condensado, que passou a vender nos comícios. A guloseima recebeu o nome de “brigadeiro”, fez enorme sucesso e tornou-se popular. Ainda hoje, não pode faltar em aniversário de criança.

Católico fervoroso, em 1967, recebido pelo papa Paulo VI, ele pediu ao pontífice que criasse uma oração a Nossa Senhora de Loreto, a padroeira dos aviadores. Naquele mesmo ano, o Vaticano consagrou a Oração dos Aviadores.

Eduardo Gomes não tinha time de futebol predileto, mas gostava de assistir a um bom espetáculo de futebol-arte. Nas tardes de domingo, via clássicos do futebol disputados no Maracanã, misturado aos torcedores comuns nas arquibancadas do estádio carioca. O poeta Manuel Bandeira dizia que ele era “um homem original”.

O Brigadeiro também gostava ver filmes nos cinemas de Botafogo, bairro vizinho ao do Flamengo, onde morava. Preferia filmes românticos protagonizados por Greta Garbo, a diva sueca de quem era fã ardoroso. Na TV, divertia-se com os desenhos de Tom e Jerry.

SOBRE O AUTOR

COSME DEGENAR DRUMOND
especializou-se no segmento de Defesa. Possui artigos publicados no Brasil e exterior. Conquistou prêmios no jornalismo. Autor dos livros O Museu Aeroespacial Brasileiro; Asas do Brasil, uma história que voa pelo mundo; Alberto Santos-Dumont. Novas revelações; e Asas da Solidariedade, História e histórias do Correio Aéreo Nacional, é diretor de Redação da revista Defesa Latina.

Ficha técnica:
Título: O Brigadeiro. Eduardo Gomes, trajetória de um herói
Publicação: Editora de Cultura
Características: Brochura, 16x23 cm, mais de 100 ilustrações
Volume: 352 páginas
ISBN: 978-85-293-0157-0
Preço: R$ 49,90