11 de Dezembro, 2013 - 19:23 ( Brasília )

Aviação

DIA DA INFANTARIA DA AERONÁUTICA


PALAVRAS DO COMANDANTE-GERAL DE OPERAÇÕES AÉREAS

“Seria muito mais fácil destruir ninhos e ovos do inimigo no solo do que caçar seus pássaros pelos céus.” Assim previu Giullio Douhet, o grande teórico do Poder Aéreo, reconhecendo a vulnerabilidade da aviação em terra.

Passadas décadas, estas e outras previsões se comprovaram. O domínio do ar se mostrou determinante na definição dos conflitos e, embora a evolução tecnológica tenha trazido inovações à guerra aérea, aeronaves paradas em solo e meios de detecção e alarme continuam sendo alvos compensadores.

Ao longo da história, ataques aéreos e infiltração de forças de operações especiais foram comumente explorados para infringir danos ao poder aéreo inimigo. Com a chegada do século XXI, registrou-se um incremento nas ações de guerra irregular contra bases aéreas.

Neste cenário, cresce a importância de uma Infantaria apta a defender nossos vetores e equipamentos contra ações hostis. Uma Infantaria pronta a detectar e anular ameaças antes de serem levadas a termo ou, ao menos, em tempo de desencadear uma resposta que impeça o alcance dos objetivos do elemento adverso.

Afinal, tudo começou com seis Companhias de Infantaria de Guarda, em 11 de dezembro de 1941. Passados setenta e dois anos, diversas modificações marcaram os rumos da Força Aérea, influindo diretamente na necessidade de atualização da Infantaria da Aeronáutica.

Dentro deste enfoque, diversas medidas foram adotadas para prover as Unidades de Infantaria dos meios necessários ao desempenho da nobre missão de “Defender na terra o domínio do ar”.

O aumento do número de cadetes de Infantaria nos bancos acadêmicos, aliado a uma maior regularidade e melhor qualificação na quantidade de oficiais e graduados entregues anualmente ao Quadro, reforçam o efetivo da tropa de Infantaria com novas estirpes de líderes.

A atualização de equipamentos, atendendo ao PEMAER - Plano Estratégico Militar da Aeronáutica, contempla a aquisição de material para emprego nas ações de Autodefesa de Superfície e de Polícia da Aeronáutica, abrangendo equipamentos de proteção individual, armamento e munições para controle de distúrbios; equipamentos de comunicação; viaturas de transporte de tropa, patrulhamento e escolta; e sistemas de armas para tiro de precisão, dentre outros.

Na defesa contra a ameaça aérea, identificam-se evoluções significativas. Desde a ativação da Companhia de Artilharia Antiaérea de Autodefesa (CAAAD) subordinada ao BINFAE-CO, em 1997, até os dias atuais, um importante caminho foi trilhado, favorecendo o estabelecimento de uma doutrina própria de defesa antiaérea. Cumprindo os objetivos do PEMAER, a Força Aérea conta, hoje, com dois Grupos de Artilharia Antiaérea, subordinados ao NuBAAAD - Núcleo da Brigada de Artilharia Antiaérea de Autodefesa.

Passos conduzem à implantação do 3º Grupo de Artilharia Antiaérea, em Anápolis, consolidando as bases para a ativação da Brigada de Artilharia Antiaérea de Autodefesa. Complementam o processo a aquisição de sistemas de comunicação, sistemas de busca e vigilância e sistemas de armas de média altura.

É notório que a exploração dos meios de vigilância eletrônica, integrados ao emprego de uma Força de Reação equipada e adestrada, potencializa os níveis de segurança das instalações e garante um ambiente operacional seguro para o emprego da Força Aérea. Neste contexto, os investimentos na aquisição de equipamentos e na capacitação dos recursos humanos ganharam destaque.

Nos novos tempos, a capacidade de atuar em prol da conquista da superioridade aérea, empregando recursos especializados infiltrados em profundidade com o fito de realizar o reconhecimento ou de infringir danos ao poder aéreo inimigo, requer da Infantaria uma capacitação especial. Neste segmento, não podemos deixar de citar o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento – PARA-SAR, que, ao completar 50 anos de sua criação, é uma referência para a Força Aérea nas Ações de Busca e Salvamento e em Operações Especiais.

Cabe ainda destacar a valorosa atuação dos Pelotões de Infantaria da Aeronáutica designados para integrar os contingentes brasileiros na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH). O profissionalismo e comprometimento de seus integrantes tem se refletido em elogioso desempenho, realçando a inconteste capacidade de nossos infantes para operar nos diversos cenários de interesse da Força Aérea.

Fato é que a Infantaria da Aeronáutica, em face da conjuntura atual e dos pressupostos da nova Doutrina Básica da Força Aérea, prepara-se para tal realidade, buscando aprimorar a sua concepção operacional, com vista a executar as Ações de Força Aérea nas quais serão empregados preponderantemente meios de Infantaria.

Caros infantes, vários foram os desafios vencidos para que a Infantaria da Aeronáutica chegasse ao seu patamar atual. Outros muitos ainda estão por vir. Assim, concito-os a manter o elevado espírito combatente e envidar esforços em prol da evolução e aperfeiçoamento da Tropa de Infantaria.

Minhas sinceras saudações aos nobres guerreiros que dedicam seus ânimos à preservação do poder de combate da nossa Força Aérea.

Infantaria!

Brasília, 11 de dezembro de 2013.
 
Ten Brig Ar NIVALDO LUIZ ROSSATO
Comandante-Geral de Operações Aéreas