04 de Dezembro, 2013 - 10:54 ( Brasília )

Aviação

Drones vão ganhando supremacia aérea


Nikita Sorokin

Em finais de novembro, a China pôs de sobreaviso seus vizinhos e concorrentes ao lançar com êxito um veículo não tripulado. Drones elementares têm sido utilizados até por terroristas, enquanto as empresas fabricantes afirmam que tais aparelhos virão constituir a sexta geração de aviões modernos.

O voo do primeiro drone "furtivo" chinês, construído com base em tecnologias stealth, se realizou em 21 de novembro de 2013. Há quem diga que a China já mantém a 2ª posição após os EUA pelo número de veículos não tripulados militares.

Entretanto, é difícil avaliar o atual parque de drones chinês devido à escassez de informações relativas ao potencial militar daquele país. Sabe-se, contudo, que, pela escala de emprego de drones, vão liderando os EUA e Israel, enquanto pelo nível tecnológico vão ganhando “terreno” os países da UE. Peritos das corporações de construção aeronáutica têm apontado para a eventual redução de 40% dos aviões e helicópteros pilotados ao serviço de diversos países.

Os cálculos foram feitos por analistas convencidos de que a sexta geração de aeronaves “não será pilotada”. Contudo, não existe um consenso quanto às perspectivas de evolução dos drones. O perito da edição Nezavisimoe Voennoe Obozrenie (Revista Militar Independente), Vladimir Scherbakov, tem certeza de que, nos próximos 5 anos, nos países industrializados não haverá alterações radicais na correlação entre os aviões normais e os aviões não tripulados:

“As questões do emprego de drones não foram examinadas na íntegra. Uma aeronave pilotada continua sendo um meio mais eficiente e seguro. No futuro distante, quando se desenvolverem novas tecnologias relacionadas aos sistemas de comando, armamentos e comunicações, os drones poderão vir a substituir os aviões pilotados”.

Ainda de acordo com o perito russo, os drones passarão a ganhar a supremacia aérea devido ao preço mais barato e, com efeito, graças à sua maior vantagem – não põem em risco a vida dos pilotos.

Essa vantagem tem vindo a desempenhar um papel importante já hoje. Por exemplo, na guerra no Vietnã (1965-73), a Força Aérea dos EUA perdeu cerca de 5 mil aviões. Enquanto isso, as perdas dos drones, que efetuaram quase 3,5 mil voos, se estimaram em apenas 4%. Em 1982, durante as operações militares no vale do Bekáa, os veículos não pilotados ajudaram a Força Aérea israelense a evitar perdas e aniquilar por completo o sistema de defesa antiaérea da Síria.

Entretanto, os drones possuem uma série de deficiências de cariz técnico e jurídico. Se o avião deste gênero funcionar com base no programa introduzido, este já não será alterado ou cancelado. O controle do avião comandado à distância poderá ser intercetado ou debilitado pelo adversário, que utiliza para tal programas de computador elementares.

Já houve casos desses com drones norte-americanos no Iraque e no Afeganistão. Um drone, dirigido por um computador, nem sempre é capaz de avaliar objetivamente a situação, podendo até tomar uma decisão errada sobre um ataque. Tais decisões nefastas causaram centenas de vítimas civis no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão.

Ao que parece, este aspeto foi tomado em linha de conta por Vladimir Putin. Há dias, em uma reunião dedicada à Força Aérea, o presidente russo disse que os drones “não são um jogo digital, mas sim sistemas de combate sérios”. Nesse contexto, a Rússia se dispõe a desenvolver programas visando um emprego de drones diferente do seu uso generalizado nos EUA e em outros países.

A propósito, ainda na época da URSS, veículos não tripulados soviéticos circulavam no céu da Europa quando alguns países ocidentais mal procediam à sua projeção. No período compreendido entre 1972 e 1989, na URSS foram produzidos 950 drones de diversos tipos. O programa soviético corou-se de êxito quando foi lançado o vaivém espacial Buran que, em 1988, efetuou um voo em regime automático, incluindo a aterrissagem. Há pouco tempo, no âmbito do Ministério da Defesa, se iniciou um novo programa de instrução de operadores de drones. A mídia ocidental pôs-se a falar logo de projeções secretas de um drone de longo alcance.

Assim, pode-se constatar que o desenvolvimento de veículos não tripulados se transforma num elemento da corrida armamentista contemporânea. Desde 2003 a 2012, as compras mundiais desse tipo de aviões se avaliaram em mais de 3,5 bilhões de dólares. Segundo as previsões da Forecast International, dentro de 10 anos, o mercado de drones irá crescer até 70 bilhões de dólares. Ninguém, contudo, se atreve a prognosticar o volume de danos e o número de mortos que estes engenhos irão causar.

Texto/tradução: Voz da Rússia