COBERTURA ESPECIAL - US RU OTAN - Geopolítica

05 de Maio, 2022 - 12:00 ( Brasília )

"E se Putin declarasse oficialmente guerra em 9 de maio?", pergunta jornal francês


A guerra na Ucrânia continua a estampar as capas dos principais jornais franceses nesta quinta-feira (5). O diário Le Parisien se preocupa com o 9 de maio, data em que a Rússia tradicionalmente comemora o aniversário da vitória contra o regime nazista, em 1945.

"E se Putin declarasse oficialmente guerra em 9 de maio?", pergunta o jornal em manchete. Le Parisien aposta na possibilidade de que o presidente russo aproveite a data para abandonar a expressão "operação militar especial". 

A cada 9 de maio, um imenso desfile militar toma a Praça Vermelha, em Moscou. Muito além de uma festa popular - que reúne centenas de soldados, tanques, helicópteros e aviões - a data é também uma tradicional ocasião para uma demonstração de força da Rússia ao mundo. 

No entanto, desde o início da guerra da Ucrânia, o poderio do Exército de Moscou, considerado como o segundo maior do mundo, veio por água abaixo, afirma Le Parisien. Por isso, a próxima segunda-feira pode ser uma oportunidade para Putin tentar reverter a imagem desgastada de suas forças, prevê Carole Grimaud Potter, professora de geopolítica russa da Universidade de Montpellier, em entrevista ao jornal. 

Discurso de vitória

Especialistas apostam em um discurso de vitória do presidente russo. O historiador militar Cédric Mas acredita que Putin deve, também, aproveitar os holofotes para "transmitir mensagens" aos países ocidentais. Le Parisien destaca que um relatório do think tank britânico Royal United Services Institute indica que a Rússia pode deixar de lado a expressão "operação militar especial" para declarar oficialmente a guerra contra os nazistas do mundo inteiro. 

A declaração está longe de ser meramente simbólica, afirma Le Parisien. Segundo o governo britânico, Putin estaria prevendo declarar a lei marcial, permitindo a convocação de reservistas para avançar mais rapidamente no leste da Ucrânia.

Já os Estados Unidos apostam em uma futura anexação das regiões de Lugansk e Donetsk, "para manter o discurso de uma Rússia vitoriosa". Após dois meses de guerra, as tropas russas conseguiram tomar apenas uma cidade, Mariupol, no sudeste da Ucrânia, conclui o Le Parisien.

Zelensky lança “vaquinha” para reconstruir Ucrânia e comunidade internacional aumenta ajuda financeira

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, lançou nesta quinta-feira (5) uma campanha mundial de coleta de fundos para ajudar seu país. Segundo ele, o dinheiro arrecadado será usado para “vencer a guerra” contra a Rússia e reconstruir as infraestruturas danificadas pelo conflito.

"Em apenas um clique, você pode doar fundos para ajudar nossos defensores, salvar nossos civis e reconstruir a Ucrânia", declarou Zelensky, em inglês, em um vídeo publicado em sua conta no Twitter. Ele também anunciou o lançamento da plataforma United24, por onde podem ser feitas as contribuições. "Cada doação conta para a vitória", disse.

"Apenas juntos temos o potencial de parar a guerra e reconstruir o que a Rússia destruiu", insistiu Zelensky, antes de afirmar que a Ucrânia “vai se lembrar para sempre” das contribuições.

Segundo o presidente, "todos os fundos serão transferidos ao banco nacional da Ucrânia e atribuídos aos ministérios relevantes". Zelensky insistiu que seu governo apresentará uma atualização a "cada 24 horas" sobre como o dinheiro estará sendo usado.

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O site da plataforma (u24.gov.ua) explica que os fundos serão distribuídos para atender às necessidades do país em termos de “defesa”, “assistência médica” e “reconstrução da Ucrânia”.

Conferência internacional de doadores

O lançamento da “vaquinha mundial” para ajudar a Ucrânia foi feito pelo chefe de Estado no mesmo dia em que a comunidade internacional reiterou seu apoio financeiro a Kiev. Segundo o primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, a conferência dos doadores para a Ucrânia, organizada em Varsóvia nesta quinta-feira, já reuniu US$ 6,5 bilhões em promessas de doações.

“Vocês não estão sozinhos. Estamos com vocês”, declarou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, na abertura do encontro presidido pela Polônia e a Suécia, em parceria com a União Europeia e a participação das Nações Unidas. “Nós ajudaremos a reconstruir seu país e sua economia, suas casas, suas escolas, seus hospitais, suas empresas, para um futuro próspero em uma Ucrânia segura. Não se trata de uma visão teórica a longo prazo. A reconstrução começa hoje”, insistiu Michel.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também aproveitou a conferência para anunciar o desbloqueio de € 200 milhões suplementares em ajuda humanitária da parte da UE, o que eleva para € 4 bilhões a contribuição financeira do bloco europeu desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro.

A França também aumentou o valor de sua ajuda de US$1,7 bilhões para US$ 2 bilhões, segundo informou o presidente francês Emmanuel Macron por meio de um vídeo transmitido durante a conferência.


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