COBERTURA ESPECIAL - US RU OTAN - Geopolítica

25 de Março, 2022 - 10:11 ( Brasília )

Comentário Gelio Fregapani - Do conflito na Ucrânia.


Comentário Geopolítico

 
Do conflito na Ucrânia.

 

Em 25 de março 2022

 

 Este comentário não trata de valores nem de justiça das causas, mas dos interesses e opções, particularmente dos interesses do nosso País. Nos afigura que o principal interesse da Rússia tenha sido impedir a proximidade dos mísseis de seu território e o interesse dos EUA seria, aproveitando o desejo da    Ucrânia de participar da OTAN, de dispor de áreas estratégicas para seus foguetes.
 
  Obviamente omitiremos neste comentário a pequena possibilidade de escalada para uma guerra mundial pois isto mudaria tudo. Fica para um próximo comentário, se o conflito caminhar nessa direção. Omitiremos também os interesses secundários em benefício do quadro geral. Vejamos  por um instante os  principais cenários levantados:
 
1-  Vitória decisiva da Rússia –Até pouco tempo parecia o resultado mais provável e ainda é uma das principais possibilidade. Neste caso o mundo se ajeitaria e a Rússia manteria seu status de grande potência conseguindo tudo que quisesse, inclusive a incorporação ou a independência das regiões de russos étnicos.
 
2-  Retirada Russa - Cenário pouco provável. A Rússia ficaria diminuída e humilhada demais para recuar. Neste caso a Rússia deixaria de ser a potência mundial que é atualmente e a OTAN ficaria ainda mais dominante no papel de polícia internacional, ficando a China como único desafiante e que poderia ser igualmente coagido.
 
3 -  Impasse ou o conflito continuar por longo tempo – Parece-nos bastante possível pois pode ser o desejo (oculto?) dos EUA de manter a Rússia se desgastando enquanto eles apenas fornecem armamentos para a Ucrania.
 
Quanto aos nossos interesses, obviamente como  não temos aspirações expansionistas, devemos cuidar do que poderia de alguma forma nos ameaçar e das oportunidades comerciais. O que nos ameaça certamente não é a Rússia, quer em função da distância da mesma, quer em função da rivalidade dela com os principais países que compõe a OTAN, os quais já insinuaram desejos de se meterem na Amazônia a pretexto de proteger o meio ambiente ou a cultura indígena.
 
A decisão do Presidente Bolsonaro de condenar a guerra, mas manter a neutralidade foi perfeita em função do interesse nacional, apesar da simpatia popular pelo lado mais fraco, principalmente se for o agredido; simpatia ampliada por certa imprensa que valoriza este mais do que aos outros fatores.
 
Além da “vitória ou derrota” um conflito também pode terminar em alguma forma de empate, seja por cessarem as divergências, o que no caso é difícil; podem terminar por imposição de um poder superior, o que no caso não existe; pode ainda terminar com o esgotamento dos meios de ambos os lados. É exatamente em função desta forma de “empate” que podemos inferir que a estratégia ideal para os EUA seja impedir o esgotamento dos meios ucranianos de forma a prolongar o conflito ao máximo para desta maneira esgotar a Rússia. Talvez seja isto que aconteça.
 
De qualquer modo esse conflito  um dia terminará.  Poderá permanecer a modificação do sistema econômico causado pelas sansões.
 
Para nós ficará a certeza que teremos com a máxima urgência de incorporar as terras indígenas à economia nacional, independente do que pense o mundo; que teremos que procurar a auto suficiência nos setores estratégicos e que precisaremos de Força Militar, inclusive nuclear, se quisermos viver em paz e continuarmos soberanos.
 
Que Deus nos inspire a aproveitar corretamente as oportunidades que esse triste conflito nos trás.
 
 Gelio Fregapani


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