COBERTURA ESPECIAL - US RU OTAN - Geopolítica

08 de Março, 2022 - 11:30 ( Brasília )

A estratégia da guerrilha ucraniana: desgaste, resistência, assédio


Após 12 dias de combates, uma das únicas certezas do conflito na Ucrânia reside na eficácia da guerrilha ucraniana, que contém consideravelmente o avanço russo.

- Preparação - A partir de 2016, a OTAN e Kiev iniciaram um programa de formação de forças especiais, que atualmente chegam a 2.000 membros. Estas forças - ágeis, rápidas, flexíveis - são competentes na mobilização de tropas e na guerrilha urbana, e essenciais junto aos cidadãos transformados em soldados. "Os ucranianos passaram os últimos anos planejando, treinando e equipando para resistir a ocupação russa", diz Douglas London, ex-oficial de operações clandestinas da CIA, ao site Foreign Affairs.

A estratégia ucraniana "não busca repelir a invasão russa, mas dessangrar Moscou até que a ocupação se torne insustentável", apontou. "Uma insurreição que tem provisões seguras, amplas reservas de combatentes e santuários além de suas fronteiras pode se manter indefinidamente", acrescentou.

- Terreno - O conhecimento do terreno, tanto rural, quanto urbano, representa uma vantagem para a insurreição, assim como as redes locais de combatentes ou informantes, de soldados a avós.

"Mesmo que Davi possa perder sua luta inicial contra Golias, tem irmãos e irmãs que não estão armados unicamente com estilingues", resume Spencer Meredith, professor da National Defense University de Washington. Os confrontos urbanos certamente vão aumentar. E "isso muda tudo", afirma uma fonte militar francesa, para quem "isso levará os russos ao erro em cada esquina".

Mais de 12 mil soldados russos já morreram em combate, diz Ucrânia



O Ministério das Relações Exteriores ucraniano (MFA, na sigla em inglês), divulgou na manhã desta terça-feira (8) que mais de 12 mil soldados russos morreram durante os conflitos armados entre Rússia e Ucrânia, que chegaram ao 13º dia. As informações são do Metrópoles. Os números são preliminares de acordo com o órgão. Segundo o MFA, 48 aviões e 80 helicópteros russos foram destruídos. Além disso, há baixa de 303 tanques, 1.036 veículos blindados e 120 peças de artilharia.

Segundo informações das autoridades ucranianas, 56 lançadores de mísseis, 474 veículos, três embarcações, sete veículos aéreos não tripulados e 27 equipamentos de guerra antiaérea foram perdidos pelos russos.

Possível ‘cessar-fogo’

Depois de impasses desde o fim de semana, as forças russas informaram ter iniciado um cessar-fogo às 10h da manhã desta terça-feira (8) no horário local (5h em Brasília) para que civis possam deixar áreas conflagradas e onde já faltam recursos básicos.

As Forças Armadas ucranianas declararam mais cedo que o inimigo “continua em uma operação ofensiva, mas o ritmo de avanço de suas tropas diminuiu significativamente”.

O aparente recuo russo ocorre no momento em que as potências ocidentais intensificam as sanções econômicas sobre o país de Vladimir Putin e discutem seriamente um boicote ao petróleo russo, numa jogada que envolve a compra do produto na Venezuela pelos Estados Unidos.

Segundo a agência de notícias estatal russa Interfax, corredores humanitários foram abertos a partir da capital, Kiev, além de Cherhihiv, Sumy, Kharkiv e Mariupol. A princípio, os países não entraram em um consenso sobre qual rota seguir. A proposta era que as pessoas fossem levadas para território russo e belorrusso, mas a Ucrânia não concordou.

Até o momento, só a rota do corredor humanitário que saiu de Sumy foi confirmada pelo governo ucraniano. O grupo seguirá para Poltava, no centro do país.


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