COBERTURA ESPECIAL - US RU OTAN - Geopolítica

25 de Fevereiro, 2022 - 10:00 ( Brasília )

Tambores de Guerra: Rússia afirma estar encerrando guerra e não iniciando

Exército russo se aproxima de Kiev para ‘decapitar’ o governo, diz EUA

“O Ocidente ignorou por oito anos o ‘mar de sangue’ em Donbass, na Ucrânia, e agora fala que estamos começando uma guerra quando nós estamos encerrando um conflito”. Foi assim que a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, definiu ao portal RT as ações russas desde a última madrugada.

A Rússia não cometeu nenhum tipo de agressão”, insistiu Zakharova. “Isso não começou ontem. Há um mar de sangue que apareceu nos últimos 8 anos”, acrescentou ela, referindo-se ao conflito nas regiões de Donetsk e Lugansk, que a Rússia reconheceu na segunda-feira como estados independentes.

Quando perguntada sobre a declaração do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky de que a Ucrânia queria a paz, Zakharova devolve a pergunta questionando o motivo de o vizinho estar se armando e se recusando a negociar com o Donbass.

“Se a Ucrânia queria a paz, por que eles conseguiram todas essas armas de todo o mundo”?, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores à RT, acrescentando: “Estava claro que eram armas ofensivas. Com quem eles estavam lutando? Seu próprio povo no sudeste da Ucrânia, e falou muitas vezes sobre a tomada da Crimeia”.

EUA enviam 7 mil soldados para a Europa após invasão

O secretário de Defesa dos Estados Unidos ordenou nesta quinta-feira (24) o envio de sete mil militares americanos para a Europa, disse um alto funcionário da defesa a repórteres. A informação foi divulgada pelo canal de notícias CNN.

“Isso incluiria uma equipe de combate de brigada blindada com capacidades e capacitadores associados. Eles serão enviados à Alemanha para tranquilizar os aliados da OTAN, impedir a agressão russa e estar preparados para atender a uma série de requisitos na região. Esperamos que eles partam nos próximos dias”, falou o funcionário, que não foi identificado.

Conforme informou a CNN, em comentários da Casa Branca, Biden reiterou que as forças dos Estados Unidos “não estão e não estarão envolvidas em um conflito com a Rússia na Ucrânia".

“Nossas forças não estão indo para a Europa para lutar na Ucrânia, mas para defender nossos aliados da OTAN e tranquilizar esses aliados no Leste”, acrescentou o funcionário. Mais cedo, Biden realizou o primeiro pronunciamento depois da invasão russa na Ucrânia.

O presidente americano afirmou que "Putin é o agressor” e que “ele escolheu essa guerra, e agora terá que arcar com as consequências". Na sequência, Biden garantiu que os EUA vão "defender cada milímetro do território da OTAN”, e anunciou intensas sanções econômicas à Rússia.

"Hoje, estou impondo novas sanções e limitações de exportações para a Rússia. Isso vai custar caro para a economia russa, tanto de forma imediata quanto a longo prazo. Nós desenvolvemos essas sanções para maximizar um impacto a longo prazo sobre a Rússia e minimizar os impactos sobre os Estados Unidos e nossos aliados", disse Biden.


Exército russo se aproxima de Kiev para ‘decapitar’ o governo, diz EUA

Com "superioridade aérea absoluta", o exército russo se aproximava de Kiev, a capital ucraniana, nesta quinta-feira (24) com a intenção de "decapitar o governo" e substituí-lo por um pró-Rússia, segundo fontes militares ocidentais.

Depois de disparar mais de 160 mísseis contra alvos militares ucranianos, as forças russas avançaram rapidamente ao sul a partir de Belarus e "se aproximaram de Kiev" ao longo do dia, indicou um alto funcionário do Pentágono.

"Basicamente, têm a intenção de decapitar o governo e instalar sua própria forma de governo, o que explicaria este avanço inicial para Kiev", avaliou.

De acordo com o funcionário de inteligência ocidental, "as defesas aéreas da Ucrânia foram eliminadas e eles não têm mais força aérea para se proteger".

"Nas próximas horas, os russos tentarão concentrar uma força avassaladora em torno da capital e a defesa agora recai sobre as forças terrestres e a resistência popular", explicou.

"Pouco tempo"

As tropas russas estarão ao redor de Kiev "em questão de dias, ou amanhã de manhã, no ritmo em que estão avançando", enfatizou. "Não resta muito tempo. Acho que muito vai depender da resistência dos ucranianos."

Até o momento, a Rússia avançou no território ucraniano em três eixos: ao sul, a partir da Crimeia, até a cidade de Kherson, através do rio Dnieper, ao norte a partir de Belarus até Kiev, ao longo de duas estradas a nordeste e noroeste da capital ucraniana, e ao leste da cidade russa de Belgorod até a grande cidade industrial de Kharkov, segundo estimativas do Pentágono.

O funcionário dos EUA relatou inicialmente 75 missões de bombardeiros e 100 lançamentos de mísseis de vários tipos, incluindo mísseis mar-terra disparados do Mar Negro, mas depois disse que o número de mísseis disparados desde o início da ofensiva russa havia subido para “mais de 160”.

"A maioria deles são mísseis balísticos de curto alcance, mas há também mísseis de médio alcance e mísseis de cruzeiro", especificou.

"Também lançaram mais paraquedistas sobre Kharkov e estimamos que ainda haja combates intensos" nesta área no leste da Ucrânia.

Os ataques se concentraram em alvos militares, inclusive bases aéreas e o comando do exército ucraniano, mas segundo o Pentágono, o objetivo é tomar o controle de cidades-chave, sobretudo da capital, Kiev.

As forças russas atacaram o aeroporto militar de Antonov em Gostomel, nos arredores da capital ucraniana, onde os combates pareciam continuar nas últimas horas do dia.

Reforços americanos

Este aeroporto pode se tornar um ponto de encontro para o exército russo se quiser cercar a capital.

"Se Moscou conseguir controlar e manter a superioridade aérea (o que é muito possível), podem usar o aeroporto como ponto de entrada para atacar Kiev", tuitou Michael Horowitz, especialista em segurança do Consultant Le Beck International.

O alto funcionário do Pentágono enfatizou que esta ofensiva não tem precedentes em mais de 70 anos.

"Não vimos um movimento convencional como este, de um Estado-nação para outro, desde a Segunda Guerra Mundial, certamente nada deste tamanho, alcance e escala", disse ele.

No entanto, até agora, os russos não entraram no oeste da Ucrânia e não há indícios de um ataque anfíbio no sul vindo do Mar Negro, explicou a fonte.

Não há estimativas de danos ou baixas no exército ucraniano. "Há indícios de que estão resistindo e contra-atacando", afirmou o funcionário.

As comunicações do país parecem funcionar, destacou. Ele acredita que em uma segunda fase ocorrerá um ciberataque para paralisá-las.

O Pentágono não confirmou a destruição de aviões militares russos ou a tomada da usina nuclear de Chernobyl pelos militares russos.

Mas o Pentágono enviará 7.000 soldados adicionais à Alemanha para "tranquilizar os aliados da Otan, impedir um ataque russo e estar preparado para atender às necessidades da região".

Esses militares dos EUA se juntam aos 5.000 já enviados pelo presidente Joe Biden à Alemanha e ao flanco leste da Otan.

Contando com os reforços anunciados nesta quinta-feira, os Estados Unidos terão mais de 90.000 soldados na Europa.


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