COBERTURA ESPECIAL - US RU OTAN - Geopolítica

21 de Fevereiro, 2022 - 11:11 ( Brasília )

Rússia preparou lista de ucranianos que devem ser assassinados ou capturados, afirma EUA


A Rússia preparou uma lista de ucranianos que devem ser assassinados ou capturados em caso de uma invasão da Ucrânia, afirmou o governo dos Estados Unidos em uma carta enviada ao organismo de direitos humanos da ONU e da qual a AFP obteve uma cópia no domingo.

A carta destaca que Washington está "profundamente preocupado" e alerta para uma potencial "catástrofe de direitos humanos". O governo dos Estados Unidos tem "informação confiável que indica que as forças russas estão elaborando listas de ucranianos que devem ser assassinados ou enviados para acampamentos após uma ocupação militar", afirma a carta.

"Também temos informação confiável de que as forças russas usariam medidas letais para dispersar protestos pacíficos ou de alguma forma contra-atacar o exercício pacífico da resistência de populações civis", acrescenta a mensagem enviada à Alta Comissária para os Direitos Humanos da ONU, a chilena Michelle Bachelet.

A nota, assinada pela embaixadora americana na ONU em Genebra, Bathsheba Nell Crocker, adverte que uma invasão russa da Ucrânia provocaria abusos como sequestros ou tortura, e poderia atingir dissidentes políticos e religiosos e minorias étnicas.

A Rússia enviou mais de 150.000 soldados para a fronteira com a Ucrânia nas últimas semanas Moscou nega planos de atacar o país vizinho, mas pretende obter garantias de que a Ucrânia não vai aderir à Otan e que Organização do Tratado do Atlântico Norte removerá suas forças do leste da Europa, propostas rejeitadas pelo países ocidentais.


Kremlin esfria esperança de reunião Putin-Biden

O Kremlin considerou nesta segunda-feira (21) "prematura" a organização de uma reunião de cúpula entre os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Joe Biden, jogando um balde de água fria ao anúncio francês sobre o encontro para tentar desativar o risco de uma invasão russa à Ucrânia.

A presidência da França anunciou no domingo um acordo de princípio para a celebração da reunião após uma intensa gestão diplomática do chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, que teve duas longas conversas telefônicas no domingo com Putin, além de diálogos com Biden e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

Os países ocidentais temem que a intensificação dos combates nos últimos dias no leste da Ucrânia com separatistas pró-Rússia seja utilizada como pretexto por Moscou, que enviou 150.000 soldados para a fronteira ucraniana, para invadir o país vizinho.

"Há um entendimento sobre o fato de ter que continuar o diálogo entre ministros (das Relações Exteriores). Falar sobre planos concretos para organizar reuniões de cúpulas é prematuro", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

No momento está prevista uma reunião na quinta-feira entre os chefes da diplomacia russa e americana, Serguei Lavrov e Antony Blinken.

"É possível atualmente avançar para uma reunião de cúpula e corresponde ao presidente Putin tomar sua decisão", afirmou uma fonte da presidência francesa, que destacou uma situação "muito perigosa" na Ucrânia.

Em outro sinal dos esforços dos europeus para evitar uma guerra, o chanceler alemão Olaf Scholz conversará no fim da tarde com Putin.

A respeito do encontro de cúpula considerado "prematuro" por Moscou, Estados Unidos e França insistiram que só poderá acontecer se a Rússia não invadir a Ucrânia.

Obus contra posto de fronteira

Os confrontos prosseguiam nesta segunda-feira no leste da Ucrânia e, segundo fontes das forças de segurança da Rússia, os incidentes afetaram o território do país, com um bombardeio de um posto de fronteira por parte das forças ucranianas, o que foi desmentido por Kiev.

"Em 21 de fevereiro, às 9h50, um obus de tipo não identificado disparado do território da Ucrânia destruiu o posto de serviço dos guardas de fronteira na região de Rostov, a uma distância de cerca de 150 quilômetros da fronteira russo-ucraniana", relatou o FSB (serviço de inteligência), citado pelas agências russas de notícias.

O exército ucraniano negou qualquer bombardeio no território russo e acusou Moscou de divulgar "informações falsas".

"Não podemos impedir que produzam informação falsa, mas sempre podemos enfatizar que não atiramos contra infraestruturas civis ou algum território na região de Rostov, ou qualquer outra coisa", declarou o porta-voz militar ucraniano Pavlo Kovalshuk.

Vladimir Putin deve coordenar nesta segunda-feira uma reunião do conselho de segurança russo, o poderoso organismo que reúne os principais comandantes do exército e dos serviços de inteligência.

Kiev afirmou que registrou 14 bombardeios dos rebeldes pró-Rússia, que deixaram um soldado ferido.

Os separatistas informaram a morte de três civis nas últimas 24 horas, assim como a explosão de um depósito de munições na região de Novoazovsk, sobre o qual acusaram "sabotadores ucranianos".

Não foi possível confirmar as informações com fontes independentes.

"Situação extremamente tensa"

" autoproclamadas do leste da Ucrânia ordenaram a mobilização dos homens em condições de combater e a transferência de civis para a Rússia. Moscou informou nesta segunda-feira que 61.000 pessoas deixaram a região.

"Eles nos bombardeiam, aterrorizam as crianças. Seus aviões sobrevoam a cidade (...) e vimos as coisas explodindo, pegando fogo", disse à AFP uma das pessoas que deixou a região, Liudmila Kliuiko, 56 anos, ao chegar a Taganrog, na Rússia.

O Kremlin reiterou que a "situação é extremamente tensa" na frente leste ucraniana, e expressou "preocupação".

Os separatistas pró-Rússia que lutam contra Kiev mantêm um conflito no leste do país que provocou mais de 14.000 mortes desde 2014, agravado após a anexação da Crimeia ucraniana pela Rússia.

Moscou nega ter planos para invadir a Ucrânia, mas exige garantias de que a ex-república soviética não vai aderir à Otan e o fim da expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte para suas fronteiras. As demandas foram rejeitadas pelo Ocidente.

Os países ocidentais ameaçaram impor sanções econômicas devastadoras em caso de ataque russo contra a Ucrânia.

 


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