COBERTURA ESPECIAL - US RU OTAN - Geopolítica

21 de Fevereiro, 2022 - 11:00 ( Brasília )

Tropas russas vão continuar em Belarus para manobras militares


Belarus anunciou neste domingo (20) que os exercícios militares conjuntos com a Rússia realizados em seu território, que deveriam terminar no mesmo dia, continuariam devido ao aumento das tensões na vizinha Ucrânia. Este anúncio significa que as tropas russas permanecerão em Belarus, em meio a uma crise com o Ocidente, apesar da promessa de Moscou de que suas forças deixariam este país às portas da União Europeia após essas manobras realizadas desde 10 de fevereiro.

"Tendo em vista o aumento da atividade militar perto das fronteiras (...) e o agravamento da situação no Donbas, os presidentes de Belarus e da Rússia decidiram continuar a inspeção das forças", declarou o ministério da Defesa bielorrusso em sua conta no Telegram neste domingo.

Durante esta "inspeção" de tropas, um termo para manobras militares, os "elementos de defesa" de Belarus e da Rússia "que não foram abordados com tantos detalhes durante o treinamento anterior serão examinados em profundidade", continuou o ministério.

De acordo com Minsk, o objetivo das manobras continua sendo "garantir uma resposta adequada e uma desescalada dos preparativos militares realizados por pessoas mal intencionadas perto das fronteiras".

O leste da Ucrânia, onde as forças de Kiev lutam contra os separatistas apoiados por Moscou desde 2014, está sob uma nova onda de tiros, particularmente perigosa devido ao aumento das tensões entre Moscou e o Ocidente.

A Rússia, apesar de seus anúncios de retirada militar, é acusada de ter reunido 150.000 soldados nas fronteiras ucranianas em vista de uma invasão. Washington garante que Moscou procura um casus belli e que a violência no leste pode ser esse pretexto.

Moscou nega qualquer plano nesse sentido, mas pede "garantias" para sua segurança, em particular a promessa de que Kiev nunca ingressará na Otan, e multiplicou os exercícios militares na região.

Neste domingo, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson disse que uma invasão russa viria não apenas do leste, mas também do norte, de Belarus, para "cercar Kiev", a capital ucraniana.

O Kremlin não informou quantos soldados russos estavam participando dos exercícios em Belarus, mas Washington estimou seu número em 30.000.

Segundo a Presidência francesa, o presidente russo Vladimir Putin prometeu, durante uma conversa com seu colega francês Emmanuel Macron no início de fevereiro, que as tropas russas se retirariam de Belarus após o fim dos exercícios.

O chefe da diplomacia de Minsk, Vladimir Makei, também garantiu que as tropas russas se retirariam após essas manobras.

Em um comunicado, o ministro da Defesa bielorrusso, Viktor Khrenine, criticou os ocidentais que "se recusam a ver as 'linhas vermelhas' definidas pela Rússia".

Ele estimou que a Europa estava sendo "deliberadamente empurrada para a guerra".

EUA defendem decisão de esperar sanções à Rússia, apesar do apelo de Zelenskiy¹

O governo do presidente dos Estados Unidos Joe Biden se recusou, neste domingo, a aplicar sanções à Rússia antes de uma invasão russa na Ucrânia, apesar das crescentes críticas de Kiev e de rivais domésticos. Os Estados Unidos e o Reino Unido alertaram repetidamente nos últimos dias que a Rússia está prestes a lançar uma invasão militar contra a Ucrânia, um plano que a Rússia nega.

Aplicar sanções ao governo de Vladimir Putin antes que ele invada apenas garantiria que uma crise como essa ocorra imediatamente, argumentam autoridades dos EUA. "O objetivo das sanções, em primeira instância, é tentar impedir a Rússia de ir à guerra. Assim que você as acionar, a dissuasão desaparece", disse o secretário de Estado Antony Blinken ao programa "Estado da União", da CNN.

Países do Ocidente ameaçaram Moscou com severas sanções econômicas caso o país avance com uma invasão que, segundo elas, puniria bancos estatais e oligarcas russos, limitaria as exportações e prejudicaria a economia. O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy e um crescente coro de críticos argumentam que, se os Estados Unidos e seus aliados têm tanta certeza de que Putin planeja invadir, eles deveriam aplicar sanções imediatamente.

EUA tomam medidas para conter impacto indireto de crise na Ucrânia nos custos de energia

Pode haver um impacto indireto nos preços de energia pagos pelos consumidores norte-americanos devido às tensões em curso entre a Rússia e a Ucrânia, disse a vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, acrescentando que o governo dos EUA está trabalhando para mitigar os efeitos.

Em Munique onde participou de uma cúpula de segurança, Harris disse que os Estados Unidos estão tomando "medidas específicas e apropriadas" para se preparar para quaisquer custos potenciais. Harris também repetiu a afirmação do presidente Joe Biden de que o presidente russo Vladimir Putin já havia tomado a decisão de atacar a Ucrânia.

A Rússia nega que planeja a invasão. A vice-presidente disse a repórteres que os Estados Unidos vão reavaliar sua ajuda prometida à Ucrânia nos próximos dias. Os Estados Unidos já disponibilizaram 1 bilhão de dólares em garantias de empréstimos e forneceram 650 milhões de dólares em equipamentos e serviços de defesa ao país no ano passado.

Estônia pede aos EUA que envie jatos para defender espaço aéreo báltico

A Estônia pediu que os Estados Unidos enviem jatos ao Estados Bálticos para defender seus espaços aéreos, em meio a preocupações de que a Rússia possa estar preparada para atacar a Ucrânia, o que levaria a um conflito na região, afirmou o ministro da Defesa do país neste sábado.

"Existe uma possibilidade de que, se a Ucrânia cair, os Estados Bálticos sejam os próximos", disse o ministro estoniano Kalle Laanet à Reuters após reunião com o secretário da Defesa dos EUA, Lloyd Austin, na capital lituana Vilnius.

Os três Estados Bálticos Lituânia, Letônia e Estônia já foram governados por Moscou, mas agora fazem parte da Otan e da União Europeia. Eles não operam caças próprios.

Ministro das Relações Exteriores da China diz que Acordo de Minsk é "única saída" para a Ucrânia

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, referiu-se neste sábado ao Acordo de Minsk como "única saída" para resolver a situação da Ucrânia, e disse que o país não deve ser uma linha de frente para a competição entre as grandes potências.

Wang disse, em uma conferência de segurança via videolink, que todas as partes devem se sentar para ter uma discussão aprofundada e elaborar um roteiro e um cronograma para a implementação do Acordo de Minsk. A soberania, independência e integridade territorial de qualquer país devem ser respeitadas e salvaguardadas, disse Wang.

¹com Reuters


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