COBERTURA ESPECIAL - US RU OTAN - Geopolítica

12 de Fevereiro, 2022 - 10:00 ( Brasília )

Tambores de Guerra: Rússia tem tropas suficientes para invadir a Ucrânia, dizem EUA


A Rússia reuniu tropas suficientes perto da Ucrânia para lançar uma grande invasão, disse Washington nesta sexta-feira, ao pedir a todos os cidadãos norte-americanos que deixem o país dentro de 48 horas, depois que Moscou endureceu ainda mais sua resposta à diplomacia ocidental.

Um ataque russo poderia começar a qualquer dia e provavelmente começaria com um ataque aéreo, disse o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan. Ele disse que a inteligência dos EUA acredita que um ataque rápido a Kiev também é uma possibilidade, e que o presidente russo, Vladimir Putin, pode ordenar uma invasão antes do final dos Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim, em 20 de fevereiro.

No entanto, não está claro se Putin deu definitivamente essa ordem, afirmou Sullivan em uma entrevista coletiva. Putin e o presidente dos EUA, Joe Biden, falarão por telefone no sábado, de acordo com uma autoridade da Casa Branca e a agência de notícias russa RIA.

A agência de notícias russa TASS informou que Putin falará com o presidente francês, Emmanuel Macron, no mesmo dia. Quatro autoridades dos EUA disseram à Reuters nesta sexta-feira que Washington enviará 3.000 soldados extras para a Polônia nos próximos dias para tentar ajudar a tranquilizar os aliados da OTAN.

Eles se somam aos 8.500 já em alerta para mobilização à Europa, se necessário. Anteriormente, imagens de satélite de uma empresa dos EUA mostraram novas mobilizações militares russas em vários locais perto da fronteira. Depois de dizer à NBC News que as coisas na Ucrânia "podem enlouquecer rapidamente", Biden falou por telefone sobre a crise com os líderes de Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Polônia e Romênia, bem como os chefes da OTAN e da União Europeia.

Os líderes levantaram preocupações sobre o aumento militar da Rússia, expressaram o desejo de uma solução diplomática e concordaram em fazer esforços coordenados para impedir a agressão russa, inclusive estando prontos para impor "consequências enormes e custos econômicos graves" a Moscou se a Rússia optar pela escalada militar, disse a Casa Branca após a ligação.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que os países ocidentais, com a ajuda da mídia, estão espalhando informações falsas para tentar desviar a atenção de suas próprias ações agressivas.

"DEVASTADORA E DESTRUTIVA"

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que se juntou a outras nações para pedir a seus cidadãos que deixem a Ucrânia, disse na ligação com Biden que teme pela segurança da Europa.

Ele enfatizou a necessidade de "um pacote pesado de sanções econômicas pronto para ser lançado, caso a Rússia tome a decisão devastadora e destrutiva de invadir a Ucrânia", disse o gabinete de Johnson.

Japão, Letônia, Noruega e Holanda também aconselharam seus cidadãos a deixarem a Ucrânia imediatamente. Israel afirmou que estava retirando parentes de funcionários da embaixada.

Moscou, enquanto isso, disse que as respostas enviadas esta semana pela UE e pela OTAN às suas demandas de segurança mostravam "desrespeito".

Ofensiva diplomática continua, mas EUA teme invasão iminente da Ucrânia

O presidente russo, Vladimir Putin, volta a conversar por telefone neste sábado (12) com seus homólogos americano, Joe Biden, e francês, Emmanuel Macron, no momento em que Washington teme uma ofensiva iminente contra a Ucrânia.

O fantasma de uma guerra está fazendo muitos países ocidentais aconselharem seus cidadãos a deixarem a Ucrânia. Neste sábado, a Rússia também aumentou a preocupação internacional, ao admitir que está reduzindo seu pessoal diplomático em Kiev, devido a "provocações" da Ucrânia e de países ocidentais.

Em meio a este alerta generalizado, a diplomacia se intensifica neste fim de semana. Biden conversa hoje com Putin, depois de uma reunião de seus respectivos chefes do Estado-Maior conjunto na sexta-feira. Também está previsto um telefonema entre Putin e Macron.

Em paralelo, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, conversa neste sábado com o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov.

"Se a Rússia estiver realmente interessada em resolver esta crise por meio da diplomacia e do diálogo, nós estamos prontos também", declarou Blinken.

"Mas tudo isto em um contexto de desescalada e, por enquanto, vimos apenas o contrário por parte de Moscou", frisou, insistindo em que este é um momento "chave".

"Estamos preparados para tudo", garantiu.

Blinken reiterou que os Estados Unidos e seus aliados vão impor sanções, "rapidamente", contra a Rússia, se ela invadir a Ucrânia, algo que, segundo o secretário, pode acontecer "a qualquer momento".

"Não sabemos se o presidente (Vladimir) Putin tomou essa decisão (...) o que sabemos é que ele se preparou para agir em um prazo muito curto", completou.

Na sexta-feira, o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, disse que a ofensiva é uma "possibilidade muito, muito real", mas a Inteligência americana não sabe se o presidente russo "tomou uma decisão final", ou não.

As autoridades americanas não descartam que a Rússia tome essa decisão mesmo durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, que terminam em 20 de fevereiro.

Manter a calma

"Neste momento, é extremamente importante manter a calma, se consolidar fora do país, evitar atos que desestabilizem a situação e semeiam o pânico", declarou o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia em um comunicado divulgado neste sábado.

"As Forças Armadas ucranianas monitoram a situação e estão prontas para responder a qualquer agressão do território ucraniano", acrescentou.

As autoridades ucranianas disseram ainda que estão "em contato 24 horas por dia com todos os sócios-chave" e recebem rapidamente informações sobre a situação.

"Continuamos trabalhando para reduzir a tensão e contar com o apoio dos nossos sócios internacionais para manter a Rússia dentro do marco diplomático", acrescentou o Ministério ucraniano.

De Moscou, a porta-voz do Ministério russo das Relações Exteriores, Maria Zakharova, criticou a "histeria" em Washington.

"A histeria da Casa Branca é mais reveladora do que nunca. Os anglo-saxões precisam de uma guerra. A qualquer custo. As provocações, a desinformação e as ameaças são o método preferido para resolver seus próprios problemas", afirmou a porta-voz no aplicativo de mensagens Telegram.

Neste sábado, a Rússia começou novas manobras navais no mar Negro para "defender a costa marítima da península da Crimeia", anexada em 2014, de potenciais ameaças.

"Mais de 30 navios da Frota do Mar Negro partiram de Sebastopol e de Novorossiisk, seguindo o plano do exercício", relatou o Ministério da Defesa.

Nos últimos dias, a Rússia também está fazendo manobras em Belarus, nas fronteiras da União Europeia e da Ucrânia. Para os países ocidentais, todos esses exercícios são particularmente preocupantes porque cercam o território da Ucrânia militarmente.

EUA vão enviar 3.000 soldados adicionais à Polônia 'nos próximos dias'



Os Estados Unidos decidiram enviar 3.000 soldados adicionais à Polônia para "tranquilizar os aliados da OTAN", em um momento em que Washington teme uma invasão militar russa da Ucrânia, anunciou um alto funcionário do Pentágono.

Estes 3.000 soldados da 82ª divisão aerotransportada, a principal força de reação rápida do exército americano, foram colocados de prontidão em janeiro a pedido do presidente Joe Biden, que quer tranquilizar seus aliados do leste europeu sobre o apoio dos Estados Unidos frente à Rússia.

Quando o ministro da Defesa, Lloyd Austin, determinar, eles vão deixar a base de Fort Bragg, na Carolina do Norte, "nos próximos dias" e deveriam chegar à Polônia "no começo da próxima semana", destacou o funcionário, que pediu para ter a identidade preservada.

Eles vão se unir a outros 2.000 soldados da 82ª divisão e sua direção, cujo deslocamento foi anunciado em 2 de fevereiro, 1.700 dos quais na Polônia e 300 na Alemanha, onde está baseado o comando das forças americanas na Europa.

"No total, estes 5.000 soldados suplementares representam uma força altamente móvel e flexível, capaz de missões múltiplas", ressaltou o alto funcionário.

"Foram mobilizados para tranquilizar os aliados da OTAN, dissuadir todo ataque potencial contra o flanco leste da OTAN, formar as forças dos países de acolhida e contribuir em uma ampla gama de tarefas", acrescentou.

Eles vão se somar aos cerca de 80.000 soldados americanos mobilizados na Europa em bases permanentes ou por rotação.

Os Estados Unidos afirmaram nesta sexta-feira que a Rússia poderia invadir a Ucrânia antes mesmo do encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, em 20 de fevereiro, revivendo o fantasma de uma guerra na Europa em uma escalada dramática após uma intensa fase diplomática.

 


VEJA MAIS