COBERTURA ESPECIAL - Tambores de Guerra - Geopolítica

28 de Junho, 2022 - 11:30 ( Brasília )

Medvedev diz que qualquer incursão da OTAN na Crimeia pode levar à Terceira Guerra Mundial

Otan vai aumentar número de tropas em alerta máximo para mais de 300 mil, diz secretário-geral

Qualquer incursão na península da Crimeia por um Estado-membro da OTAN pode equivaler a uma declaração de guerra à Rússia que pode levar à "Terceira Guerra Mundial", disse o ex-presidente da Rússia Dmitry Medvedev nesta segunda-feira.

"Para nós, a Crimeia é parte da Rússia. E isso significa para sempre. Qualquer tentativa de invadir a Crimeia é uma declaração de guerra contra nosso país", disse Medvedev ao site de notícias Argumenty i Fakty.

"E se isso for feito por um Estado-membro da OTAN, isso significa conflito com toda a aliança do Atlântico Norte; uma Terceira Guerra Mundial. Uma catástrofe completa."

Medvedev, agora vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, também disse que se a Finlândia e a Suécia se juntarem à OTAN, a Rússia fortalecerá suas fronteiras e estará "pronta para medidas de retaliação", e isso poderia incluir a perspectiva de instalar mísseis hipersônicos Iskander "em seu limiar".

Kremlin diz que OTAN é "bloco agressivo"

O Kremlin rotulou nesta terça-feira a aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) como um "bloco agressivo" que foi criado para o confronto.

A aliança militar anunciou na segunda-feira um acúmulo maciço de tropas em toda a Europa, destinado a reforçar suas defesas. Em uma conferência telefônica com repórteres, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, também disse que a campanha da Rússia na Ucrânia, que Moscou chama de "operação militar especial", irá alcançar seus objetivos.

OTAN vai aumentar número de tropas em alerta máximo para mais de 300 mil, diz secretário-geral

A OTAN irá aumentar o número de tropas em alerta máximo em mais de sete vezes, para mais de 300 mil, afirmou o secretário-geral da aliança, Jens Stoltenberg, nesta segunda-feira, enquanto os aliados se preparam para adotar uma nova estratégia para descrever a Rússia como uma ameaça direta após quatro meses de guerra na Ucrânia.

A invasão russa da Ucrânia em fevereiro provocou uma mudança geopolítica expressiva no Ocidente, levando países antes neutros, como Finlândia e Suécia, a se inscreverem para aderir à OTAN, e a Ucrânia a garantir o status de candidata formal a se juntar à União Europeia.

"A Rússia se afastou da parceria e do diálogo que a OTAN tentou estabelecer com seu governo por muitos anos", afirmou o secretário-geral em Bruxelas, antes de uma cúpula da OTAN que acontece durante a semana em Madri.

"Eles escolheram o confronto ao invés do diálogo. Lamentamos isso, mas é claro, precisamos responder a essa realidade", disse Stoltenberg a jornalistas.

A cúpula da OTAN, entre 28 a 30 de junho, acontece em um momento crítico para a aliança, após fracassos no Afeganistão e por um período de discordância durante o mandato do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que ameaçou retirar Washington da aliança.

Stoltenberg disse que a OTAN no futuro teria "bem mais de 300 mil" tropas em alerta máximo, em comparação com as 40 mil tropas que atualmente compõem a força de reação rápida da aliança, a Força de Resposta da OTAN (NRF, na sigla em inglês).



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