Lula precisa cair na realidade: Zona de Paz não defende soberania

O duplo discurso de Lula e Celso Amorim confrontado com a realidade. A Zona de Paz além de inócua é negada pelo discurso inflamatório e belicista de verdadeiro “warmonger” de Celso Amorim.  

Fiel Observador
DefesaNet

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva insiste em repetir em entrevistas, telefonemas a líderes estrangeiros e em fóruns internacionais que a América Latina deve ser uma “zona de paz”.

A ideia soa bonita, quase poética, mas é ingênua e pode ser perigosa. No mundo real, não protege fronteiras, não garante dissuasão e tampouco preserva a soberania brasileira. A política externa baseada em slogans perdeu validade num cenário internacional cada vez mais duro, competitivo e imprevisível onde a ordem internacional baseada em regras foi enterrada.

O Brasil vive numa região formalmente pacífica, é verdade. Mas paz não é ausência de ameaças — é capacidade de impedir que elas se concretizem. O entorno estratégico brasileiro está longe de ser estável: regimes colapsados se tornando colônias estrangeiras, crime transnacional armado, pressões geopolíticas sobre recursos naturais e disputas indiretas entre grandes potências já alcançam a América do Sul. Fingir que isso não existe é confundir desejo com realidade.

Enquanto o discurso oficial inspirado na visão ideológica de seu assessor especial e ministro de fato da Defesa e das Relações Exteriores, Celso Amorim, que romantiza a diplomacia do soft power, do Sul Global ou do finado BRICS, o país mantém defesas frágeis e baixo investimento militar.

Duante seus 8 anos de mandato do Lula I e II, em nenhum momento Lula comentou alertou ou emitiu qualquer comentário do crescimento militar desproporcional para  a América Latina.  

Pior foi o atual Assessor de Assuntos Internacionais que foi Chanceler daquele período e posteriormente Ministro da Defesa, substituindo Nelson Jobim, no governo Dilma. Ao todo foram 12 anos e mais os 3 do Lula III como Assessor Especial.    

A Amazônia, maior ativo estratégico nacional, segue com presença estatal insuficiente diante de ilícitos transfronteiriços e da cobiça internacional. O Atlântico Sul — por onde escoa a riqueza energética do pré-sal e 90% do comércio brasileiro — carece de vigilância naval compatível com sua importância. A defesa aérea continua limitada para um território continental. Nada disso se resolve com declarações de “zona de paz”.

Países que se levam a sério não terceirizam sua segurança a boas intenções. Diplomacia só funciona quando apoiada por poder real. A própria história recente mostra que tratados e retórica não impedem intervenções, sanções, bloqueios ou pressões híbridas quando interesses estratégicos entram em jogo. O Brasil não é exceção — é alvo potencial justamente por sua dimensão, recursos e posição geográfica.

Preparar as defesas do Brasil não significa adotar belicismo, mas dissuasão responsável. Significa investir em capacidades militares próprias, integração entre as Forças Armadas, base industrial de defesa, inteligência, cibersegurança e controle efetivo do território. Significa planejar o longo prazo, independentemente de alinhamentos ideológicos passageiros. Significa construir alianças estratégicas e se beneficiar de parcerias com países de confiança e que dividem os mesmos interesses.

Lula precisa entender que soberania não se declara — se constrói. A retórica da “zona de paz” da América Latina pode agradar plateias externas, mas não substitui radares, satélites, meios navais, drones armados, carros de combate, defesa aérea e presença efetiva nas fronteiras. O Brasil não precisa de bravatas nem de ingenuidade. Precisa de realismo estratégico. E isso começa quando o presidente troca slogans por preparo.

Curioso os que reconheceram ação militar externa nas nossas fronteiras estão presos.

Ver a matéria Exclusivo Pela primeira vez Governo Brasileiro confirma russos operando na fronteira

Compartilhar:

Leia também
Últimas Notícias

Inscreva-se na nossa newsletter