Foi por meio de parceria entre a Força Aérea Brasileira e as empresas nacionais AERO CONCEPTS e Stella Tecnologia que a aeronave tática remotamente pilotada pode ser construída
Por Aspirante Natália / Agência Força Aérea.
A parceria entre a Força Aérea Brasileira (FAB) e as empresas nacionais AERO CONCEPTS e Stella Tecnologia possibilitou um novo marco para a tecnologia aeroespacial brasileira: a construção do drone brasileiro Albatroz Vortex, uma aeronave tática remotamente pilotada com turbina 100% nacional.
Com quatro metros de comprimento e autonomia de até 24 horas, o drone tem capacidade de operação a partir de navios aeródromos ou até mesmo pistas com menos de 150 metros de extensão. A plataforma aérea de alta versatilidade pode decolar com até 150 kg embarcados, incluindo múltiplos sensores, oferecendo inteligência, vigilância e reconhecimento em tempo real. O projeto simboliza um novo capítulo da aviação brasileira, onde inovação, autonomia tecnológica e defesa caminham juntas.
O primeiro voo do drone brasileiro Albatroz Vortex foi realizado em 17 de dezembro de 2025 em um local histórico: a Base Aérea de Santa Cruz (BASC), no Rio de Janeiro – berço do Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1º GAvCa). A decolagem foi coordenada pela FAB e todo o procedimento cumpriu as exigências técnicas necessárias.
O desenvolvimento do drone foi possível por meio de parceria entre a FAB e as empresas brasileiras AERO CONCEPTS (responsável pelo sistema propulsivo, a turbina a jato “ATJR15-5”) e Stella Tecnologia (responsável pela plataforma em si). Esse é um exemplo concreto e bem-sucedido da integração entre a Força Aérea Brasileira e o setor produtivo nacional.
A iniciativa demonstra como a parceria com empresas civis brasileiras fortalece a indústria de defesa nacional, estimula a inovação tecnológica e contribui para a autonomia estratégica do país. Ao unir conhecimento operacional militar e capacidade industrial civil, a FAB impulsiona soluções de alta tecnologia voltadas às necessidades nacionais, reforçando o papel da cooperação como vetor essencial para o avanço do setor aeroespacial brasileiro.
Para a Stella Tecnologia, o projeto Albatroz Vortex demonstra a capacidade nacional de conceber, integrar e testar sistemas aéreos não tripulados de alta complexidade, com tecnologia genuinamente brasileira. “A parceria com a Força Aérea Brasileira é fundamental nesse processo, pois alia a experiência operacional da FAB à agilidade e capacidade de inovação da indústria nacional.
Essa colaboração fortalece a autonomia tecnológica do país, impulsiona o desenvolvimento de competências estratégicas e abre caminho para futuras aplicações em defesa, monitoramento e outras missões de interesse nacional”, afirmou o CEO da Stella Tecnologia, Gilberto Buffara Júnior.
O diretor do grupo AERO CONCEPTS, Alexandre Roma, explicou que a meta da empresa com projetos como esse é de alcançar maior autonomia tecnológica. “Queremos viabilizar, no curto e médio prazo, o desenvolvimento de famílias completas de turbinas nacionais, tornando a AERO CONCEPTS a Empresa Brasileira de Turbinas e Sistemas Propulsivos, possuindo um parque fabril próprio para fabricações dos itens estratégicos incluindo a produção de nossas próprias superligas”, destacou Roma.



“Força Aérea 100”
A Força Aérea Brasileira tem investido em tecnologias como essa, que prometem dar um salto nos próximos anos. A medida está inserida na Concepção Estratégica ‘Força Aérea 100’, que reúne a visão de futuro, os valores e os eixos estratégicos usados para nortear a FAB no cumprimento de seus propósitos.
Empenhar esforços nesse sentido consolidam o protagonismo da Força Aérea no desenvolvimento aeroespacial, projetando o Brasil para os desafios do século XXI. No campo do desenvolvimento científico, a FAB conta, por exemplo, com Parques Tecnológicos em implantação em duas bases aéreas: o Parque Industrial e Tecnológico Aeroespacial da Bahia (PITA-BA), na Base Aérea de Salvador (BASV), e o novo campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), na Base Aérea de Fortaleza (BAFZ).
PITA-BA
O Parque Industrial e Tecnológico Aeroespacial da Bahia, em especial, é fruto da cooperação entre a Força Aérea Brasileira, o SENAI CIMATEC, o Ministério da Defesa (MD), o Governo da Bahia e diversas instituições públicas e privadas. O espaço, de quase um milhão de metros quadrados, cedido pela FAB, promete ser palco de tecnologias emergentes, abrangendo além de drones, o desenvolvimento de satélites, soluções quânticas e ferramentas de Inteligência Artificial (IA). A parceria entre a FAB e o SENAI CIMATEC especificamente resulta, também, na oferta de cursos de capacitação em níveis técnico e superior no setor aeroespacial.
O Curso Técnico em Manutenção de Aeronaves, por exemplo, contempla matérias, como motores a combustão, sistemas de aviônica, estruturas metálicas e compostas, somando 1.304 horas de atividades teóricas e práticas em laboratório próprio já instalado na BASV.
Atualmente, a turma conta com 38 alunos, que finalizou, neste mês de janeiro, o primeiro de quatro semestres. As aulas retornam na primeira semana de fevereiro. Outras 100 vagas estão sendo ofertadas para os cursos de Especialização em Engenharia Aeronáutica (50) e Engenharia de Sistemas Complexos (50). As inscrições podem ser feitas pelo site oficial.
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