Redaçao DefesaNet
30 Março 2026
A sinalização da Marina Militare de avaliar a operação do drone embarcado TB3, desenvolvido pela Baykar, a partir de seus navios-aeródromo ITS Trieste e ITS Cavour, evoluiu rapidamente de um interesse exploratório para uma intenção concreta: a marinha italiana já trabalha com a perspectiva de avançar na aquisição do sistema ainda este ano, consolidando uma mudança relevante em sua doutrina de aviação naval.
O movimento ganhou força após a participação considerada impressionante do TB3 em exercícios navais da OTAN no Mar Báltico. Durante essas operações, o drone demonstrou capacidade de atuar em condições extremas — incluindo ventos fortes, temperaturas negativas e neve — mantendo vigilância persistente, integração com aeronaves tripuladas e capacidade de engajamento contra alvos marítimos. O sistema chegou a operar em missões combinadas com caças europeus, reforçando o conceito de “manned-unmanned teaming” dentro de cenários de alta intensidade. 

O VANT Bayraktar TB3, pousando no TCG ANADOLU sob condições adversas após demosntração de vôo sobre o Mar Báltico. Vídeo da Operação Steadfast Dart 2026 abaixo nesta página
Esse desempenho operacional teve efeito direto sobre o planejamento italiano. Mais do que uma plataforma experimental, o TB3 passou a ser visto como uma solução pronta para ampliar rapidamente a capacidade embarcada, sobretudo em missões de vigilância contínua e ataque de precisão. A aceleração da decisão indica que Roma busca não apenas testar o conceito, mas incorporá-lo operacionalmente no curto prazo, aproveitando a maturidade crescente do sistema turco.
O Bayraktar TB3 representa uma evolução importante no conceito de drones táticos, ao ser concebido desde o início para operações embarcadas. Com asas dobráveis e capacidade de decolagem e pouso em pistas curtas, ele foi projetado para operar a partir de navios como o TCG Anadolu e plataformas com ski-jump semelhantes — exatamente o caso do Cavour e do Trieste. Mais do que um vetor de vigilância, o TB3 é um multiplicador de presença e de poder de fogo: pode empregar munições guiadas, mísseis leves e armamentos modulares como a família KUZGUN, com alcance que pode ultrapassar 200 quilômetros, além de outras munições inteligentes, ampliando significativamente o raio de ação ofensivo de um grupo naval.
Para a Itália, a questão central não é substituir plataformas como o F-35B, mas complementá-las. O ITS Cavour permanece como vetor de projeção de poder de alta intensidade, enquanto o ITS Trieste amplia a flexibilidade em operações expedicionárias. A introdução do TB3 permitiria expandir significativamente a cobertura ISR (inteligência, vigilância e reconhecimento), ao mesmo tempo em que adiciona uma camada de ataque de precisão de médio alcance, reduzindo a necessidade de empregar aeronaves tripuladas em missões de desgaste.
Esse movimento também tem implicações industriais e geopolíticas relevantes. A Turquia, por meio da Baykar, consolida-se como um fornecedor competitivo no domínio naval, e a aproximação com a Itália — reforçada por iniciativas de cooperação industrial envolvendo empresas europeias — aponta para uma integração crescente da indústria turca ao ecossistema de defesa europeu. Ao mesmo tempo, evidencia uma tendência mais ampla dentro da OTAN: a busca por soluções mais flexíveis, de menor custo e com rápida disponibilidade operacional.
No fundo, o que está em jogo é mais do que a compra de um drone. Trata-se da transição para um novo modelo de poder naval, no qual a persistência, a distribuição de sensores e a capacidade de ataque de precisão de longo alcance passam a coexistir com plataformas tradicionais. Ao acelerar sua decisão, a Itália posiciona-se na vanguarda dessa transformação — e sinaliza que o futuro dos navios-aeródromo será, cada vez mais, compartilhado entre pilotos e algoritmos.
Durante o exercício Steadfast Dart-2026 da OTAN, o VANT Bayraktar TB3, embarcado no TCG ANADOLU, concluiu com sucesso sua demonstração de voo sobre o Mar Báltico, apesar do frio intenso, da forte nevasca e dos ventos severos. Sendo a única aeronave capaz de voar nessas condições climáticas adversas durante esta fase do exercício, o Bayraktar TB3 recebeu a nota máxima dos representantes das nações aliadas.





















