COBERTURA ESPECIAL - Pandemic War - Geopolítica

03 de Julho, 2020 - 12:12 ( Brasília )

Coronavírus na Coreia do Norte: Kim Jong-un declara 'sucesso brilhante' no combate à pandemia e zero casos


O líder norte-coreano Kim Jong-un elogiou o "sucesso brilhante" de seu país ao enfrentar a pandemia de covid-19, segundo a agência de notícias estatal KCNA.

Falando em uma reunião do Politburo, Kim disse que o país "impediu a invasão do vírus maligno e manteve uma situação estável".

A Coreia do Norte fechou suas fronteiras e isolou sua população há seis meses, quando o novo coronavírus começou a se espalhar pelo mundo.

O governo norte-coreano alega que não possui casos da doença, embora analistas digam que isso é improvável.

Kim teria "analisado em detalhes" a estratégia nacional de combate ao novo coronavírus dos últimos seis meses em uma reunião do Politburo na quinta-feira (2 de julho). Ele disse que o sucesso no tratamento da doença foi "alcançado pela liderança perspicaz do Comitê Central do Partido".

Mas o líder norte-coreano enfatizou a importância de manter "o alerta máximo sem relaxamento na frente antiepidêmica", acrescentando que o vírus ainda estava presente nos países vizinhos.

"Ele alertou repetidamente que a flexibilização apressada das medidas antiepidêmicas resultará em uma crise inimaginável e irrecuperável", informou a reportagem da KCNA nesta sexta-feira.

Máscaras obrigatórias

No fim de janeiro, a Coreia do Norte agiu rapidamente contra o vírus — selando suas fronteiras e depois colocando em quarentena centenas de estrangeiros na capital, Pyongyang.

Também isolou dezenas de milhares de cidadãos e fechou escolas.

O país já reabriu as escolas, mas manteve a proibição a aglomerações e tornou obrigatório o uso de máscaras em locais públicos, informou a agência de notícias Reuters no último dia 1º de julho, citando um funcionário da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A OMS também assinalou que apenas 922 pessoas foram testadas no país — todas tiveram resultados negativos.

A Coreia do Norte, que compartilha uma longa fronteira com a China, sustenta há muito tempo que não registrou nenhum caso do vírus.

No entanto, Oliver Hotham, editor-chefe do site NK News, especializado em notícias da Coreia do Norte, disse à BBC no início deste ano que isso provavelmente não era verdade.

"É muito improvável que a Coreia do Norte não tenha registrado casos porque faz fronteira com a China e a Coreia do Sul. [Especialmente com a China], dada a quantidade de comércio transfronteiriço ... realmente não vejo como é possível que eles (norte-coreanos) possam ter evitado isso", disse.

"[Mas] eles realmente tomaram precauções cedo [então] acho que é possível que eles tenham evitado um surto completo."

Análise (por Laura Bicker, correspondente da BBC em Seul, na Coreia do Sul)

O coronavírus se espalhou pela Coreia do Norte? Ninguém realmente sabe. O país está fechado desde 30 de janeiro. Muito poucas pessoas conseguiram entrar ou sair.

A Cruz Vermelha tinha voluntários na área de fronteira trabalhando em medidas de prevenção de vírus e houve vários relatos não confirmados de casos no país.

Mas a maioria dos relatos do cotidiano na capital nas últimas semanas parece indicar que a vida segue normal.

Qualquer que seja a situação real, Pyongyang quer passar a imagem de que aniquilou a covid-19.

Internamente, trata-se de uma mensagem forte de que as medidas rígidas que Kim Jong-un tomou funcionaram.

O resto do mundo pode estar sob uma pandemia e Kim deseja que seu povo saiba que ele os salvou.

Mas isso tem um custo. Todo o comércio fronteiriço foi cortado. Isso significa que é impossível obter suprimentos essenciais para o país empobrecido.

Fontes diplomáticas me disseram que existem estoques de equipamento de proteção individual e suprimentos médicos, incluindo vacinas, acumulados na fronteira, sem poder entrar no país.

Houve inúmeros relatos de compras de mercadorias internacionais em lojas de departamento motivadas por pânico em Pyongyang.

As prateleiras estão sendo esvaziadas em meio à escassez de produtos.

Também vale a pena notar que apenas 12 desertores chegaram à Coreia do Sul entre abril e junho deste ano — o número mais baixo já registrado neste período do ano.

O povo norte-coreano pode não estar sofrendo de coronavírus, mas agora está mais isolado do mundo exterior.



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