31 de Dezembro, 2021 - 15:40 ( Brasília )

Pensamento

2021 - Os Principais Acontecimentos do Setor de Óleo, Gás e Energia do BRASIL


2021 - Os Principais Acontecimentos do Setor de Óleo, Gás e Energia do BRASIL

 

 Davi de Souza
Petronotícias
davi@petronoticias.com.br
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O ano de 2021 certamente não foi fácil para a economia brasileira. A pandemia proporcionou momentos difíceis, a inflação e o desarranjo na cadeia global de abastecimento trouxeram muita dor de cabeça e o ambiente político agitado tornou, de modo geral, a vida do empresariado brasileiro um pouco mais complicada. Mesmo assim, 2021 será lembrado também por muitos como um período de superação e aprendizado. O Brasil conseguiu dar passos em algumas frentes, apesar das barreiras.

Para o setor de óleo, gás e energia, o ano que termina nesta sexta-feira deixou alguns resultados, como um novo marco regulatório para o mercado de gás, a continuidade do processo de diminuição da presença da Petrobrás em diversos segmentos, o encaminhamento da privatização da Eletrobrás, o reaquecimento do Programa Nuclear Brasileiro, entre outros.

Contudo, muitas outras questões não foram resolvidas, como os altos preços dos derivados no Brasil, gargalos regulatórios e a falta de um ambiente mais propício para investimentos. É hora de relembrar o que deu certo e identificar aquilo que ainda precisa ser endereçado em 2022. Por isso, o Petronotícias convida hoje (31) os seus leitores a recordarem os acontecimentos mais marcantes das indústrias de óleo, gás e energia na

Retrospectiva 2021:
RESERVATÓRIOS EM BAIXA E OBRAS DE PLATAFORMAS INDO AO EXTERIOR

O ano de 2021 começou já dando sinais de que a questão hídrica seria um desafio e tanto para o país nos meses seguintes. Logo no início de janeiro, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) disse que, ao final de dezembro, os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul registraram aquilo que seria até então os piores valores da última década em termos de armazenamento de água (18,7% e  27,4%).


Enquanto isso, na área de petróleo e gás, a notícia era de recorde. Isso porque a Petrobrás anunciou que registrou volumes inéditos em sua produção anual de óleo e na sua produção anual total (óleo e gás natural) em 2020. A empresa atingiu a média anual de 2,28 milhões de barris por dia (bpd) de óleo e 2,84 milhões de barris de óleo equivalente por dia. Enquanto isso, a estatal também revelou que as plataformas P-78 e P-79 (unidades próprias destinadas ao campo de Búzios) seriam mesmo construídas na Ásia. Um banho de água fria e tanto nas esperanças da indústria naval brasileira.

O mês de janeiro foi marcado ainda por um susto a bordo da plataforma P-65. Durante as operações da unidade, uma pequena quantidade de óleo foi parar no queimador de gás da planta, gerando um grande volume de fumaça saindo da plataforma e também do mar. Apesar das grandes nuvens escuras, a Trident Energy, operadora da plataforma, disse que não houve feridos e que a P-65 se manteve em condição segura. Por fim, janeiro teve ainda a confirmação do executivo Wilson Ferreira Jr. como novo presidente da BR Distribuidora.

MUDANÇA NA PRESIDÊNCIA DA PETROBRÁS, VENDA DA RLAM E PRIVATIZAÇÃO DA ELETROBRÁS

O mês de fevereiro reservava muitas reviravoltas no segmento de óleo & gás brasileiro. A principal delas foi, sem dúvida, a mudança no comando da Petrobrás. A troca na presidência da empresa aconteceu após divergências entre o presidente Jair Bolsonaro e o então presidente da estatal, Roberto Castello Branco. O ponto de atrito entre os dois foi a sempre polêmica política de preços da petroleira. Os reajustes seguidos (foram pelo menos quarto até meados de fevereiro) e declarações de Castello Branco – de que nada tinha a ver com as queixas dos caminhoneiros sobre o preço do diesel – foram a gota d’água.

No dia 19 de fevereiro, foi anunciado o novo presidente da Petrobrás – o general Joaquim Silva e Luna. Castello Branco, no entanto, não saiu de imediato da cadeira da presidência da empresa. Ele permaneceria no cargo até meados de abril. O noticiário da Petrobrás teria ainda outro fato para mexer com os bastidores do mercado – a venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, por US$ 1,65 bilhão para o grupo Mubadala Capital (o valor depois foi ajustado para US$ 1,8 bilhão no encerramento da transação, em novembro). O preço foi considerado abaixo do esperado por entidades do mercado e pelos petroleiros. Trabalhadores baianos da empresa chegaram a entrar em greve como forma de protesto à venda do ativo.

Ainda falando do setor de óleo e gás, outras duas notícias ganharam destaque em fevereiro. A primeira foi o anúncio da mudança do nome da francesa Total para TotalEnergies, em um movimento claro de reposicionamento da companhia frente à transição energética. Outra novidade importante foi a aquisição do Polo Peroá, na Bacia do Espírito Santo, pela 3R Petroleum. A petroleira independente faria ainda outras aquisições importantes ao longo do ano, consolidando sua posição no setor de óleo e gás do país.

Na área de energia, a usina nuclear Angra 2 completou seus 20 anos com muitos resultados para comemorar. A unidade, que entrou em operação em 1º de fevereiro de 2001, já passou da marca de 200 milhões de megawatts-hora (MWh) gerados – feito alcançado em junho de 2020. Em Brasília, o presidente Bolsonaro foi pessoalmente ao Congresso Nacional para entregar o texto da Medida Provisória (MP) do projeto de capitalização da Eletrobrás – tema que conseguiu avançar relativamente bem ao longo de 2021.

UM GIGANTE ENCALHADO NO CORAÇÃO DA LOGÍSTICA MUNDIAL

Um dos acontecimentos mais marcantes do ano, sem dúvida, foi o incidente com o navio Ever Given, no Canal de Suez. A embarcação de 400 metros de comprimento e 200 mil toneladas de peso encalhou na via em março, interrompendo o fluxo de navios por uma semana. Após uma verdadeira operação de guerra para desencalhar o navio, o Ever Given e sua tripulação ainda viveriam muitas semanas de espera e angústia. Isso porque, como veremos mais adiante, a negociação sobre compensações financeiras entre a dona do Ever Given e as autoridades que controlam o Canal de Suez se arrastaram por muito tempo.

No Brasil, após ter sido aprovada na Câmara e ter sido modificada no Senado, a Nova Lei do Gás recebeu o aval final dos deputados. Em seguida, a matéria foi enviada para a sanção do presidente Jair Bolsonaro. Ainda falando sobre a esfera política, o governo federal lançou em março o Programa de Revitalização e Incentivo à Produção de Campos Marítimos (Promar). A ideia com a iniciativa é repetir a fórmula bem sucedida do Reate e ajudar a aumentar a produção decadente do pós-sal na Bacia de Campos. Outra notícia importante naquele mês foi o anúncio da indicação de Rodrigo Limp para assumir a presidência da Eletrobrás.

Finalizando a retrospectiva de março, outro destaque do setor de energia foi a inauguração da linha de produção de torres de transmissão da Nuclep. Com o investimento, a empresa garantiu a capacidade de produzir até 35.000 toneladas de estruturas metálicas por ano. Esse volume possibilitará a instalação anual de 1.500 km de linhas de transmissão no país.

NOVA LEI DO GÁS SANCIONADA E A POSSE DA NOVA DIRETORIA DA PETROBRÁS

Em abril, o mercado de óleo e gás como um todo comemorou a sanção presidencial do novo Marco Regulatório do Gás Natural. A nova norma garante, por exemplo, a independência entre empresas de distribuição, transporte e produção com o objetivo de manter a competitividade e os elos da cadeia de gás independentes, evitando que um mesmo grupo controle todas as etapas do sistema até o consumidor final.

Na Petrobrás, após uma espera de cerca de dois meses, o general Joaquim Silva e Luna tomou posse como presidente da empresa. Ele nomeou quatro novos nomes para compor a diretoria da petroleira – todos profissionais que já trabalhavam por muitos anos na companhia.  Fernando Borges assumiu a diretoria executiva de Exploração e Produção, no lugar de Carlos Alberto Pereira de Oliveira. João Henrique Rittershaussen foi escolhido como diretor de Desenvolvimento de Produção e Tecnologia, em substituição a Rudimar Lorenzatto. Claudio Mastella ficou com a diretoria de Comercialização e Logística, no lugar de André Chiarini. Por fim, Rodrigo Araújo passou a comandar a diretoria de Finanças e Relações com Investidores, que era ocupada por Andrea Almeida.

Abril ainda teve uma comemoração importante para a petroleira norueguesa Equinor. A empresa celebrou os dez anos de produção no campo de Peregrino, na Bacia de Campos. Este é o maior ativo da empresa fora de seu país de origem. Meses depois, em entrevista ao Petronotícias, a presidente da Equinor Brasil, Verônica Coelho, disse que a expectativa é retomar a produção do campo em 2022.

NAVIO EM CHAMAS, ELETROBRÁS SOB NOVO COMANDO E NOVIDADES NO SETOR NUCLEAR

No mês de maio, o noticiário começou movimentado com o anúncio da licitação para contratação da plataforma P-80, que será a nona unidade de produção do campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. A embarcação terá capacidade para processar diariamente 225 mil barris de óleo e 12 milhões de m³ de gás.

Enquanto isso, os desdobramentos da pandemia de covid-19 passaram a ser sentidos cada a vez mais fortes na cadeia de abastecimento. O preço do aço, por exemplo, trilhou um rumo de disparada, com reajustes constantes das siderúrgicas. Naquela altura, conforme o Petronotícias publicou, o aço plano já acumulava um sonoro e salgado aumento de impressionantes 150% – levando em conta os 12 últimos meses até então.

No segmento nuclear, uma novidade aguardada há muito tempo. O presidente Jair Bolsonaro assinou a Medida Provisória 1.049/2021, que criou a chamada Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). O novo órgão será responsável por licenciar, fiscalizar, estabelecer as normas e regras, além de monitorar os estoques e rejeitos. A criação de uma autarquia específica para desempenhar essas atividades era um pleito muito antigo do setor, já que até então todas essas funções estavam concentradas na Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

No noticiário internacional, o navio porta-contêineres X-Press Pearl, no Sri Lanka, ficou vários dias pegando fogo em pleno mar. Muitos detritos da embarcação foram levados pela correnteza para a costa do país. A Marinha do Sri Lanka também advertiu que alguns dos contêineres do X-Press Pearl despencaram no mar e afundaram.

PROJETO DO CAMPO DE BACALHAU AVANÇA E CRISE HÍDRICA PREOCUPA GOVERNO
 
A crise hídrica ganhou ainda mais o noticiário do setor de energia no mês de junho. Naquele mês, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) se reuniu no Rio de Janeiro para discutir a situação hídrica do Brasil. Naquela altura, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, já havia dado declarações de que a crise hídrica pela qual o país passava era decorrente das mudanças climáticas. Ele afirmou ainda que apesar do momento difícil, o setor elétrico possui governança e organização para enfrentar a situação com serenidade. Em pronunciamento à nação, Albuquerque conclamou a sociedade para dar a sua participação, evitando o mau uso e o desperdício de água e energia.

No segmento de óleo e gás, a tão aguardada decisão final de investimento do campo de Bacalhau, na Bacia de Santos, foi anunciada pela Equinor. Ao todo, o desenvolvimento da área consistirá em 19 poços submarinos ligados ao FPSO contratado para o campo, que está sendo construído pela japonesa Modec. Este será um dos maiores navios-plataformas do Brasil, com capacidade de produção de 220 mil barris por dia e 2 milhões de barris de armazenamento.

Ainda falando da indústria de petróleo, as chinesas CNODC e CNOOC chegaram a um consenso sobre o Acordo de Coparticipação do campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. As conversas duraram mais de um ano e chegaram ao fim com o compromisso de as empresas asiáticas desembolsarem US$ 2,94 bilhões como indenização pelos investimentos feitos pela Petrobrás no campo.

A PARTIDA DO EVER GIVEN E AVANÇOS NO SETOR NUCLEAR BRASILEIRO
 
Em julho, Depois de muita espera e intensas negociações, finalmente, após quase quatro meses de seu encalhamento no Canal de Suez, o navio porta-contêineres Ever Given deixou o Egito. Isso aconteceu após um acordo entre a empresa japonesa Shoei Kisen Kaisha, dona do Ever Given, e a Autoridade do Canal de Suez (SCA, na sigla em inglês).

No Brasil, a venda de ativos da Petrobrás foi ganhando novos desdobramentos. A 3R Petroleum adquiriu a participação de 62,5% da estatal no campo de produção de Papa Terra, localizado na Bacia de Campos. A 3R também concluiu a aquisição do Polo Rio Ventura, na Bahia, por US$ 94,2 milhões. Em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro sancionou a lei que permite a capitalização da Eletrobrás, abrindo portas para que o governo pudesse prosseguir com o processo de privatização da estatal elétrica.

Já no setor nuclear, julho foi um período intenso em novidades. Primeiro, a Associação Brasileira para Desenvolvimento das Atividades Nucleares (ABDAN) assinou um acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) visando a cooperação em áreas de planejamento de energia, operação de longo prazo de usinas nucleares, desenvolvimentos de pequenos reatores modulares, entre outros pontos. O objetivo é ajudar na difusão da tecnologia nuclear pelo Brasil. Além disso, a Eletronuclear anunciou que o consórcio composto por Ferreira Guedes, Matricial e ADtranz foi o vencedor da licitação para contratação das empresas que retomarão a construção da usina de Angra 3, dentro do âmbito do Plano de Aceleração do Caminho Crítico do empreendimento.

Julho teve ainda a realização da Nuclear Trade & Technology Exchange (NT2E), evento online organizado pela ABDAN. Na abertura do encontro, o ministro Bento Albuquerque disse que uma das principais pautas do setor nuclear atualmente, a escolha de novos sítios nucleares, está nas prioridades do Ministério de Minas e Energia.

FURACÃO IDA, OTC HOUSTON E VENDA DA REMAN

No mês de agosto, a SBM Offshore assinou com a Petrobrás uma carta de intenções para desenvolver, operar e afretar o navio-plataforma Mero 4, que será batizado de FPSO Alexandre de Gusmão. Um pouco antes, a empresa holandesa também assegurou o contrato para a construção, afretamento e operação do FPSO Almirante Tamandaré, a sexta unidade de produção do campo de Búzios.

Durante a OTC Houston, que voltou a ser realizada um ano após ter sido suspensa em virtude da pandemia, a Petrobrás recebeu o principal prêmio da indústria mundial de petróleo e gás, o Distinguished Achievement Award for Companies, pelo conjunto de inovações desenvolvidas para viabilizar a produção de Búzios, o maior campo de petróleo em águas profundas do mundo. Poucos dias depois, a empresa anunciou o início da operação do FPSO Carioca, instalado no campo de Sépia.

Em agosto também foi anunciada a mudança de nome da BR Distribuidora, que foi privatizada em 2019, para Vibra Energia. A distribuidora, que no momento passa por um processo de alteração organizacional e cultural, fez uma considerável reforma em sua identidade visual. E por falar em venda de ativos da Petrobrás, a petroleira conseguiu avançar naquele mês em mais uma negociação na área de refino. Desta vez, a estatal assinou com o Grupo Atem o contrato de venda da Refinaria Isaac Sabbá (REMAN), no Amazonas, pelo valor de US$ 189,5 milhões.

Por fim, a força da natureza espantou o mundo com o furacão Ida. A tormenta acertou em cheio a produção de óleo e gás dos EUA no Golfo do México. Segundo o Bureau of Safety and Environmental Enforcement (BSEE), a produção americana de petróleo no Golfo do México chegou a ser reduzida em aproximadamente 95% por conta do furacão.

REDUÇÃO NA MISTURA DE BIODIESEL E A CRISE DE RADIOFÁRMACOS NO BRASIL

O mês de setembro começou com a notícia de que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidiu reduzir novamente o teor da mistura obrigatória do biodiesel ao diesel de 13% para 10%. A medida causou uma forte reação de entidades representativas do segmento de biocombustíveis, que questionaram a decisão.

No setor nuclear, o governo criou a estatal responsável pela gestão da Eletronuclear e da Itaipu Binacional após a privatização da Eletrobras. A nova companhia foi batizada de Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBpar). Enquanto isso, a área de medicina nuclear vivenciou uma crise no abastecimento de radiofármacos. O Instituto de Pesquisa Energética e Nucleares (IPEN) suspendeu naquele período, temporariamente, a sua produção de radioisótopos, que são usados para a fabricação de radiofármacos. A razão: não havia orçamento para a compra dos radioisótopos da Rússia, África do Sul e Holanda, países que exportam esses produtos para o Brasil.

Fechando o mês, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) autorizou o início da operação comercial da usina termelétrica UTE GNA I, localizada no Porto do Açu, no município de São João da Barra (RJ).

O FRACASSO DA 17ª RODADA E A PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRÁS NO RADAR DE BOLSONARO

O último trimestre de 2021 ainda reservaria muitas notícias importantes para o setor de energia do país. A começar pelo fracasso da Petrobrás na tentativa de venda da Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP), no Rio Grande do Sul, para o grupo Ultrapar. A Petrobrás também passou a entrar no radar de Bolsonaro após novos aumentos nos preços de derivados no país. O presidente deu diversas declarações de que passou a ter o desejo de desestatizar a companhia, embora pelo menos até agora o governo não tenha dado nenhum passo concreto nesse sentido.

Em outubro, o governo também teve de amargar um resultado muito ruim na 17ª Rodada de Licitações da ANP. Apenas duas empresas adquiriram blocos na rodada. No chamado setor SS-AP4 da Bacia de Santos, a Shell adquiriu sozinha o bloco S-M-1707, com a oferta de um bônus de assinatura de R$ 9,1 milhões. Depois, um consórcio liderado pela companhia anglo-holandesa (70%), em parceria com a Ecopetrol (30%), faturou por R$ 6,56 milhões o bloco S-M-1709.

No setor SS-AUP4, também na Bacia de Santos, a Shell comprou sozinha mais três blocos: S-M-1715, S-M-1717 e S-M-1719. Os valores pagos por essas áreas foram R$ 6,88 milhões, R$ 7,3 milhões e R$ 7,3 milhões, respectivamente.

PETROBRÁS LANÇA NOVO PLANO ESTRATÉGICO E FAZ AVANÇOS E RECUOS EM SEU PROGRAMA DE DESINVESTIMENTOS

Novembro foi um mês onde a questão ambiental ganhou destaque, por conta da COP26. Como noticiamos, o evento foi marcado pelo debate sobre o papel da energia nuclear na transição energética, além de uma ausência formal das grandes petroleiras internacionais. Durante a cúpula, o ministro do Meio Ambiente,Joaquim Leite, anunciou a nova meta do Brasil para redução de emissões de gases do efeito estufa. Anteriormente mirando uma diminuição de 43%, o país agora estabeleceu como objetivo reduzir suas emissões em 50% até 2030.

Na Petrobrás, muitas movimentações no seu programa de desinvestimentos. Primeiro, a estatal anunciou que assinou o contrato para a venda da Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), no Paraná, para a Forbes & Manhattan Inc. (F&M). O negócio foi fechado pelo valor de R$ 178,8 milhões (US$ 33 milhões). Depois, foi a vez da companhia revelar que não irá mais vender 50% do Polo Marlim, que compreende os campos de Marlim, Voador, Marlim Leste e Marlim Sul, localizados predominantemente em águas profundas na Bacia de Campos.

Em meados do ano, a Petrobrás havia anunciado que havia terminado sem sucesso a tentativa de venda da Refinaria Abreu e Lima (RNEST). Mesmo assim, em novembro, a companhia afirmou que quer concluir a construção do trem 2 da refinaria para torná-la mais atraente para seus potenciais compradores. Ou seja, a Petrobrás ainda não desistiu de se desfazer do ativo.
Ainda falando da Petrobrás, a estatal revelou também em novembro que que assinou uma carta de intenção com a empresa Yinson para afretamento e prestação de serviços do FPSO do Projeto Integrado Parque das Baleias. O navio-plataforma será instalado no Campo de Jubarte, localizado no norte da Bacia de Campos, e deve começar a operar no final de 2024.

A petroleira apresentou ainda seu novo Plano Estratégico (PE) para o período entre 2022 e 2026, com investimentos de US$ 68 bilhões. O valor é 24% maior na comparação com o planejamento anterior (2021-2025). O segmento de exploração e produção receberá a maior fatia do bolo do novo PE. Serão, ao todo, US$ 57 bilhões entre 2022 e 2026, com destaque para a entrada em operação de 15 novas plataformas em seis campos.

NOVA USINA NUCLEAR NO BRASIL E AVANÇO DO RMB
 
No campo político, o presidente Bolsonaro sancionou em novembro a lei que cria o chamado Vale-Gás. O programa foi aprovado para subsidiar o preço do gás de cozinha para as famílias de baixa renda. Os brasileiros que receberão o auxílio ganharão, a cada dois meses, um valor correspondente a uma parcela de, no mínimo, 50% da média do preço nacional de referência do botijão de 13 kg de GLP.

Já o ministro Bento Albuquerque trouxe uma novidade muito relevante para o setor nuclear – o anúncio de que o próximo Plano Decenal de Energia (PDE 2031) indicará a construção de uma nova usina nuclear no Brasil. Dentro ainda do segmento nuclear, a estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) inaugurou em Resende (RJ)a nona cascata de ultracentrífugas de sua Fábrica de Combustível Nuclear (FCN). O investimento total no projeto foi de R$ 54 milhões e permitirá à INB atender a 65% da demanda das recargas anuais de Angra 1.

Por fim, a Amazul concluiu – em parceria com a argentina Invap – o projeto detalhado do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB). O empreendimento, como se sabe, trata-se de um reator de pesquisa que permitirá a produção de radioisótopos, insumo para os radiofármacos utilizados na medicina nuclear.

O DESFECHO DE 2021: NOVOS CAMPOS DE PETRÓLEO

O mês de dezembro trouxe mais novidades relevantes da Petrobrás. Primeiro, a empresa anunciou o plano de desenvolvimento de Mero, com a previsão de US$ 153 bilhões em investimentos. Depois, a petroleira disse que concluiu a perfuração do poço Monai, o mais profundo registrado no Brasil até hoje. A Petrobrás também chegou a um acordo com a sua parceira Novonor (antiga Odebrecht) para a venda de suas ações na petroquímica Braskem. Por fim, a companhia anunciou que declarou a comercialidade de sete campos na Bacia de Sergipe-Alagoas – considerada a nova e mais promissora fronteira exploratória do país.

O noticiário do mercado de óleo e gás não ficou restrito à Petrobrás em dezembro. A Azevedo & Travassos movimentou os bastidores do setor após concluir a compra da Heftos Óleo e Gás. Outra a agitar o segmento foi a PetroRio, com o anúncio da declaração de comercialidade do campo de Wahoo, na Bacia de Campos.

Na esfera internacional, após muitas idas e vindas, o presidente da Rússia, Vladmir Putin, anunciou que o polêmico gasoduto Nord Stream 2 está pronto para fornecer gás natural para a Europa. No Oriente Médio, o Irã retomou as negociações sobre o seu programa nuclear, mas os debates devem entrar em 2022 ainda sem um acordo entre Teerã e demais países.

Voltando ao Brasil, o Tribunal de Contas da União (TCU) deixou para 2022 o seu parecer sobre o processo de venda da Eletrobrás. Contudo, o júri autorizou a continuidade dos estudos a respeito da desestatização da empresa. Já na Câmara, os deputados aprovaram a chamada BR do Mar, que tem por objetivo abrir a navegação costeira entre portos nacionais e reduzir a dependência do transporte rodoviário. O projeto de lei agora seguirá para sanção do presidente Jair Bolsonaro.

Por fim, o governo federal comemorou o resultado de seus últimos leilões realizados em dezembro. A segunda rodada de licitação dos excedentes da Cessão Onerosa foi concluída com as duas áreas arrematadas – Sépia e Atapu. Já o segundo leilão de transmissão de energia de 2021 negociou cinco lotes, que propiciarão investimentos da ordem de R$ 2,9 bilhões.


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