COBERTURA ESPECIAL - PCC - Gangues - Segurança

23 de Setembro, 2020 - 14:00 ( Brasília )

Comentário Gelio Fregapani - Segurança Pública



Comentário Geopolítico
Segurança  Pública

 
Naturalmente para os aficionados pela Geopolítica, a Segurança Pública parece um assunto secundário e pode mesmo ser irrelevante enquanto o vulto dos crimes não a transformar em um óbice para os Objetivos Nacionais e isto está acontecendo no nosso País. Nos últimos tempos, a criminalidade atingiu tal nível que a falta de segurança passou a ser talvez a principal preocupação do homem comum.

A Psicologia Social nos ensina que sempre num  grupamento humano existirão os mais ousados e os mais prudentes e que dentre os mais ousados podem se destacar: uns tão ousados que pejorativamente são tachados de inconsequentes. Um exemplo de ousadia extrema poderíamos citar o Sargento Nestor (o herói de Montese) e o de prudência extrema (covardia), propositalmente deixaremos de citar. Acharemos a mesma proporção, 2,5% de santas criaturas outros tantos de maus caráter, se o grupamento for dividido entre os de índole melhor e os de índole pior. Dentre os de melhor índole poderia se destacar uma Irmã Dulce e entre os de pior índole se destacaria um bandido como Cesare Batistti (que casualmente também era extremamente ousado).

O conhecimento desses dados da Psicologia Social aliados a estatísticas sobre o perfil de centenas de criminosos nos permitiu identificar algumas características quase comuns a todos eles: a má índole e a ousadia. Naturalmente um indivíduo de índole muito boa dificilmente cometerá crimes e sendo também ousado resistirá aos criminosos, podendo até portar-se como um cavaleiro andante em defesa de terceiros. Da mesma forma um completamente covarde não se arriscará a cometer algum crime, por mais vontade que tenha. Essas características não têm relação direta com a Inteligência.

Existem vários tipos de crime; embora haja alguma superposição podemos dividi-los entre crimes do tipo colarinho branco, crime organizado, crime comum e superpondo-se a todos, os crimes os relativos aos entorpecentes, cujos efeitos estão intimamente relacionados desde ao crime de colarinho branco até ao crime comum, incluindo o crime organizado.

Estatisticamente os crimes de colarinho branco – peculatos, propinas, tráfico de influência e corrupção são praticados por pessoas de má índole e no mínimo medianamente ousados tal como muitos outros criminosos, mas a diferença  é que, ocupam elevados cargos, estão em evidência e movem elevadas quantias.

No nosso caso o que os impulsionava era a certeza da impunidade e por isto não era indispensável a ousadia extrema o que nos facilitou as investigações via delações premiadas. Bastou uma disputa entre dois dos partidos, ambos delinquentes, para desmantelar os esquemas e apesar da vergonhosa proteção do STF, a vida está bem mais difícil para os criminosos de colarinho branco.

Já o crime organizado exige de seus líderes uma ousadia extrema e uma índole de mediana para má. Dependendo da inteligência dos criminosos é difícil contê-los pois não temem as consequências e são atraídos não só pelos ganhos, mas também pelos desafios e pelos riscos.

Para enfrentá-los são indispensáveis as operações policiais, mas só elas não bastam; milícias de autoproteção e justiceiros quando bem orientadas podem ajudar a controlar esse tipo de crime até porque também atraem o mesmo perfil de indivíduos destemidos cuja necessidade de ação poderia conduzi-los ao outro lado não tanto, talvez, pelo botim, mas principalmente pela aventura.

Façamos uma pausa para lembrar algo sobre a psicologia dos verdadeiramente destemidos ou “lobos da estepe”, como os chamávamos no Centro de Estudo de Pessoal do Exército. Não existem muitos – no máximo 2,5% de um universo masculino jovem. Os de boa índole vão agir violentamente, mas como protetores e estarão dispostos a se sacrificar mais do que os demais. Entretanto, como a maioria é de índole mediana, podem se orientar para o lado que lhe ofereça oportunidade, seja para o bem ou para o mal, mas na guerra serão os primeiros a avançar e os últimos a recuar.

Quando uma nação consegue empenhar seus “lobos” num empreendimento útil sua nação progride; assim aconteceu com os grandes navegadores portugueses, com os conquistadores espanhóis, com os nossos bandeirantes, com os colonialistas britânicos e nos EUA com a marcha pra a Califórnia e com os astronautas.

Em passado recente assistimos a criação de Brasília, a abertura de estradas na selva e a colonização da Amazônia, depois reprimida pelos governos esquerdistas.

Os “lobos” estarão sempre em ação, para não dizer em luta; seus motivos podem ser tão justos e nobres quanto a sua índole, mas  quando lhes falta um “Santo Graal” pelo qual lutar, eles lutarão uns contra os outros, embora tendam ao fanatismo pela causa  que tenham aderido, no fundo o que os move é a adrenalina. Entretanto, quando em grande número eles se voltam contra a sociedade, essa definhará em meio de insustentável falta de segurança e em face do crime generalizado. É o que estamos vendo no nosso dia a dia.

O leitor já deve ter desconfiado que a vitória sobre o crime organizado passa pela atração dos lobos para o lado do bem. Veja só caro correspondente, você lembra da guerrilha do Araguaia? Haveria um final tão feliz somente com o indispensável combate ou a vitória deve ser creditada também ao projeto Rondon que ofereceu uma aventura do bem aos jovens lobos ansiosos por ação?

Fazendo secar as fontes de recrutamento dos comunistas entre os jovens estudantes inquietos por natureza? É claro que nos referimos a grande maioria, de índole mediana que ainda não tem uma escolha definida pois os extremos não vão mudar.

Tratando-se do crime comum – assaltos seguidos ou não de morte, sequestros, roubos e furtos são os que mais atingem o cidadão comum e a grande preocupação da maioria. Entre nós o perfil mais comum desse criminoso é de má índole, classe baixa, pouco ilustrada, pouco inteligente e paradoxalmente também pouco ousada.

A proliferação desse tipo de crime se deve a inibição da resistência criada no tempo dos Governos de esquerda com a proibição do porte de armas e o incentivo a rendição. Bastará um incentivo a resistência e o abrandamento dos estatutos do desarmamento para fazer com que 90% desses bandidos desistam e a quantidade ínfima que, mais ousados, persistirem no crime terminarão por serem eliminados. Esta afirmação comprovei, na prática, quando Secretário de Segurança em Roraima.
 
Passemos finalmente ao tipo de crime mais complexo: os relativos aos entorpecentes.  Estes abrangem desde os crimes de colarinho branco até o crime comum, passando pelo crime organizado. Antes mesmo de examinarmos sua estrutura vamos partir de uma premissa: A força de uma corrente é a de seu elo mais fraco. Procuremos-lo pois.

O crime em análise inicia pela obtenção .  Esta quando realizado num país estrangeiro está fora do nosso alcance e a parcela nacional também é difícil de erradicar. É o elo mais forte. Deixemo-lo de lado.

No elo seguinte, o tráfico internacional, os grandes traficantes estão protegidos por governos estrangeiros e por muitas de nossas autoridades. Seu poder de corrupção movimenta o crime do colarinho branco incluindo a proteção até de parlamentares e juízes, bem como  o financiamento de eleições ,este é um elo ainda muito forte. Só pode ser resolvido quando nosso povo souber votar e parece que começamos a aprender. Será?

A atuação do tráfico intermediário se confunde com a do crime organizado e podemos combatê-lo da mesma forma, mas ainda não é o elo mais fraco.

O ponto final da venda ao consumidor, cuja atuação guarda alguma analogia com o crime comum, tem uma característica que o torna quase indestrutível: pois o pequeno traficante é descartável e será substituído logo que seja neutralizado por prisão, morte ou desistência. Nas favelas estarão dezenas de voluntários suspirando por cada vaga aberta.

Dessa corrente maligna das drogas, o único elo que temos condição física de romper de verdade é o consumo e uma vez quebrado o consumo, que é o elo mais fraco, fica desmontada toda a nefasta cadeia do crime. Para isto temos que entender o mecanismo psicológico que conduz os jovens a penetrar no inferno das drogas, onde, uma vez dentro, quase não haverá esperança de sair.

O consumo começa pelos nossos conhecidos lobos da estepe, sempre atrás de desafios, todos sabem que a droga pode matar. – Não tenho medo da morte, pensa o jovem lobo e arrasta com seu exemplo diversos outros jovens que gostariam de ser como ele e de fazer o que ele ousa fazer.

Para sermos bem sucedidos em modificarmos essa influência nefasta podemos atrair os jovens lobos para os esportes, tão radicais, quanto possível e para organizações com características de ordens de cavalaria como Forças Armadas e policiais, escotismo e similares ao mesmo tempo em que se deprecia o uso de drogas como coisa de covardes.

Em Roraima utilizamos o slogan “A droga é para os fracos” em substituição da propaganda que enfatizava os perigos. A última coisa que um lobo quer é passar por frouxo.

Para os lobos é um bom programa, pensariam os leitores, mas para o resto, seguiriam cegamente o modelo do líder? Pode se apostar que na maioria sim e os que não seguirem, conforme seu grau de ”ousadia x prudência”, poderão ser inibidos por uma legislação que puna o uso de drogas com fortes multas ou trabalhos forçados. Lamentavelmente uma legislação assim é difícil de conseguir com um STF que prefere destruir a sociedade.

É inquestionável que a chave do controle do crime está em atrair os lobos da estepe para o lado do bem. Eles só precisam de uma oportunidade para extravasar sua imensa energia.
 
Mantenha os pilotos voando, se diz na Força Aérea e tudo correrá bem. Deixando-os em terra irão criar problemas.

Para quem gosta de História – Se não houvesse as Cruzadas, a turbulenta Cavalaria Medieval teria posto fogo na Europa.

Sentimos que as causas da nossa deficiência em Segurança Pública estão na proteção legal ao consumidor de drogas, no desamamento civil e no incentivo a não resistência, mas sabemos como corrigir isto.

Que Deus nos inspire as decisões adequadas e nos dê coragem para implantá-las.

Gelio Fregapani


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