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16 de Setembro, 2020 - 15:51 ( Brasília )

PCC – Ministério Público SP identificou integrantes da nova cúpula

Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, assumiu o comando depois que o ex-chefe da facção foi transferido para presídio federal. Ele tem cargo de adido no consulado de Moçambique, em Belo Horizonte.


Guilherme Balza e Rodrigo Rodrigues
GloboNews e G1 SP — São Paulo
14 Setembro 2020


O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) anunciou nesta segunda-feira (14) que identificou 21 suspeitos de fazer parte da nova cúpula da facção criminosa Primeiro Comandando da Capital (PCC), que age dentro e fora dos presídios.

Entre os identificados está o novo chefe da facção, Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, que foi alvo da Operação Sharks e segue foragido. A operação foi desencadeada nesta segunda pelos promotores do MP-SP, com participação do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE).

Segundo o procurador-geral de Justiça, Mário Luiz Sarrubbo, Tuta é atualmente o chefe do PCC em São Paulo e assumiu o comando depois que o ex-chefe da facção, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, foi transferido para um presídio federal, em fevereiro de 2019.

De acordo com o MP-SP, Tuta foi escolhido para assumir chefia da facção pelo próprio Marcola e tem um cargo de adido do consulado de Moçambique em Belo Horizonte, em Minas Gerais. O termo "adido" é usado para designar um agente diplomático que não é um diplomata de carreira.

"A partir da remoção [para o sistema federal], as ordens passaram a ser nas ruas. E um dos indivíduos, Marcos Roberto, vulgo Tuta, ele assumiu a função do Marcola. É um indivíduo que tem contato em consulado, que transita no país e fora do país. É uma operação hoje que a ordem não está mais centralizada dentro do presídio, mas na rua. Por isso a importância da operação de hoje", afirmou o promotor Lincoln Gakiya.

"O Marcos Roberto, vulgo Tuta, já era da sintonia de 1, mas não era o número 1 do PCC. Com a remoção do Marcola, ele foi elencado, nominado pelo Marcola para ser o novo n° 1 do PCC tanto dentro como fora dos presídios. É um velho conhecido nosso, só que em liberdade, ele atingiu o status, seria o novo Marcola na nossa concepção", completou.

O G1 tenta contato com o consulado e advogados do foragido.

Além dele, o Ministério Público identificou outros 20 nomes que fazem parte da nova cúpula da facção.

Entre eles três nomes que seriam o braço financeiro da organização criminosas, que administram o dinheiro oriundo do tráfico feito belo bando. Entre os nomes que fazem parte do braço financeiro está uma mulher: Carla Luy Riciotti Lima, além de Robson Sampaio Lima e José Carlos de Oliveira.

Operação Sharks

A Operação Sharks tinha objetivo de prender parte da nova cúpula e cumpriu 12 mandados de prisão, além de 40 de busca e apreensão. Pelo menos três pessoas foram presas e outras nove ainda estão foragidas e sendo procuradas no estado, segundo os promotores. Na ação, foram apreendidos explosivos, arma e carros de luxo usados pela organização.

Os mandados foram cumpridos na capital paulista, em cidades da região metropolitana, da Baixada Santista e em cidades do interior. Durante as buscas, os investigadores encontraram uma quantia superior a R$ 100 mil em dinheiro vivo. Diversos veículos de luxo e porções de drogas foram recolhidos, além de uma pistola calibre 9mm, munição e oito cartuchos de emulsão explosiva (TNT).

Os agentes também localizaram diversos equipamentos eletrônicos e documentos, parte dos quais relacionados à propriedade de bens.

Investigação

Os investigadores apontam que o atual comando seria composto por 21 pessoas. Alvos foram identificados vivendo na Bolívia, no Paraguai e até na África.

"Alguns alvos estão foragidos, possivelmente no Paraguai e na Bolívia, ou até mesmo na África, mas a importância foi reunir provas contra esses elementos, conseguir as prisões temporárias. É a operação hoje considerada mais importante depois da remoção da liderança", disse o promotor Lincoln Gakyia, integrante da força-tarefa que investiga a facção.

A operação também tem como alvo a prisão dos homens que teriam sido encarregados por Marcola para executar Gakyia. O promotor foi o responsável pelo pedido de transferência dos chefes do PCC para presídios federais no ano passado.

Em agosto deste ano, Marcola se tornou réu pela acusação de dar ordem para matar o promotor de Justiça e o chefe de presídios paulistas em 2018.

Na semana passada, o Departamento Penitenciário Nacional voltou a encaminhar um relatório de inteligência ao MP paulista dizendo que Marcola insiste no plano de assassinar Gakyia. Marcola teria ameaçado matar os criminosos que não conseguissem cumprir essa ordem.
 
Lavagem de dinheiro

Além das prisões, a operação tenta desarticular um esquema de lavagem de dinheiro feito por meio de dólar-cabo (operação de câmbio informal, na qual são realizadas transferências internacionais de valores mediante compensações, sem respeitar as normas do sistema financeiro nacional) no Paraguai e na Bolívia.
 
De acordo com o MP, planilhas apreendidas pelos investigadores apontam que a facção movimenta cerca de R$ 100 milhões por ano, principalmente com tráfico de drogas e arrecadação de valores de seus integrantes.

Para ocultar o dinheiro arrecadado semanalmente, os investigados compravam veículos e se valiam de imóveis com fundos falsos, onde guardavam dinheiro vivo antes de realizar transferências, muitas vezes por intermédio de doleiros.

A operação é comandada por uma força-tarefa formada por oito promotores de Justiça de diferentes regiões do Estado. Além dos promotores de justiça, participaram da operação agentes do Ministério Público e mais de 250 policiais militares.

Os presos e os objetos apreendidos foram levados para a sede do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), no Centro da capital paulista, mas devem ser transferidos para presídios de segurança máxima na região de Presidente Prudente (CRP de Presidente Bernardes e Penitenciária 2 de Presidente Venceslau) ainda nesta segunda.

O MP tem 30 dias para encerrar as investigações, ouvindo os presos e examinando os materiais apreendidos para apresentar as denúncias à Justiça.
Os valores em dinheiro serão depositados judicialmente e poderão ser revertidos para utilização no combate ao tráfico e às organizações criminosas. As drogas apreendidas deverão ser destruídas.

Os investigados podem responder pelos crimes de organização criminosa armada, tráfico de drogas, associação ao tráfico e lavagem de dinheiro.

Histórico

Segundo o Ministério Público, a investigação começou em 2018, após a prisão do homem responsável pelo setor financeiro da facção.

Documentos apreendidos com ele levaram os investigadores a Eduardo Aparecido de Almeida, conhecido como Pisca, preso também em 2018, em uma luxuosa mansão em Assunção, no Paraguai.

Pisca era apontado como um dos principais membros da facção no exterior.


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