COBERTURA ESPECIAL - Pacífico - Geopolítica

25 de Janeiro, 2022 - 10:00 ( Brasília )

Dois porta-aviões dos EUA entram no Mar do Sul da China para "conter influência maligna"


Dois porta-aviões dos Estados Unidos entraram no disputado Mar do Sul da China para treinamento, afirmou o Departamento de Defesa dos EUA no domingo, no que um comandante sênior afirmou ter o objetivo de reconfortar aliados e demonstrar determinação para "conter influência maligna".

As águas em disputa são uma das muitas áreas de tensão entre Estados Unidos e China, que reivindica uma grande parte delas e construiu bases militares em ilhas artificiais. Navios da Marinha dos EUA rotineiramente passam perto dessas ilhas para desafiar as reivindicações de soberania da China, para a irritação de Pequim.

Os porta-aviões realizarão exercícios que incluem operações de guerra anti-submarino, operações de guerra aérea e operações de interdição marítima para fortalecer a prontidão de combate, disse o Departamento de Defesa dos EUA, em comunicado.

O treinamento será conduzido de acordo com leis internacionais para águas internacionais, acrescentou o Departamento de Defesa, sem dar mais detalhes.

A notícia da nova operação norte-americana coincide com Taiwan relatando a mais recente incursão em massa da Força Aérea da China à sua zona de identificação de defesa aérea, em uma região perto das Ilhas Pratas, controladas por Taiwan, no extremo norte do Mar do Sul da China.

Coreia do Norte lança dois supostos mísseis de cruzeiro, afirma Seul¹



A Coreia do Norte lançou dois supostos mísseis de cruzeiro nesta terça-feira, anunciou a Coreia do Sul, o que aumenta para cinco o número de testes militares executados em um mês, no momento em que Pyongyang ignora as ofertas de diálogo do governo dos Estados Unidos.

A última vez que a Coreia do Norte executou tantos testes de armas em um mês foi em 2019, após o fracasso das negociações de alto nível entre o ex-presidente americano Donald Trump e o líder norte-coreano Kim Jong Un.

"A Coreia do Norte lançou dois supostos mísseis de cruzeiro", afirmaram os comandantes do Estado-Maior das Forças Armadas da Coreia do Sul em um comunicado, que não apresenta mais detalhes.

Os mísseis de cruzeiro não estão proibidos no atual regime de sanções da ONU e a Coreia do Sul não relata de maneira habitual cada um desses testes em tempo real, como faz com os mísseis balísticos.

O último registro de um teste de mísseis de cruzeiro por Pyongyang aconteceu em setembro de 2021.

A série de lançamentos acontece após um discurso pronunciado em dezembro por Kim Jong Un, no qual prometeu modernizar o arsenal do país.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, impôs no início de janeiro novas sanções, uma medida que Pyongyang considerou uma "provocação" e que poderia responder com a retomada dos testes nucleares e balísticos de longo alcance.

As agências de inteligência dos Estados Unidos e da Coreia do Sul estão analisando o disparo desta terça-feira.

Pyongyang rejeita as propostas de diálogo de Washington e executou uma série de testes de armamento nas últimas semanas para demonstrar força.

Os disparos desta terça-feira parecem um desafio aberto à proposta de Biden de negociar "sem condições prévias", uma oferta que não resultou em nenhum avanço no último ano.
 

"A Coreia do Norte parece querer testar a reação de Washington e, ao mesmo tempo, mostrar sua presença no cenário internacional", afirmou à AFP Yang Moo-jin, professor da Universidade de Estudos Norte-Coreanos.

Com o lançamento de um míssil de cruzeiro, Pyongyang desafia os Estados Unidos, sem violar as sanções da ONU, destaca o analista.

Os testes acontecem em um período complexo na região: a China, único aliado do regime norte-coreano, receberá os Jogos Olímpicos de Inverno em fevereiro e a Coreia do Sul celebrará eleições presidenciais em março.

Para Ahn Chan-il, um desertor norte-coreano que se tornou um pesquisador, os testes podem ser uma forma de pressionar a China.

"Os Jogos Olímpicos de Pequim não podem ser um festival de paz sem a paz na Península Coreana", disse.

"E a paz na Península Coreana depende da Coreia do Norte", destacou.

Pyongyang, que registrou um agravamento dos problemas econômicos após o fechamento total de suas fronteiras para evitar a propagação da pandemia de covid-19, começou a retomar o comércio com Pequim no início de janeiro.

¹com AFP


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