COBERTURA ESPECIAL - Pacífico - Naval

14 de Dezembro, 2021 - 15:15 ( Brasília )

Desejo da Austrália de obter submarinos nucleares tem ‘riscos enormes’, diz estudo


O plano da Austrália de desenvolver uma frota de submarinos de propulsão nuclear custará mais de US$ 80 bilhões e levará décadas para ser concluído, o projeto “mais complexo” em que o país já embarcou – alerta um estudo divulgado nesta segunda-feira (13).

O relatório do Australian Strategic Policy Institute – um influente “think tank” com sede em Camberra – afirma que essas naves, construídas com tecnologia dos Estados Unidos e do Reino Unido, oferecerão mais garantias para enfrentar um ataque da China, ou de outro país.

Ao mesmo tempo, será uma área muito difícil, que vai exigir uma mudança radical nas capacidades militares e industriais da Austrália. É, “provavelmente, o maior e mais complexo esforço em que a Austrália vai embarcar. Os desafios, os gastos e os riscos serão enormes”, afirma o “think tank”.

“Provavelmente, serão necessárias ao menos duas décadas e dezenas de bilhões de dólares em gastos até que a Austrália tenha capacidades militares nucleares”, acrescenta. Anunciado no mês passado, o projeto fará da Austrália a única potência não nuclear a possuir submarinos nucleares, que são capazes de percorrer longas distâncias rapidamente.

Camberra planeja equipá-los com armas convencionais, e não com mísseis nucleares. Mesmo na perspectiva mais otimista, os primeiros submarinos provavelmente não estarão em funcionamento antes de 2040, segundo os autores do estudo, que incluem ex-autoridades do Departamento da Defesa da Austrália e um especialista em física nuclear.

O custo das oito naves do programa vai aumentar para US$ 83 bilhões, “como mínimo”, equivalentes a um décimo do Produto Interno Bruto (PIB) anual do país. Este projeto de submarinos nucleares gerou problemas diplomáticos para a Austrália. Sua vizinha Indonésia manifestou sua preocupação, e a decisão de anular uma compra anterior já decidida de submarinos não nucleares franceses provocou indignação em Paris.


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