COBERTURA ESPECIAL - Pacífico - Geopolítica

08 de Outubro, 2021 - 07:00 ( Brasília )

Taiwan e China vivem situação 'mais sombria' em quatro décadas


A relação militar entre Taiwan e China está no pior momento em quatro décadas, advertiu nesta quarta-feira (6) o ministro da Defesa da ilha, após vários dias de incursões de aviões chineses em sua zona de defesa aérea.

"Para as Forças Armadas, a situação atual é a mais sombria em 40 anos desde que iniciei meu serviço", declarou no Parlamento o ministro taiwanês Chiu Kuo-cheng.

Pequim, que considera Taiwan parte de seu território e pretende recuperar a ilha mesmo que seja pela força, introduziu 150 aviões de guerra na zona de defesa aérea taiwanesa desde sexta-feira, incluindo bombardeiros H-6 com capacidade nuclear.

O "menor descuido" ou "erro de cálculo" pode desencadear uma "crise" no estreito de Taiwan, advertiu Chiu, considerando que em 2025 Pequim estará em posição de lançar um ataque em grande escala contra a ilha.

"É capaz agora, mas precisa calcular o custo que terá que pagar e que tipo de resultado deseja alcançar. Depois de 2025, os custos e as perdas cairiam ao mínimo", disse Chiu.

Taiwan vive sob constante ameaça de invasão por parte de Pequim, que aumentou a pressão militar, diplomática e econômica na ilha desde 2016, quando a atual presidente Tsai Ing-wen assumiu o poder em Taipei.

A líder, que considera a ilha como uma nação soberana de fato e não parte da China, exortou Pequim nesta quarta-feira "a exercer contenção para evitar um conflito potencial devido a erros de cálculo ou acidentes".

"As ações (da China) prejudicam seriamente a paz e a estabilidade na região", disse Tsai.
 

Recentemente, afirmou também que Taiwan "fará o que for preciso" para se defender das ameaças, embora privilegie uma convivência pacífica.

As incursões de aviões chineses também atraíram críticas de Washington. Questionado sobre o assunto, o presidente Joe Biden disse na terça-feira que havia discutido sobre Taiwan com o presidente chinês Xi Jinping no mês passado.

"Respeitaremos o acordo sobre Taiwan. É nesse ponto que estamos e deixamos claro que acreditamos que ele (Xi) não deve fazer outra coisa senão respeitar o acordo", afirmou.

O presidente parecia estar se referindo ao acordo de 1979 pelo qual Washington diplomaticamente reconheceu o regime de Pequim como autoridade na China, em vez do governo de Taipei.

Sob esse pacto, Washington pode fornecer material militar para Taiwan em uma relação não oficial e não diplomática.

Há décadas, a questão da ilha, para onde os nacionalistas chineses do Kuomintang se retiraram depois de perder para os comunistas de Mao Zedong em 1949, afeta as relações entre as duas potências por décadas.

Com a chegada do presidente Xi Jinping ao poder em Pequim e de Tsai a Taipei, a tensão na área aumentou.

O chinês, que classificou a tomada de Taiwan como "inevitável", também descreveu as relações com o território como "sombrias" em uma carta enviada na semana passada ao novo líder opositor da ilha.

O ano passado registrou o recorde de incursões de aviões militares chineses à zona de defesa de Taiwan, com 380. Desde o início de 2021, o número supera 600.

Taiwan busca apoio internacional diante de tensão crescente com China



Taiwan garantirá a paz e a estabilidade regionais e quer trabalhar com democracias de mentalidade semelhante, disse a presidente taiwanesa, Tsai Ing-wen, a dignitários da França e da Austrália nesta quinta-feira, dias depois de uma disparada dramática nas tensões com a China.

As viagens de quatro senadores franceses e do ex-primeiro-ministro australiano Tony Abbott à ilha ocorre depois de quatro dias seguidos, iniciados na sexta-feira, de incursões maciças da Força Aérea chinesa na zona de defesa aérea de Taiwan, ações vistas com preocupação pelos Estados Unidos e aliados.

Taiwan, que tem um governo democrático, busca o apoio de outras democracias, especialmente os Estados Unidos e seus parceiros, em meio à pressão militar e política crescente da China, que reivindica Taiwan como parte de seu território, a ser tomada à força, se necessário.

Falando no gabinete presidencial aos quatro senadores franceses, liderados pelo ex-ministro da Defesa Alain Richard, Tsai agradeceu a França por sua preocupação com a situação no Estreito de Taiwan e pelo apoio para sua participação internacional.

"Continuaremos a cumprir nossas responsabilidades como membros da comunidade internacional para garantir a paz e a estabilidade na região Indo-Pacífico. Também esperamos fazer mais contribuições ao mundo juntamente com a França", acrescentou ela.

Richard debateu a "contribuição essencial de Taiwan ao campo importante do progresso humano", mas não mencionou as tensões militares crescentes com a China nos comentários transmitidos ao vivo na página de Facebook do gabinete presidencial.

 


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