COBERTURA ESPECIAL - Pacífico - Geopolítica

03 de Fevereiro, 2021 - 11:11 ( Brasília )

Quase 11.000 cidadãos de HK foram viver em Taiwan em 2020


Quase 11 mil cidadãos de Hong Kong se mudaram para Taiwan em 2020, um número recorde, anunciaram as autoridades taiwanesas, num contexto de aumento do controle de Pequim sobre a ex-colônia britânica.

Um total de 10.813 cidadãos de Hong Kong obtiveram autorizações de residência de curta duração na ilha em 2020, quase o dobro das 5.858 concedidas no ano anterior, informou a Agência Nacional de Imigração de Taiwan. Há muito tempo, Taiwan atrai pessoas de Hong Kong que buscam um estilo de vida mais tranquilo e fogem do frenesi no território semi-autônomo do sul da China.

O recorde anterior - 7.506 - foi estabelecido em 2014, quando a ex-colônia britânica foi abalada pelo movimento Guarda-chuva, uma mobilização pró-democracia para desafiar o domínio chinês. De acordo com o jornal taiwanês Liberty Times, o número de cidadãos de Hong Kong chegando à ilha provavelmente teria sido ainda maior sem as restrições estabelecidas para conter a pandemia de coronavírus.

Taiwan não aceita refugiados em seu território para evitar um influxo maciço de pessoas da China continental. Mas os habitantes de Hong Kong podem solicitar residência na ilha por meio de outros mecanismos, como vistos de investimento.

Hong Kong foi durante vários meses em 2019 palco de uma grande mobilização popular para exigir reformas democráticas e denunciar a ingerência de Pequim no território, que teoricamente goza de ampla autonomia. Em 2020, o governo chinês recuperou o controle, principalmente ao impor uma dura lei de segurança nacional que levou muitas pessoas ao exílio.

China retira licença profissional de outro advogado ativista de Hong Kong¹



Um segundo advogado chinês de direitos humanos que defende um dos 12 ativistas pró-democracia de Hong Kong acusados de deixar ilegalmente o território anunciou nesta terça-feira (2) que as autoridades revogaram sua licença profissional.

Ren Quanniu mostrou à AFP um documento do Departamento de Justiça de Henan, uma província na China central, revogando seu direito de exercer a advocacia. Outro advogado, Lu Siwei, que também estava trabalhando no caso "Os doze de Hong Kong", perdeu sua licença profissional em janeiro.

Em Washington, o Departamento de Estado disse que os Estados Unidos estavam "profundamente preocupados" com a situação. "Pedimos a Pequim que respeite os direitos humanos e o Estado de Direito e devolva imediatamente suas licenças", escreveu o porta-voz Ned Price no Twitter.

Os doze ativistas pró-democracia foram detidos no mar pela guarda costeira chinesa em 23 de agosto enquanto tentavam fugir do território para Taiwan. Em junho, a China impôs uma lei de segurança nacional em Hong Kong que lhe dá jurisdição na cidade para alguns crimes e dá às suas forças de segurança a capacidade de agir abertamente.

Alguns dos passageiros do navio estão ameaçados de processo em Hong Kong por sua participação nos protestos pró-democracia massivos que ocorreram na cidade em 2019. Em setembro, os dois advogados tiveram negado o acesso para se reunirem com os réus na China continental.

No final de dezembro, um tribunal chinês condenou 10 dos 12 ativistas a até três anos de prisão por terem cruzado a fronteira ilegalmente. Dias depois, as autoridades advertiram os dois advogados que suas licenças seriam revogadas.

Ren Quanniu recebeu a notificação após uma audiência na última sexta-feira em Henan relacionada a um caso de 2018 no qual ele representou um membro do Falun Gong, um grupo religioso proibido na China continental.

As autoridades consideraram que o advogado "perturbou a ordem normal do processo judicial", "deteriorou gravemente a imagem da atividade jurídica" e "causou um impacto negativo na sociedade".

Ren Quanniu disse à AFP que as acusações eram "infundadas".

"Se minha licença puder ser revogada nessas circunstâncias, acho que o sistema jurídico chinês está morto", criticou.

Os dois advogados acreditam que a revogação de seus direitos profissionais se deve ao fato de terem defendidos os "Doze de Hong Kong".

“Os ativistas perseguidos e aqueles que criticam o governo hoje têm poucas chances de encontrar advogados para defender seus direitos”, estimou a ONG Chinese Human Rights Defenders.

¹com Reuters


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