COBERTURA ESPECIAL - Pacífico - Geopolítica

08 de Janeiro, 2021 - 10:45 ( Brasília )

Pequim diz que Washington vai pagar 'preço alto' se embaixador na ONU for a Taiwan


A China ameaçou nesta quinta-feira os Estados Unidos com "pagar um preço alto" caso seu embaixador nas Nações Unidas, Kelly Craft, mantenha os planos anunciados pelo Departamento de Estado de viajar para Taiwan nos próximos dias. "Os Estados Unidos pagarão um preço alto por sua decisão errada", alerta um comunicado da missão chinesa na ONU.

"A China exorta veementemente os Estados Unidos a parar com sua provocação louca, a parar de criar novas dificuldades para as relações China-EUA e a cooperação entre os dois países nas Nações Unidas, e parar de seguir no caminho errado."

A China "se opõe firmemente" à visita e exige que os EUA cancelem seus planos, acrescenta o comunicado, reiterando a política de Pequim de uma única China, segundo a qual Taiwan é apenas uma província do continente. A data exata da visita de Craft não está clara.

A agência de notícias estatal chinesa Xinhua também criticou a viagem, dizendo que a presença de um embaixador dos EUA em Taiwan violaria a soberania chinesa. Funcionários do governo Trump visitaram Taiwan no ano passado, apesar da oposição de Pequim, em meio a tensões EUA-China envolvendo o comércio, a segurança e os direitos humanos.

Potências ocidentais condenam prisões em Hong Kong e pedem libertação de opositores

Grande parte da comunidade internacional e da ONU criticou, nesta quinta-feira (7), a prisão de 53 opositores pró-democracia em Hong Kong, detidos em nome de uma severa lei de segurança nacional.

O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos pediu a "libertação imediata" dos detidos.

"As prisões de ontem (quarta-feira) são as últimas de uma série de prisões relacionadas ao exercício das liberdades fundamentais, incluindo o direito de reunião pacífica em Hong Kong", disse a porta-voz da organização, Liz Throssell, em uma nota.

As potências ocidentais criticaram esta "severa repressão" e o "terrível ataque" às liberdades, teoricamente garantidas neste território semiautônomo até 2047 pelo princípio "um país, dois sistemas" acordado entre a China e a antiga potência colonial do Reino Unido.

Na madrugada de quarta-feira, mais de mil policiais prenderam 53 personalidades da oposição, incluindo um advogado americano, acusados de "subversão" no âmbito desta lei, em vigor desde o final de junho e que prevê severas penas de prisão, incluindo prisão perpétua.

Nesta quinta-feira, o ativista pró-democracia Joshua Wong, uma das faces mais conhecidas da oposição e que está detido por seu papel nas manifestações de 2019, foi indiciado por outra acusação, a de "subversão".

Muitos dos presos na quarta-feira foram libertados sob fiança na noite seguinte. Entre eles, um ex-membro do parlamento local, Kwok Ka-ki, para quem "este lugar (Hong Kong) está se tornando irreconhecível e assustador".

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, exigiu nesta quinta a libertação "imediata" e "incondicional" dos 53 detidos. E acrescentou que "os Estados Unidos não ficarão de braços cruzados enquanto o povo de Hong Kong sofre a opressão comunista".

Ontem, em Washington, Anthony Blinken, nomeado pelo presidente eleito Joe Biden para chefiar o Departamento de Estado classificou as prisões como um "ataque" aos "direitos universais".

Já o chanceler britânico, Dominic Raab, denunciou uma "grave violação de direitos e liberdades".

Por sua vez, a China traçou um paralelo entre as cenas de caos no Capitólio em Washington e as manifestações pela democracia na ex-colônia britânica.

Em nota, a representação chinesa na ONU em Genebra também criticou a "ingerência na soberania e nos assuntos internos" do país.

Ameaça de sanções

A União Europeia lançou um apelo pela "libertação" dos detidos e ameaçou adotar "sanções", enquanto a França criticou a "degradação contínua" da situação na ex-colônia britânica.

A operação de quarta-feira é o mais recente golpe contra a dissidência desde meados de junho, quando o poder central chinês decidiu intervir para acabar com as imensas manifestações pró-democracia que abalaram o território em 2019.

"Isso demonstra muito clara e inequivocamente o controle do governo chinês em Hong Kong", comentou, em conversa com a AFP Dylan Loh, especialista em política chinesa na Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura.

"Não há necessidade de se iludir mais. O governo central é o responsável", acrescentou.

Os detidos são acusados de organizarem eleições primárias da oposição em julho passado, as quais contaram com a participação de cerca de 600.000 pessoas, com o objetivo claro de obter a maioria nas eleições legislativas de setembro de 2020.

Por fim, o governo, que havia proscrito vários candidatos independentes, decidiu adiar as eleições, devido à pandemia do coronavírus.

As primárias ofuscaram o poder central de Pequim, que considerou que se tratava de uma tentativa de "derrubar" e "paralisar" o Executivo da ilha e uma ameaça à segurança nacional.

As personalidades presas na quarta-feira pertencem a um espectro muito amplo do movimento pró-democracia.

Varia de ex-parlamentares como James To, Andrew Wan, Lam Cheuk Ting ou Claudia Mo, a militantes mais jovens como Gwyneth Ho, ex-jornalista de 30 anos, ou Tiffany Yuen, uma conselheira distrital de 27 anos.

Primeiro americano detido

Entre os detidos, está o advogado John Clancey, residente permanente de Hong Kong especializado em questões de direitos humanos, o primeiro americano detido sob a lei de segurança nacional.

A polícia de Hong Kong pode deter qualquer pessoa por 48 horas, mas deve apresentá-la a um juiz, ou libertá-la.

Uma fonte da polícia disse à AFP que a maioria dos detidos seria libertada sob fiança ainda nesta quinta-feira.

Em geral, as pessoas acusadas de crimes relacionados com a segurança nacional não são soltas sob fiança.

A lei de segurança aprovada em junho visa a reprimir a subversão, a secessão, o terrorismo e o conluio com forças estrangeiras.

O governo chinês disse que o objetivo era combater uma "pequena minoria" de pessoas, mas rapidamente passou a usar o mecanismo para silenciar a oposição por meio de dezenas de prisões.

Em 2020, vários líderes do movimento pró-democracia foram detidos e encarcerados, enquanto outros partiram para o exílio.



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