COBERTURA ESPECIAL - Pacífico - Geopolítica

23 de Outubro, 2020 - 13:13 ( Brasília )

EUA aprova venda de mísseis ar-terra a Taiwan e irrita a China


O governo dos Estados Unidos anunciou na quarta-feira que aprovou a venda a Taiwan de 135 mísseis de defesa Slam-ER, que têm capacidade de alcançar a China, por um bilhão de dólares.

Washington, concentrado em contra-atacar a influência da China na região, também decidiu vender a Taiwan lança-foguetes táticos por 436 milhões de dólares e equipamentos de imagem para o reconhecimento aéreo por US$ 367 milhões, o que eleva o total dos contratos a 1,8 bilhão de dólares.

A venda dos 135 mísseis "serve aos interesses econômicos e de segurança nacional dos Estados Unidos, ajudando (Taiwan) a modernizar suas Forças Amadas e a conservar uma capacidade de defesa confiável", afirmou o Departamento de Estado ao anunciar a decisão.

A China, que reivindica Taiwan como parte de seu território, pediu nesta quinta-feira (22) a Washington que anule a venda "para evitar maiores prejuízos às relações bilaterais, assim como à paz e establidade no Estreito de Taiwan".

"A China dará uma legítima e necessária resposta dependendo da evolução da situação", alertou o porta-voz da diplomacia chinesa Zhao Lijian. O ministério taiwanês da Defesa destacou que o armamento ajudará Taiwan a "construir uma capacidade confiável de combate".

O míssil ar-terra Standoff Land Attack Missile Expanded Response (Slam-ER) tem alcance máximo de 270 km, superior à largura do Estreito de Taiwan que separa a ilha da China. Pequim considera Taiwan parte da China e ameaça regularmente recorrer à força em caso de proclamação formal de independência de Taipé ou de intervenção estrangeira, especialmente americana. Washington rompeu relações diplomáticas com Taipé em 1979 para reconhecer Pequim, mas continua sendo o aliado mais importante da ilha e seu principal fornecedor de armas.

A China aumentou a pressão militar e diplomática sobre Taiwan desde a eleição em 2016 da presidente Tsai Ing-wen, que rejeita a visão de Pequim de que a ilha é parte de "uma só China".


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