COBERTURA ESPECIAL - OTAN - Geopolítica

01 de Julho, 2022 - 12:00 ( Brasília )

OTAN diz que apoiará Ucrânia “enquanto for preciso” e EUA ampliam presença militar na Europa


Os quatro meses de invasão russa à Ucrânia despertaram e reunificaram os líderes da OTAN. Durante um encontro considerado histórico em Madri, os chefes da Aliança do Atlântico Norte mostraram unidade para combater os avanços da Rússia. Nesta quarta-feira (29), a OTAN garantiu que manterá seu apoio à Ucrânia, enquanto os Estados Unidos ampliam sua presença militar no continente europeu.

Após uma cúpula de dois dias na Espanha, os membros da OTAN reafirmaram o apoio da aliança à Ucrânia "pelo tempo que for preciso" para resistir à invasão russa. Eles também anunciam a abertura do processo de adesão da Finlândia e da Suécia.

Na declaração final do encontro, os 30 países-membros apontaram a “total responsabilidade” de Moscou pela “catástrofe humanitária” que acontece na Ucrânia e condenaram a "crueldade" da invasão russa.

Durante a tarde, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou o aumento da presença militar norte-americana no continente europeu diante da ameaça de Moscou. Biden citou o envio de tropas à Espanha, Polônia, Romênia, Países Bálticos, Reino Unido, Alemanha e Itália.

O objetivo deste destacamento seria o de fortalecer as tropas da OTAN para "responder às ameaças", disse o presidente nesta quarta-feira, sem citar o número de soldados envolvidos. “Se Vladimir Putin esperava um enfraquecimento da OTAN ao atacar a Ucrânia, é o efeito oposto que está acontecendo. "Haverá mais OTAN, não menos", disse Biden.

Europa com OTAN fortalecida

Os líderes da OTAN também lançaram formalmente o processo de adesão da Finlândia e da Suécia à aliança, dois países que decidiram abandonar sua tradicional neutralidade militar diante da invasão russa.

A incorporação da Finlândia, e seus 1.300 km de fronteira terrestre com a Rússia, fará com que a OTAN mais do que dobre seus limites territoriais com este país.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comemorou a ampliação da aliança. “A entrada da Finlândia e da Suécia torna a OTAN maior, mais europeia e mais forte. Putin queria nos dividir. O que ele conseguiu foi um alinhamento mais forte entre a União Europeia e a OTAN. Este é um bom dia para a aliança do Atlântico Norte, para a União Europeia, para a Finlândia e para a Suécia”, publicou.

A Rússia respondeu aos anúncios com críticas ao que chamou de "agressividade" dos países da Aliança. O vice-ministro das Relações Exteriores, Serguei Ryabkov, chamou a ampliação da OTAN de "profundamente desestabilizadora".

Mas o representante de Moscou afirmou que o país não se sente intimidado pelo anúncio do aumento de tropas norte-americanas no continente europeu. "Aqueles que propõem tais decisões têm a ilusão de que a Rússia pode ser intimidada, de alguma forma contida: eles não terão sucesso", respondeu Ryabkov.

Biden anuncia nova ajuda militar de US$ 800 milhões à Ucrânia


No último dia da cúpula da OTAN, em Madri, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou o envio à Ucrânia de uma ajuda militar de "mais de US$ 800 milhões" em defesa antiaérea, artilharia e outros equipamentos. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (30) e o pacote será detalhado "nos próximos dias", de acordo com o chefe da Casa Branca.

No encerramento do evento na Espanha, o presidente francês, Emmanuel Macron, saudou a adoção de um novo conceito estratégico da Aliança do Atlântico Norte. Este "documento fundamental", aos olhos do presidente francês, "reconhece o novo ambiente de segurança criado pela agressão da Rússia contra a Ucrânia" e "consagra, também, a cooperação estruturante entre a União Europeia e a OTAN", disse Macron na coletiva de imprensa ao final da cúpula.

“A OTAN não está em guerra e a Rússia é a única responsável pelo conflito na Ucrânia, bem como pelas graves consequências que impõe ao mundo inteiro”, acrescentou o presidente francês. "A Ucrânia não faz parte da OTAN, mas a luta que ela trava para se defender é nossa" e ela se beneficiará, portanto, do apoio da Aliança "o tempo que for preciso", continuou Emmanuel Macron.

China critica OTAN

Em seu documento intitulado "Conceito Estratégico" e que não era revisto desde 2010, a OTAN afirmou que a China representa um "desafio" para os interesses e a segurança dos países da Aliança. "As ambições declaradas e as políticas coercitivas da República Popular da China desafiam nossos interesses, segurança e valores", aponta o documento da OTAN.

Esta foi a primeira vez que o texto fez referência à China, que não era tradicionalmente mencionada na missão da OTAN. Uma prova da crescente preocupação com a China foi a participação no encontro de cúpula, pela primeira vez, de funcionários dos governos do Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia. "A China não é um adversário", insistiu, no entanto, o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg.

Porém, como era esperado, o documento foi criticado por Pequim. "Este suposto documento de Conceito Estratégico da OTAN ignora a realidade e apresenta os fatos ao contrário. Se esforça (...) para difamar a política externa da China", disse Zhao Lijian, porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores. "Tem a obstinação equivocada de apresentar a China como um desafio sistêmico", completou o porta-voz, que expressou a "firme oposição" de seu país ao documento da OTAN.

A OTAN denuncia "o aprofundamento da parceria estratégica entre China e Rússia e suas tentativas de minar a ordem internacional". As potências ocidentais alertaram diversas vezes Pequim contra qualquer apoio à Rússia na guerra contra a Ucrânia, que a China não condenou.

Por sua vez, a China critica a OTAN como uma organização militar hostil, a serviço dos interesses dos Estados Unidos. "Na realidade, a OTAN é que constitui um verdadeiro desafio sistêmico para a paz e a estabilidade mundiais", observou o porta-voz chinês Zhao Lijian. "As mãos da OTAN estão manchadas de sangue, dos povos do mundo", destacou Lijian, em referência às intervenções da Aliança no Afeganistão, na Líbia ou ao bombardeio da embaixada da China na Sérvia, em 1999, que matou três jornalistas chineses, manchando a reputação da OTAN no país asiático.

Alemanha rebate críticas de Putin

O chanceler alemão, Olaf Scholz, classificou nesta quinta-feira como "ridícula" a acusação do presidente russo, Vladimir Putin, que estimou, na noite de quarta-feira (29), que a OTAN tinha "ambições imperialistas". "Honestamente, é bastante ridículo. A OTAN é uma aliança defensiva. Não é uma ameaça para ninguém", disse Scholz em entrevista coletiva após a cúpula da OTAN, em Madri.

Durante uma visita a Ashkhabad, capital do Turcomenistão, Vladimir Putin havia denunciado, na véspera, que "os principais países da OTAN desejam afirmar a sua hegemonia, suas ambições imperiais". "O apelo para que a Ucrânia continue lutando e recuse as negociações apenas confirma nossa suposição de que a Ucrânia e o bem do povo ucraniano não é o objetivo do Ocidente e da OTAN, mas uma forma de defender seus próprios interesses", acrescentou Putin.

"Foi Putin quem fez do imperialismo o objetivo de sua política" ao dizer que "os países vizinhos" da Rússia eram "parte de seu país", acrescentou o chanceler alemão. "Isto é imperialismo e não pode ser chamado de outra forma", concluiu Scholz.

(Com informações da AFP)


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