COBERTURA ESPECIAL - OTAN - Geopolítica

14 de Janeiro, 2022 - 09:00 ( Brasília )

OTAN oferece negociações de armas com Rússia para evitar "risco real" de conflito

Rússia diz que negociações com EUA e Otan até agora são "malsucedidas" e ameaça ação

A OTAN disse nesta quarta-feira que está disposta a conversar com a Rússia sobre controle de armas e implantação de mísseis, mas não permitirá que Moscou vete a ambição da Ucrânia de se juntar à aliança, alertando para um risco real de uma nova guerra na Europa.

A oferta do secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, atendeu apenas a uma fração das amplas demandas apresentadas pela Rússia, que levou o Ocidente à mesa de negociações ao reunir cerca de 100.000 soldados perto da fronteira com a Ucrânia.

Stoltenberg disse após quatro horas de conversas entre embaixadores da aliança e uma delegação russa em Bruxelas que a OTAN não deixaria Moscou ditar arranjos de segurança para outros países e criar perigosas esferas de influência.

"Existe um risco real de novos conflitos armados na Europa", disse Stoltenberg em entrevista coletiva.

"Existem diferenças significativas entre os aliados da OTAN e a Rússia", disse ele. "Nossas diferenças não serão fáceis de superar, mas é um sinal positivo que todos os aliados da OTAN e a Rússia se sentaram em torno da mesma mesa e se engajaram em tópicos substantivos."

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Grushko, disse que Moscou está pronta para falar sobre armas e medidas de verificação, mas não permitirá que suas propostas sejam escolhidas a dedo.

"VULNERABILIDADES"

Em uma longa entrevista coletiva, Grushko afirmou que a Rússia não pode levar a sério a afirmação da OTAN de ser uma aliança defensiva que não representa ameaça a ela, e disse que responderia simetricamente a qualquer tentativa de contê-la ou intimidá-la.

"Se houver uma busca por vulnerabilidades no sistema de defesa russo, também haverá uma busca por vulnerabilidades na OTAN", declarou ele.

"Esta não é nossa escolha, mas não haverá outro caminho se não conseguirmos reverter o atual curso muito perigoso dos eventos."

Grushko disse mais tarde que Moscou usaria meios militares para neutralizar ameaças à segurança se a diplomacia se mostrasse insuficiente.

De acordo com a agência de notícias Interfax, o vice-ministro da Defesa russo, Alexander Fomin, afirmou que o fato de a OTAN "ignorar" as propostas de segurança russas criou o risco de "incidentes e conflitos".

A Rússia nega planejar invadir a Ucrânia, mas diz que precisa de uma série de garantias para sua própria segurança, incluindo a suspensão de qualquer expansão da OTAN e a retirada das forças da aliança das nações da Europa Central e Oriental que se juntaram a ela após a Guerra Fria.

A vice-secretária de Estado dos EUA, Wendy Sherman, que liderou a delegação dos EUA nas negociações com a Rússia em Genebra na segunda-feira, disse que era difícil entender por que uma Rússia com armas nucleares se sentiu ameaçada por seu vizinho muito menor e estava realizando exercícios de tiro real perto de sua fronteira.

"Do que se trata? Trata-se de invasão? Trata-se de intimidação? Trata-se de tentar ser subversivo? Não sei, mas não conduz a soluções diplomáticas", disse ela.

A Rússia não se comprometeu a diminuir a escalada, disse ela, mas também não disse que não o faria.

Stoltenberg disse que qualquer uso da força russa contra a Ucrânia seria um grave erro político pelo qual a Rússia pagaria um alto preço.

"Sem ultimatos": Rússia apresenta demandas de segurança em reunião com a OTAN



A Rússia começou a delinear suas exigências por garantias de Segurança na Europa para os 30 aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na quarta-feira, mas insistiu que não eram ultimatos, após negociações intensas com os Estados Unidos em Genebra que não conseguiram quebrar o impasse.

O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, recebeu o vice-ministro russo de Relações Exteriores, Alexander Grushko, na sede da aliança para tentar desescalar o ponto mais alto de tensão entre Ocidente e a Rússia desde a Guerra Fria devido ao acúmulo de tropas russas perto da fronteira com a Ucrânia.

Moscou negou as preocupações expressas pelos Estados Unidos de que possa estar planejando invadir seu vizinho, e o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que os exercícios na fronteira com a Ucrânia na terça-feira não estão ligados às negociações com a OTAN.

"Não estamos negociando a partir de uma posição de força; não há, nem pode haver, qualquer lugar para ultimatos aqui", disse ele em Moscou, durante as negociações em Bruxelas.

Aliados da OTAN dizem que as negociações, que são a tentativa no mais alto escalão para tentar transformar um potencial conflito militar sobre a Ucrânia em um processo político e diplomático, estão ocorrendo por causa da agressão russa, e não o contrário.

"Vamos ser claros: as ações da Rússia precipitaram essa crise. Estamos comprometidos a utilizar a diplomacia para desescalar a situação", afirmou a embaixadora dos EUA na OTAN, Julianne Smith, a jornalistas na noite de terça-feira.

"Queremos ver a Rússia recuando suas forças ", disse ela sobre os 100 mil militares estacionados próximos à Ucrânia.

Rússia diz que negociações com EUA e OTAN até agora são "malsucedidas" e ameaça ação



A Rússia disse nesta quinta-feira que está chegando a um impasse em seus esforços para persuadir o Ocidente a impedir a Ucrânia de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), reverterndo décadas de expansão da aliança na Europa, e ameaçou consequências não especificadas como resposta.

O vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, disse que especialistas militares russos estão fornecendo opções ao presidente Vladimir Putin caso a situação na Ucrânia piore, mas a diplomacia deve ter uma chance, de acordo com a agência de notícias TASS.

Ele disse que as conversas com os Estados Unidos em Genebra, na segunda-feira, e com a OTAN em Bruxelas, na quarta-feira, foram malsucedidas ou possuem "diferença de abordagens", dizendo não ver razão para se reunir novamente nos próximos dias para recomeçar as mesmas discussões.

A Rússia forçou os Estados Unidos e seus aliados à mesa de negociação ao reunir cerca de 100 mil militares na fronteira com a Ucrânia, enquanto nega que existam planos de invasão.

O Kremlin fez uma avaliação dura das reuniões diplomáticas desta semana antes mesmo de terminarem, enquanto as conversas avançam para Viena, na quinta-feira, na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), composta por 57 países.

"Se não tivermos uma resposta construtiva às nossas propostas dentro de um prazo razoável e o comportamento agressivo em relação à (Rússia) continuar, teremos que tomar as medidas necessárias para garantir o equilíbrio estratégico e eliminar ameaças inaceitáveis à nossa segurança nacional", escreveu a missão russa para a OSCE no Twitter, citando seu embaixador Alexander Lukashevich.
 

O ministro das Relações Exteriores da Polônia disse em Viena que a Europa está mais perto da guerra do que em qualquer outro momento nos últimos 30 anos, e o enviado norte-americano disse que o Ocidente não deve ceder à chantagem.

O governo de Moscou diz que após décadas de expansão da OTAN está determinado a desenhar "linhas vermelhas" e impedir que a aliança admita a Ucrânia como membro ou que a aliança coloque mísseis no território ucraniano.

Os Estados Unidos dizem que as exigências da Rússia para vetar o ingresso da Ucrânia no grupo, e suspender atividades militares na Europa oriental, são ideias que não têm chances de avançar, mas que estão dispostos a conversar com Moscou sobre controle de armamentos, colocação de mísseis e medidas de construção de confiança.

Ryabkov disse que os EUA e seus aliados da OTAN "não estão prontos para atender aos nossos principais requisitos" e estão prontos apenas para discutir questões de importância secundária a Moscou.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse a jornalistas que as conversas dessa semana com os EUA e a OTAN produziram até agora algumas "nuances positivas", mas isso não é o bastante, acrescentando que questões fundamentais permaneceram em desacordo.

 

 



 


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