Força Aérea Brasileira: uma força aérea subdimensionada em um hemisfério que volta a ser disputado. Ambientes externos e internos fragilizam de forma perigosa as operações ds Força Aérea Brasileira e até a sua propria existencia
Fiel Observado
DefesaNet
A Força Aérea Brasileira (FAB) enfrenta hoje uma combinação perigosa de fatores: ambiente geopolítico deteriorado, orçamento incompatível com suas missões, perda de massa crítica operacional e crescente desmotivação de seus quadros mais qualificados. Trata-se de uma equação clássica de enfraquecimento estratégico — e o Brasil parece disposto a ignorá-la.
O discurso oficial insiste em modernização e cooperação. A realidade operacional aponta para fragilidade, improviso e perda gradual de credibilidade dissuasória.
A América Latina voltou ao radar de Washington
Há uma percepção equivocada, amplamente difundida no Brasil, de que os Estados Unidos seriam um “fator neutro” na região. As últimas ações na Venezuela, e as ameaças ao México, Colômbia, Cuba e Panamá mostram que essa é uma leitura errada e perigosa. Washington voltou a olhar com atenção para o Atlântico Sul, a Amazônia, as rotas marítimas estratégicas e a presença crescente de potências extrarregionais.
Quando grandes potências retornam ao tabuleiro, países com baixa capacidade militar deixam de ser parceiros e passam a ser objetos de gestão estratégica.
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— Força Aérea Brasileira 🇧🇷 (@fab_oficial) January 15, 2026
Potência, precisão e versatilidade em missões de ataque e apoio aéreo. Modernizado para o combate moderno, o A-1AM segue cumprindo seu papel na defesa do espaço aéreo brasileiro, representando a prontidão e a força da Força Aérea Brasileira.
"Sempre pronta,… pic.twitter.com/3E4QNSH9Jq
Curiosa postagem da FAB: “A criação de uma FAB Ghost”. Segundo informações de DefesaNet são 3 A-1 operacionais e deveriam ser desativados
Sem uma Força Aérea robusta, o Brasil corre o risco de perder autonomia decisória justamente em sua área de interesse vital.
A adoção do F-39 Gripen é constantemente usada como vitrine de modernização. Contudo, em termos estratégicos, o número previsto de aeronaves é incompatível com qualquer pretensão de controle do espaço aéreo nacional.
A FAB hoje:
- Não cobre simultaneamente fronteiras críticas e áreas sensíveis
- Não sustenta prontidão prolongada
- Não suporta perdas mínimas em cenário de crise
- Não consegue explorar as próprias barreiras que rompeu
- Não consegue acompanhar os avanços do chamado New Space
Uma força aérea sem escala não dissuade nem adversários regionais — muito menos potências globais.
Nota – Em dezembro 2025 a FAB fez um notável feito: o lançamento do míssil BVR Meteor. Uma dura realidade este lançamento ocorreu 23 anos após o Exercío CRUZEX ter sido resetado no primeiro dia pois TODAS as aeronaves da FAB foram abatidas pelos BVR franceses disparados desde 80 km distância.
O Brasil segue vulnerável com uma Aviação de Caça e capacidade de defesa aérea reduzida em um cenário marcado por drones, mísseis de cruzeiro, ISR persistente e guerra híbrida, isso equivale a aceitar a violação do espaço aéreo como dado de realidade.
Hoje, bases aéreas, centros de comando e controle, infraestrutura crítica e áreas estratégicas permanecem expostas. A FAB opera caças modernos, mas defende o território com lacunas do século passado.

O EMBRAER KC-390 estabelece novos parâmetros mundiais de performance em aeronaves de transporte militar. A foto mostra um KC-390 com dois F-5EM . Foto FAB
Orçamento baixo: o inimigo interno permanente
O orçamento destinado à FAB não é apenas insuficiente — é estrategicamente disfuncional. Falta previsibilidade, continuidade e coerência. Programas são esticados, quantidades reduzidas, manutenção sacrificada e treinamento comprimido.
Nenhuma força aérea no mundo mantém excelência operacional com orçamento errático. No Brasil, insiste-se nessa ilusão há décadas.
Pilotos desmotivados: o capital humano em risco
Talvez o problema mais silencioso — e mais grave — seja a desmotivação crescente dos pilotos e quadros operacionais. Horas de voo insuficientes, carreiras estagnadas, incerteza quanto ao futuro dos meios e falta de perspectiva corroem o principal ativo da FAB: seu capital humano.
Forma-se pilotos de alto nível para, em seguida, subempregá-los operacionalmente ou colocá-los no comando de uma escrivaninha no auge da sua vida operacional. O resultado é evasão para aviação civil, desânimo e perda de experiência — danos que não se resolvem com discursos institucionais.
Mobilidade estratégica ainda aquém do necessário
Mesmo com o avanço representado pelo KC-390, o número de aeronaves disponíveis segue insuficiente e existe uma lacuna operacional para garantir mobilidade estratégica compatível com as dimensões do país e suas responsabilidades regionais.
Sem mobilidade e uma plataforma dedicada a missões de transporte e reabastecimento de longo alcance, o poder aéreo não projeta força. Sem projeção, não há dissuasão.
Conclusão: o risco não é o conflito — é a irrelevância estratégica
A Força Aérea Brasileira caminha para uma situação paradoxal: tecnicamente competente, mas estrategicamente irrelevante. Em um hemisfério que volta a ser disputado — por potências globais e regionais — essa é uma posição perigosa.
Soberania não se preserva com boas intenções, comunicados oficiais ou promessas futuras. Preserva-se com capacidades reais, prontas e visíveis.
Se o Brasil continuar tratando sua Força Aérea como um problema orçamentário e não como um instrumento de poder nacional, o custo será pago em influência, autonomia, credibilidade nacional e internacional e, eventualmente, soberania.
Força Aérea Brasileira: uma força aérea subdimensionada em um hemisfério que volta a ser disputado



















