Fumaça nos Pampas – O A-29 substituindo o AMX seria retrocesso e sinal de que algo está errado na FAB

A solução proposta pelo Comando da Aeronáutica transcende o limite entre a realidade e o imaginário delirante.
Nota as imagens que ilustram esta matéria geradas em Inteligência Artificial são meras ilustrações sem qualquer afirmação ou declaração de valor somente usando o “Realismo Fantástico” do Comando da Aeronáutica

Fiel Observador
18 Fevereiro 2026

Nota DefesaNet

Este artigo deve ser lido em conjunto com o publicado:  AMX – A lacuna perigosa: a urgente substituição e o equívoco de tratar o Gripen como solução

O Editor

Circula nos bastidores da Defesa um planejamento que causa perplexidade entre oficiais da ativa e da reserva: a substituição dos caças AMX sediados na Base Aérea de Santa Maria por aeronaves turboélices A-29 Super Tucano, que seriam retiradas da Esquadrilha da Fumaça (Esquadrão de Demonstração Aérea). Se confirmada a criação de um Quarto Esquadrão do Terceiro Grupo de Aviação (4º/3º GAv), a medida representaria um rebaixamento inequívoco da capacidade da aviação de caça da FAB em executar missões de ataque ao solo e reconhecimento armado de profundidade no Sul do país.

AMX A-1

O AMX — designado A-1 na FAB — é um caça a jato concebido para missões de ataque ao solo, interdição, apoio aéreo aproximado e reconhecimento, com maior velocidade, alcance e capacidade de carga bélica em comparação a qualquer turboélice. Na Base Aérea de Santa Maria (BASM), sua presença sempre teve peso estratégico: localizada no centro do estado do Rio Grande do Sul, trata-se de uma posição geográfica sensível, próxima às fronteiras com Argentina e Uruguai e com acesso rápido ao Atlântico Sul e apoio à hidrelétrica de Itaipú.

Retirar o AMX dessa equação sem uma substituição à altura — como um caça a jato de geração superior — significa reduzir o poder de dissuasão regional. Ainda que a frota esteja envelhecida, o vetor mantém características de combate que não podem ser simplesmente replicadas por uma aeronave turboélice de treinamento armado.

Embraer A-29 Super Tucano

O A-29 Super Tucano é um avião consagrado em missões de patrulhamento, vigilância de fronteiras e apoio aéreo leve. É robusto, eficiente e amplamente exportado. Mas é, por definição, um turboélice de ataque leve. Seu emprego ideal está associado a cenários de baixa intensidade — combate a ilícitos, insurgência ou policiamento aéreo — não à substituição de um caça a jato em uma base estratégica.

A eventual retirada de aeronaves da Esquadrilha da Fumaça para compor essa transição adiciona outro problema. A equipe de demonstração aérea da FAB é instrumento de diplomacia, recrutamento, projeção institucional e promoção da indústria aeronáutica. Reduzir sua frota para tapar lacunas operacionais transmite a imagem de improviso, não de planejamento.

É necessário esclarecer que a versão do A-29 do Super Tucano usado na Esquadrilha da Fumaça, não tem equipamentos e aviônicos avançados como as aeronaves da Força Aérea de Paraguai ou os do Uruguai. Inclusive dos demais A-29 empregados pela FAB.

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Tradicional demonstração da Esquadrilha da Fumaça (Esquadrão de Demonstração Aérea) – Foto Lucas Lacaz Ruiz especial para DefesaNet

A questão central não é desmerecer o A-29, mas reconhecer que missões distintas exigem plataformas distintas. A troca de um vetor de ataque a jato por um turboélice pode até gerar economia imediata, mas cobra seu preço em credibilidade estratégica e prontidão para o combate. Em termos simples: custo menor, capacidade menor.

Se a FAB caminha para a desativação do AMX sem substituto equivalente, o debate precisa ser transparente. O país aceita abrir mão de uma capacidade de defesa e ataque dedicada no Sul? Ou estamos diante de mais um remanejamento emergencial travestido de racionalização? Estaríamos fazendo em pleno século XXI uma gambiarra operacional por falta de planejamento estratégico?

Num momento em que se fala tanto em modernização e reequipamento, a possível troca em Santa Maria soa menos como evolução e mais como uma jornada atrás na história.

A FAB sempre foi um símbolo de vanguarda tecnológica e operacional. Ações ou intenções como essa vai de encontro à sua própria tradição, história e acima de tudo a necessidade estratégica da Nação Brasileira.

AMX com pod de reconmhecimento

Nota histórica

Meados dos anos 80, o Comando Militar do Sul (CMS), estava em polvorosa pois o Comandante do US Army , Gen. Carl E. Vuono, em visita ao Brasil fez um único pedido: visitar a Base de Santa Maria (BASM).

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