F-5 e AMX como etapa necessária à formação dos novos pilotos de combate
Nelson During
Editor-Chefe DefesaNet
Nota DefesaNet:
Ao consolidar a formação operacional passando pelos esquadrões de F-5 e AMX, a FAB reconheceu a necessidade de voar um jato de combate como etapa indispensável de transição antes de se tornar piloto de Gripen.
DefesaNet analisa a publicação da FAB na sua conta do Instagram DO ZERO AO F-29 GRIPEN: A TRILHA COMPLETA
O Editor
A incorporação do Saab JAS 39 Gripen — designado no Brasil como F-39 Gripen — não representa apenas a chegada de um novo vetor, mas a consolidação de um novo patamar doutrinário e tecnológico na aviação de caça brasileira. O Gripen não é uma aeronave concebida para formar pilotos desde a base, tampouco para cumprir missões elementares de adaptação operacional. Trata-se de um sistema estratégico. Assim como ocorre na Suécia, cada decolagem é orientada para missão de treinamento tático ou emprego operacional específico.
Nesse contexto, a estrutura de formação adotada pela Força Aérea Brasileira revela um reconhecimento claro: o Gripen é o ápice de uma trajetória progressiva de amadurecimento operacional.
Ao estabelecer que a formação operacional do piloto de caça passe previamente pelos esquadrões equipados com o Northrop F-5M Tiger II e com o AMX A-1M antes da conversão para o Gripen, a FAB estruturou um funil que privilegia a experiência tática acumulada em aeronaves de combate a reação. Esse modelo segue a prática internacional adotada por outras forças aéreas usuárias do Gripen como as da Suécia, África do Sul e Tailândia, que reconhecem a necessidade de consolidar a formação operacional em um jato de treinamento avançado e combate leve antes da transição para um caça de geração mais avançada.
| Texto da Matéria DO ZERO AO F-29 GRIPEN: A TRILHA COMPLETA Todo piloto começa do zero. A trajetória até o F-39 Gripen é construída passo a passo, com estudo, disciplina, preparo, resiliência e acima de tudo, comprometimento com a missão. Anos de formação. Milhares de horas de dedicação. Treinamento rigoroso. Seleção criteriosa. Ser piloto de F-39 não é um ponto de partida. É o resultado. |
No F-5M, o piloto consolida fundamentos essenciais: combate ar-ar, interceptação, operações em pacote, emprego de radar, engajamento além do alcance visual e gestão básica de sistemas de armas. Já no A-1M, aprofunda o emprego ar-solo com munições guiadas a laser, uso de pods designadores e de reconhecimento, planejamento de missões complexas e coordenação com forças terrestres. Essa vivência constrói a base mental e operacional necessária para absorver a complexidade de um caça de 4.5 geração.
O Gripen introduz um ambiente centrado em sensores, fusão de dados, guerra eletrônica e operação em rede. Seu cockpit altamente integrado, com Wide Area Display (WAD), radar AESA, data link tático e visor montado no capacete, impõe ao piloto uma carga cognitiva significativamente superior àquela encontrada em aeronaves de gerações anteriores. Sem a maturidade adquirida nos esquadrões de F-5M e AMX, uma transição direta de um treinador turboélice para o Gripen seria abrupta, potencialmente ineficiente e economicamente onerosa.
ABAIXO PUBLICAMOS AS ETAPAS ENUMERADAS PELA FAB
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Há também uma lógica de gestão de frota. Preservar horas de voo do vetor mais moderno e estratégico da FAB é imperativo. Utilizar o Gripen em etapas que podem ser cumpridas por aeronaves menos complexas e menos custosas comprometeria a eficiência do sistema como um todo.
Contudo, a própria estrutura atual indica um desafio futuro. Com a progressiva desativação do A-1M e o envelhecimento do F-5M, a FAB precisará manter esse degrau intermediário de amadurecimento operacional. A experiência internacional demonstra que muitas forças aéreas recorrem a aeronaves de treinamento avançado com capacidade de combate ou a caças leves para cumprir essa função de transição. No caso brasileiro, essa discussão tende a se tornar estrutural para garantir a sustentabilidade do modelo de formação.
O piloto que chega ao Gripen já não está aprendendo a ser um aviador de caça — ele já é um combatente experiente. No F-39 Gripen, seu foco desloca-se da execução de manobras para a gestão integrada de sensores, tomada de decisão em ambiente saturado de informações e atuação em rede com outras plataformas.
O Gripen representa, portanto, o estágio final de uma formação cuidadosamente escalonada. Ao organizar essa progressão, a FAB demonstra compreensão de que a excelência operacional em um caça de primeira linha depende de uma base sólida construída ao longo de anos em aeronaves de combate anteriores — uma decisão que combina prudência doutrinária, racionalidade econômica e visão estratégica de longo prazo.





















