Mulheres na Marinha: 44 anos de pioneirismo, coragem e competência

Atualmente, elas estão presentes em todos os Corpos e Quadros da Força

Por Capitão-Tenente (RM2-T) Vanessa Mendonça

Com a inédita e recente formatura das novas Soldados Fuzileiros Navais, ocorrida na última sexta-feira (5), no Rio de Janeiro, a presença feminina na Marinha do Brasil (MB) completa um ciclo de pioneirismo, que teve início em 7 de julho de 1980, com a criação do Corpo Auxiliar Feminino da Reserva da Marinha.

Desde aquela época, as mulheres possuem os mesmos direitos, responsabilidades e remuneração dos militares homens no mesmo posto e graduação, o que tem encorajado, cada vez mais, as mulheres a ingressarem na Força Naval.
É o caso da Ana Paula Silva Flor que se tornou Soldado Fuzileiro Naval ao lado de outras 113 jovens, na última sexta-feira (5).

“Para mim é indescritível o que estou sentindo. A verdade é que quando eu vim, há quase cinco meses, para o Rio de Janeiro, saindo de Belém, no Pará, deixei tudo para seguir um sonho que sempre soube que seria possível”, afirmou.

Em um processo gradual, a MB reestruturou seus Corpos e Quadros e ampliou a participação das mulheres. O que se confirmou, em 2012, com a promoção da primeira Oficial-General das Forças Armadas: a Contra-Almirante (Médica) Dalva Maria Carvalho Mendes. Em seguida, em 2018, foi promovida a Almirante uma oficial do Corpo de Engenheiros da Marinha, a Contra-Almirante (Engenheira Naval) Luciana Mascarenhas da Costa Marroni. Ambas deixaram o serviço ativo e estão na reserva.

Atualmente, a Contra-Almirante (Médica) Maria Cecília Barbosa da Silva Conceição, promovida em 2023, está no serviço ativo e exerce o cargo de Diretora do Departamento de Saúde e Assistência Social, no Ministério da Defesa.

Também em 2023, de forma inédita e histórica, foram admitidas no Colégio Naval, doze alunas, o que, até então, era restrito a jovens do sexo masculino. Nesse mesmo ano, após um processo seletivo que reuniu 4.530 candidatas, 48 foram selecionadas para integrar a precursora turma de Marinheiras de carreira, na Escola de Aprendizes Marinheiros de Santa Catarina (EAMSC).

Antes disso, em 2014, doze jovens também escreveram um importante capítulo dessa história, ao integrarem a primeira turma de Aspirantes femininas na Escola Naval, a mais antiga instituição de Ensino Superior do País.

Para as pioneiras que abriram o caminho, como a Almirante Dalva, acompanhar as etapas dessa trajetória, tem sido emocionante. ‘‘É com grande alegria e a sensação de dever cumprido que me congratulo com as mulheres da nossa família marinheira. A responsabilidade das pioneiras foi vigorosamente exercida. E a todas as guerreiras que demonstraram e vem demonstrando sua capacidade de enfrentar as batalhas do dia a dia, os meus parabéns”, externou.

A Almirante (Médica) Dalva ainda possui outro grande orgulho na MB: sua filha, a Capitão de Corveta (Quadro Técnico) Luciana Carvalho Mendes é a primeira Oficial do sexo feminino a integrar a Força-Tarefa Antipirataria Combined Task Force 151 (CTF-151), onde exerce a função de consultora jurídica, nesta que é parte da maior coalizão naval do mundo, com foco na repressão à pirataria no Mar Vermelho, Golfo de Aden e Mar Arábico.

‘‘Sempre me inspirei na minha mãe, na paixão dela pelo trabalho, por todo seu esforço e dedicação. E esse foi o exemplo que ela nos passou dentro de casa, que certamente influenciou nas minhas escolhas profissionais. A linda trajetória dela na MB e ver que, como fruto deste trabalho, foi possível alcançar papéis de destaque, me fez buscar por este crescimento na carreira e acreditar na possibilidade de participar de qualquer missão, especialmente, as mais desafiadoras‘‘, ressaltou a Capitão de Corveta (Quadro Técnico) Luciana.

A Capitão de Corveta (Quadro Técnico) Josiane Souza de Carvalho Brito também é uma pioneira. Ela é uma das 307 mulheres, que fizeram parte da primeira turma de Praças que ingressou na MB, em abril de 1981. Ela é uma das autoras do livro ‘‘307 Sonhos: Mulheres Militares Pioneiras das Forças Armadas – Praças da Marinha do Brasil“, lançado em maio deste ano.

‘‘É uma honra pertencer à Primeira Turma de Mulheres Militares da Marinha e constatar que com capacidade e resiliência conseguimos superar os desafios desse pioneirismo, inspirando o ingresso das futuras turmas. Quebramos barreiras e paradigmas, trazendo representatividade e responsabilidade. Hoje as mulheres estão em todos os lugares dentro das Forças Armadas”, observou.

Ao longo de todas essas décadas, as mulheres militares conquistaram posições importantes na MB, em cargos de direção, comando, comissões no exterior, ascendendo ao Posto de Oficial-General, e sendo egressas da Escola Naval, das Escolas de Aprendizes de Marinheiros e mais, recentemente, como Fuzileiros Navais.

Diante de tantas histórias de sucesso, a Almirante (Médica) Maria Cecília acredita no exemplo como motivação para que mais mulheres busquem a carreira militar.

“Sinto-me honrada por ser fonte de inspiração para quem, assim como eu, busca alcançar o sucesso pelos seus esforços. É um orgulho e um privilégio ser uma Oficial-General da Marinha do Brasil, que considerou o merecimento como forma de reconhecimento aos esforços que fiz ao longo da minha carreira”, afirmou.

Fonte: Agência Marinha de Notícias

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